Senador eleito Mauro Mendes e empresário Odílio Balbinotti Filho são apontados como possíveis nomes para a pasta em eventual governo de Flávio Bolsonaro; definições dependerão do resultado do segundo turno
A força econômica do agronegócio e o peso político de Mato Grosso nas eleições de 2026 colocaram dois representantes do Estado entre os nomes cogitados para comandar o Ministério da Agricultura e Pecuária em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) e o empresário Odílio Balbinotti Filho (PL), primeiro suplente do senador eleito José Medeiros (PL), aparecem nas articulações relacionadas à formação de uma possível equipe ministerial.
As especulações ocorrem em meio à campanha do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Até o momento, não há anúncio oficial sobre a composição de um eventual ministério. As conversas permanecem no campo das articulações políticas e dependem tanto do resultado das urnas quanto das negociações entre partidos e setores econômicos que apoiam o candidato do PL.
No caso de Mauro Mendes, a possibilidade de assumir a Agricultura está associada à projeção nacional conquistada durante seus dois mandatos à frente do Governo de Mato Grosso e ao resultado das eleições de domingo (4).
Eleito senador com aproximadamente 1,18 milhão de votos, o ex-governador deixou o Executivo estadual com elevados índices de aprovação e conseguiu ampliar a presença de seu grupo político nas principais disputas eleitorais.
Além da própria vitória para o Senado, Mauro participou da articulação que garantiu a reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso. Sua esposa, Virginia Mendes (União Brasil), também conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
O desempenho eleitoral fortaleceu a posição do ex-governador nas negociações nacionais e ampliou seu espaço entre as lideranças políticas ligadas ao setor produtivo.
A eventual indicação de Mauro para o Ministério da Agricultura, entretanto, exigiria uma decisão sobre o exercício do mandato no Senado, para o qual acaba de ser eleito.
BALBINOTTI TEM LIGAÇÃO DIRETA COM O AGRO
Outro nome mencionado nas articulações é o do empresário Odílio Balbinotti Filho, que atua no agronegócio e integra o PL.
Primeiro suplente do senador eleito José Medeiros, Balbinotti também exerce a função de coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso, posição que o aproxima das discussões políticas e eleitorais do grupo.
Diferentemente de Mauro Mendes, cuja projeção está ligada principalmente à gestão pública e à articulação partidária, Balbinotti possui trajetória empresarial diretamente vinculada ao setor agropecuário.
O empresário também se destacou pelo financiamento de candidaturas alinhadas à direita nos últimos processos eleitorais.
Em 2022, destinou R$ 600 mil à campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 500 mil à candidatura de José Medeiros. Nas eleições municipais de 2024, suas doações a candidatos do PL somaram aproximadamente R$ 4 milhões.
A atuação como financiador e articulador político contribuiu para ampliar sua influência dentro do partido e entre lideranças do agronegócio.
Balbinotti já reconheceu que seu nome é considerado nas conversas sobre a composição de um eventual governo de Flávio Bolsonaro. No entanto, ressaltou que qualquer discussão sobre a ocupação de ministérios deve ocorrer somente depois da eleição presidencial.
A posição busca evitar que a disputa por cargos antecipe negociações que ainda dependem da vitória do candidato do PL nas urnas.
PESO ECONÔMICO E POLÍTICO
A possibilidade de Mato Grosso ocupar o comando do Ministério da Agricultura também reflete a importância do Estado para a economia nacional.
Líder na produção brasileira de soja, milho e algodão, além de possuir o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso exerce influência direta sobre as discussões relacionadas ao abastecimento, às exportações e à competitividade do agronegócio.
O setor também depende de decisões federais sobre crédito rural, seguro agrícola, infraestrutura logística, defesa sanitária, abertura de mercados internacionais e políticas de apoio à produção.
Esses temas estão entre as principais preocupações dos produtores mato-grossenses, especialmente diante dos custos de transporte, das oscilações dos preços internacionais e das exigências sanitárias e ambientais impostas pelos países compradores.
Nesse cenário, a escolha de um representante do Estado para comandar a pasta teria significado político e econômico, ao aproximar o centro das decisões federais de uma das principais regiões produtoras do país.
A eventual indicação, porém, também dependeria da capacidade de articulação nacional do escolhido e de sua relação com as diferentes cadeias produtivas, que incluem agricultura empresarial, pecuária e agricultura familiar.
DECISÃO APÓS AS URNAS
Apesar das movimentações de bastidores, a formação de um eventual ministério permanece condicionada ao resultado do segundo turno.
Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com Lula em uma eleição marcada pela polarização política e pela busca de apoio entre partidos, lideranças regionais e setores econômicos.
Em Mato Grosso, o candidato do PL obteve ampla vantagem no primeiro turno, com 65,15% dos votos válidos, contra 29,18% do presidente Lula.
O desempenho reforçou a importância do Estado para a campanha bolsonarista e ampliou a participação de lideranças locais na mobilização para a etapa decisiva da eleição.
Tanto Mauro Mendes quanto Odílio Balbinotti Filho representam segmentos com influência sobre a política e o agronegócio mato-grossense, mas possuem trajetórias distintas e interesses políticos próprios.
Por enquanto, os dois nomes permanecem no campo das possibilidades. Não há confirmação de convite, indicação formal ou compromisso de Flávio Bolsonaro com qualquer um deles para o Ministério da Agricultura.
A definição sobre o comando da pasta, assim como a composição dos demais ministérios, somente poderá avançar após o resultado da eleição presidencial de 25 de outubro, caso o candidato do PL seja eleito.