Júlio Cesar de Almeida Braz, diretor-presidente da Ginco Urbanismo, citou obras do Governo como fatores determinantes para o crescimento do mercado
Segundo ele, a construção de novas rodovias, a recuperação de estradas, e os investimentos em infraestrutura, incluindo a construção do Hospital Universitário na capital, são fatores determinantes para o crescimento do mercado.
Júlio ressaltou que as iniciativas não só melhoram a logística e a conectividade entre as cidades, mas também criam um ambiente propício para novos empreendimentos imobiliários, impulsionando o desenvolvimento regional de maneira significativa.
Confira a entrevista completa do empresário publicada pelo site Mídia News:
O mercado não fica desestimulado, ele tem interesse, mas não tem acesso a crédito fácil, porque você não tem linha de crédito que chegue nessa taxa de 8%. Hoje, basicamente a Caixa Econômica e alguns bancos oferecem linhas de crédito, mas como a captação desse recurso fica mais cara, não conseguem oferecer com mais condições para o cliente final. A taxa de juros a nível do Banco Central e da economia precisam cair para possibilitar essas linhas de crédito com juros mais baixos.”
*MídiaNews*: “A chegada dos carros elétricos, que precisam ser recarregados, tem levado a mudanças em projetos de engenharia dos edifícios?”
*Júlio Cesar de Almeida Braz*: “Tínhamos isso no nosso radar há uns 5 anos e já vínhamos nos adaptando. Os empreendimentos que estamos entregando, praticamente todos, são dotados de energia solar que é convertida para o próprio condomínio de alguma forma. Já estamos trabalhando para que os novos empreendimentos tenham estações de carregamento de carro elétrico. Nos últimos anos, as vendas de carros elétricos surpreenderam, é uma situação que veio para ficar.”
MídiaNews: “Muito ainda se fala em sustentabilidade nos empreendimentos. Seguir esse conceito ainda causa impacto nos valores dos imóveis?”
Júlio Cesar de Almeida Braz*: “Antes talvez mais do que agora. No nosso caso, a área verde sempre foi um ponto importante, desde os nossos primeiros empreendimentos tínhamos um índice de aproveitamento muito menor do que o resto do mercado.
MídiaNews – Muito ainda se fala em sustentabilidade nos empreendimentos. Seguir esse conceito ainda causa impacto nos valores dos imóveis?
Júlio Cesar de Almeida Braz – Antes talvez mais do que agora. No nosso caso, a área verde sempre foi um ponto importante, desde os nossos primeiros empreendimentos tínhamos um índice de aproveitamento muito menor do que o resto do mercado. A maioria dos clientes não compara isso, mas sabíamos que era algo que estava sendo plantado.
Hoje, por exemplo, nossos empreendimentos têm em torno de 50% de índice de aproveitamento, quase um metro quadrado de área verde para um metro de área de venda. Na realidade, o índice de aproveitamento é até menor quando considero a área total, porque também temos as APPs (Área de Preservação Permanente). Diria que no passado tínhamos certa dificuldade, porque isso, obrigatoriamente, torna o preço diferente. Mas hoje as pessoas já perceberam o valor disso, principalmente depois que entram no empreendimento pronto. A diferença é muito grande e a pessoa se sente mais agradável, mas ela, às vezes, não consegue ainda fazer essa ligação, que é por conta dessas áreas verdes.
MídiaNews – Como imagina os imóveis do futuro?
Júlio Cesar de Almeida Braz – Há 30 anos tínhamos uma percepção diferente. Morar em condomínio e ter uma área distante, tínhamos nossas referências fora do País, mas não tinha aquele apelo tão grande. A verticalização, hoje, as pessoas se acostumaram. Diria que, hoje, temos o Brasil como um dos mais sustentáveis. No passado, na década de 70 até 90, não se via tantos condomínios. Essa figura só veio se solidificar depois que a segurança pública ficou em patamar de segurança pública.
MidiaNews – E as demandas da cidade e do mercado?
Júlio Cesar de Almeida Braz: Tem o que eu gostaria e o que eu acho que vai acontecer. Gostaria que tivéssemos uma cidade melhor, com muita área verde, de lazer, área para cultura. Isso é um ponto muito positivo para atrair pessoas que se fixem em um lugar, pessoas com capital financeiro e com capital intelectual.
Mas acredito que enfrentaremos o desafio do adensamento. Quanto mais verticalização, que em tese seria mais inteligente, você terá um maior adensamento e, onde antes você tinha dois ou três carros em um lote, passaria a ter 30, 40 ou 50 carros. A política de adensamento nos causou um problema, uma armadilha que precisa ser desarmada, é pensar em um processo de expansão, criar situações que você possa de fato ter um ambiente melhor, na questão de um trânsito mais tranquilo, estacionamento mais fácil, por exemplo.
Não estou sendo contra, mas quanto mais a verticalização ocorrer, maior será o desafio. Precisa ter um ponto de equilíbrio. Esse será um desafio para Cuiabá, porque hoje temos qualidade de vida boa, andamos com facilidade, temos tranquilidade, às vezes com alguns problemas no deslocamento, mas as intervenções públicas, no meu ponto de vista, estão facilitando isso, mas muito provavelmente iremos nos deparar com essa situação.