O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), adotou um discurso firme diante das graves denúncias envolvendo o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Nesta quarta-feira (4), o parlamentar classificou a Operação Tomada de Contas como um episódio extremamente negativo para Mato Grosso, defendeu o aprofundamento das investigações da Polícia Federal e assegurou que eventuais responsáveis por irregularidades deverão responder por seus atos.
“Foi muito ruim. Dizer que é bom isso para o Estado de Mato Grosso não é. Muito ruim. Nós temos que mostrar agora, e esse é o momento, na investigação, a verdade dos fatos. E quem dever, tem que pagar. Quem tiver errado, vai pagar”, declarou.
Max ressaltou que a Assembleia acompanhará os desdobramentos da operação e anunciou que já acionou a Procuradoria da Casa para avaliar as providências administrativas e legais cabíveis, especialmente diante da prisão de um servidor efetivo do Parlamento.
“A Assembleia Legislativa vai fazer o seu acompanhamento. Ontem notifiquei a Procuradoria da Casa para que eles possam me fazer os encaminhamentos daquilo de providências que eu, como presidente, tenho que tomar na função do cargo”, afirmou.
Outro ponto abordado pelo presidente foi a repercussão de informações relacionadas a aproximadamente R$ 112,3 milhões em emendas orçamentárias vinculadas ao TCE-MT nos exercícios de 2025 e 2026.
Max contestou a interpretação de que esses valores representariam transferências diretas de dinheiro da Assembleia para o Tribunal.
“Não existe R$ 1 sequer da Assembleia Legislativa para o Tribunal de Contas”, afirmou.
Segundo o parlamentar, os valores correspondem a alterações na Lei Orçamentária Anual (LOA), realizadas durante a análise do orçamento estadual, e não a recursos retirados dos cofres da Assembleia e transferidos diretamente à Corte de Contas.
Ele explicou que o procedimento também contempla outros órgãos, como o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e a Defensoria Pública, além de áreas essenciais como a saúde.
O esclarecimento ocorre em meio à repercussão das investigações da Polícia Federal, que apura a origem, a movimentação e a destinação de recursos no âmbito do Tribunal de Contas.
A Operação Tomada de Contas, deflagrada em 29 de outubro, também atingiu Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, procurador concursado da Assembleia Legislativa cedido ao TCE-MT desde fevereiro de 2020, onde exercia a função de consultor jurídico-geral.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Grhegory teria desempenhado papel relevante na articulação jurídica e financeira do suposto esquema de pagamentos irregulares.
A decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), aponta que o investigado teria recebido aproximadamente R$ 32,3 milhões em suas contas entre janeiro e outubro de 2025. Desse total, R$ 31,6 milhões teriam sido movimentados por meio de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras.
A investigação também menciona imagens de câmeras de segurança nas quais o procurador aparece colocando blocos de dinheiro em uma mochila dentro de uma agência bancária.
As movimentações são objeto de apuração e não representam, por si só, comprovação definitiva de responsabilidade criminal.
Ao comentar a situação funcional do procurador, Max Russi destacou que a condição de servidor efetivo exige o cumprimento dos procedimentos administrativos previstos em lei.
O presidente explicou que não é possível simplesmente exonerar um servidor concursado em razão de uma investigação criminal, sendo necessária a observância das garantias legais e de eventual procedimento disciplinar.
“Um concurso público você não tem como simplesmente exonerar. Você tem que abrir um processo, um procedimento, uma investigação. Tem todo um processo”, afirmou.
Max também alertou para os riscos de julgamentos precipitados e para os prejuízos provocados pela divulgação de acusações antes da conclusão das investigações.
“É igual você jogar um monte de penas ao vento e sair recolhendo. Você coloca uma notícia e essa notícia vira verdade”, ponderou.
O parlamentar defendeu que a apuração seja conduzida com rigor, transparência e respeito aos direitos das pessoas envolvidas.
A Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos, pagamentos a servidores e movimentações financeiras no TCE-MT.
A Polícia Federal cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, além de outras medidas autorizadas pelo STJ.
Diante da dimensão do caso, Max Russi defendeu que todas as informações sejam devidamente esclarecidas e que a sociedade tenha acesso aos resultados das apurações.
Com o acionamento da Procuradoria da Assembleia Legislativa, a Presidência da Casa deverá avaliar as medidas administrativas cabíveis, respeitando os limites de suas atribuições e o devido processo legal.
A posição manifestada por Max é de que a gravidade do caso exige investigação rigorosa, transparência e responsabilização de quem comprovadamente tenha cometido irregularidades, sem antecipação de culpa.