Eleito primeiro suplente do senador Mauro Mendes, empresário e ex-senador de Mato Grosso surpreende ao repudiar boicotes contra eleitores de Lula, defender o respeito à democracia e afirmar que a solidariedade não pode depender de preferência partidária
O empresário e ex-senador José Aparecido dos Santos, o Cidinho Santos (PP), eleito primeiro suplente do senador Mauro Mendes, protagonizou uma manifestação que chamou atenção ao condenar retaliações políticas, reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defender a convivência democrática.
Para Cidinho, a disputa eleitoral terminou, a vontade popular precisa ser respeitada e o ódio não pode substituir a democracia.
UM RECADO DURO AOS RADICAIS
O empresário criticou manifestações de pessoas que passaram a defender boicotes contra estabelecimentos comerciais supostamente ligados a eleitores de Lula.
Também condenou propostas de suspender doações, abandonar ações beneficentes e deixar de ajudar famílias necessitadas por divergências políticas.
Para Cidinho, transformar a derrota eleitoral em instrumento de vingança contra comerciantes, trabalhadores ou pessoas em situação de vulnerabilidade é incompatível com os princípios cristãos.
“Isso, para mim, não é cristão”, declarou.
Ao comentar o resultado da eleição presidencial, o ex-senador ressaltou a importância de respeitar a decisão dos eleitores, independentemente das preferências partidárias.
O EMPRESÁRIO QUE CONHECE OS BASTIDORES DO PODER
Cidinho Santos não é um estreante na política mato-grossense.
Nascido em Janiópolis, no Paraná, em 1968, e radicado em Mato Grosso desde a década de 1980, construiu sua trajetória no setor empresarial e na vida pública.
Foi prefeito de Nova Marilândia por três mandatos, presidiu a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e chegou ao Senado Federal na condição de primeiro suplente de Blairo Maggi.
Assumiu o mandato em diferentes períodos, especialmente após Maggi deixar o Senado para comandar o Ministério da Agricultura no governo Michel Temer, em 2016.
Em 2026, voltou ao centro da política estadual ao integrar, como primeiro suplente, a chapa vencedora de Mauro Mendes ao Senado.
Com a vitória, Cidinho recuperou uma posição estratégica na política nacional, podendo voltar a exercer o mandato de senador nas hipóteses previstas em lei.
A FÉ NÃO PODE SER INSTRUMENTO DE VINGANÇA
Ao condenar a utilização da política como justificativa para interromper ações de solidariedade, Cidinho levou o debate para além das disputas partidárias.
Ajudar uma família necessitada, colaborar com uma instituição beneficente ou frequentar um estabelecimento comercial não deveria exigir concordância ideológica.
A fome não pergunta em quem alguém votou. A necessidade não distingue partidos. E a solidariedade perde seu sentido quando se transforma em instrumento de punição política.
A declaração de Cidinho ganha significado num ambiente marcado por conflitos ideológicos, ataques pessoais e tentativas de transformar adversários políticos em inimigos.
CIDINHO DÁ UMA LIÇÃO DE RESPEITO EM TEMPOS DE INTOLERÂNCIA
O posicionamento do empresário demonstra que é possível defender convicções políticas, discordar de um governo e, ao mesmo tempo, reconhecer a legitimidade do resultado eleitoral.
Também evidencia que divergências partidárias não precisam destruir relações sociais, comerciais e familiares.
Cidinho continua sendo um homem de negócios, uma liderança influente em Mato Grosso e o primeiro suplente do senador eleito Mauro Mendes. Mas sua manifestação ganhou destaque por um motivo que ultrapassa a disputa pelo poder: a defesa do respeito, da democracia e da solidariedade.
Em um Brasil profundamente dividido, a mensagem deixa duas perguntas inevitáveis: De que vale defender a democracia quando se vence e rejeitar a vontade popular quando se perde? E de que vale invocar a fé para justificar atitudes que negam o respeito ao próximo?