O cabeleireiro Elielson Gonçalves, popularmente conhecido em Cuiabá como “cabeleireiro das estrelas”, foi preso nesta quinta-feira (08) na Operação Fio, da Polícia Civil, por suspeita de vender drogas para pessoas da alta sociedade de Cuiabá. Nas redes sociais, o cabeleireiro chegou a ostentar uma Ferrari e dizer que iria “acelerar para Chapada [dos Guimarães]”.
Ao RD News, o delegado Wilson Cibulski, titular da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) de Cuiabá, revelou que as investigações começaram em setembro do ano passado, após Elielson ser preso em flagrante por suspeita tráfico. “A gente investigou e viu que ele fazia intermediação de drogas, de grandes quantidades. E esse grupo criminoso [alvo da operação] também fazia distribuição de drogas para pessoas da alta sociedade”, revela.
“[Ele era] traficante. Na investigação, tem intermediação de droga por parte dele. Grandes quantidades de drogas, inclusive, principalmente de super maconha, que ele chama de “maconha Gold”, acrescenta.
Além de Elielson, também foi preso na operação Hebert Felipe de Almeida Vieira, de 36 anos. Em agosto deste ano, ele foi alvo de uma tentativa de homicídio em um hotel do bairro Novo Mundo, em Várzea Grande. Após o crime, ele se mudou para Santos, no litoral de São Paulo e foi pego na cidade paulista nesta quinta.
Conforme o delegado, Hebert era um dos fornecedores de drogas para Elielson. “Ele fazia intermediação entre um e outro, procurava ele pra ver quem era fornecedor, ele dava contato, ele negociava e intermediava também”, acrescenta.
Ele deixou a delegacia no final da manhã de hoje e não quis falar com jornalistas que estavam no local. O cabeleireiro, agora, passará por audiência de custódia e deve ser encaminhado para a Penitenciária Central do Estado.
Lapada Lapada

Atentado
Conforme já publicado pelo RD News, o atentado aconteceu em 12 de agosto, no Hotel Marion Pantanal. Hebert disse que estava no hotel e se preparava para realizar o check-in, quando foi surpreendido pelos suspeitos, que chegaram em um carro sedan preto.
Três homens desceram do veículo e atiraram na direção da vítima, mas nenhum disparo a acertou, causando apenas danos no hall de entrada do hotel. Após efetuarem os disparos, os suspeitos entraram no carro e fugiram.
Durante o atendimento à ocorrência, os policiais receberam denúncias anônimas de que, em grupos de WhatsApp, circulavam fotos de Hebert, bem como informações detalhadas sobre sua rotina diária e deslocamento.
Conforme as denúncias, o homem estava sendo apontado como suposto autor ou participante de diversas ações criminosas na cidade. Além disso, as informações seriam de que ele se passava por policial, invadia residências de criminosos e roubava pertences.
Ele também foi relacionado ao sequestro, tortura e homicídio de Wellyngton Eduardo da Costa Jardim, cujo corpo foi localizado em um matagal na região do Capão Grande.
Após o crime, o homem deixou a região de Cuiabá. As circunstâncias do atentado e eventual relação do episódio com a atividade do tráfico e outras situações apuradas dentro na Operação Fio permanecem sob investigação.
PJC

A operação
Segundo a Polícia Civil, são cumpridas 26 ordens judiciais, sendo 5 de prisão preventiva, 9 de busca e apreensão e 12 de bloqueio de ativos financeiros. Os mandados foram expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo da Garantias – Polo Cuiabá e são cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Mirassol D’Oeste, e no Litoral Sul de São Paulo.
As ordens judiciais são decorrentes de investigação conduzida pela Polícia Civil que apura a atuação de um grupo suspeito de envolvimento com o tráfico de entorpecentes e com a movimentação de recursos relacionados às atividades criminosas.
No curso das apurações, foram reunidos elementos que indicam a participação de diferentes investigados na atividade criminosa, além de indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada de alguns dos envolvidos e possível utilização de pessoas físicas e jurídicas para circulação e ocultação de valores. (RD News)