Lúdio desafia prefeito Abilio a mostrar carteira de trabalho

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) desafiou publicamente o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), a apresentar sua carteira de trabalho. A declaração ocorre após o chefe do Executivo municipal acusar o parlamentar de “não trabalhar”. Durante coletiva de imprensa, o deputado petista rebateu o adversário e afirmou que a trajetória do prefeito no serviço público se resume a privilégios.

 

“O Abilio tem carteira de trabalho? O Abilio já trabalhou alguma vez na vida? Ele é quem precisa responder isso”, provocou Lúdio. O parlamentar ainda comparou o perfil do gestor municipal ao da família Bolsonaro, de quem o prefeito é aliado. “Nesse sentido, ele é muito parecido com o Flávio Bolsonaro, entendeu? O primeiro trabalho deles foi mamar na teta do Estado”, criticou o petista.

 

Lúdio contrapôs sua própria trajetória profissional à de Abilio, relatando ter ingressado no mercado de trabalho ainda na juventude. “A minha carteira de trabalho foi assinada em 1985, eu tinha 14 anos quando comecei a trabalhar com carteira assinada. Fui bancário dos 14 aos 18 anos, com a minha carteira de trabalho assinadinha”, afirmou.

 

O deputado seguiu com duras críticas à ascensão política de Brunini, classificando o prefeito como “filho de papai” que, segundo ele, nunca teve ocupação fora da política tradicional. “Ele é um filhinho de papai que sempre foi sustentado por papai, foi arruaceiro a vida toda. O avô dele, tadinho, sofreu até não aguentar mais com o neto”, disse.

 

Segundo a versão apresentada por Lúdio, o avô do prefeito teria intervindo diretamente para que o neto ingressasse na vida pública.  “E aí o avô deu um jeito de organizar um grupo de pastores para arrumar um emprego para ele, um emprego de vereador”, declarou.

 

“Serviço prestado para se eleger vereador, ele nunca teve. Nunca trabalhou na vida. E continuou não trabalhando. E continua não trabalhando, é prefeito de Cuiabá, tem um bom salário e não trabalha. Ele é quem tem que mostrar a carteira de trabalho dele”, completou.

 

A troca de farpas teve início após o prefeito Abilio Brunini questionar publicamente a atuação profissional e legislativa de Lúdio Cabral. Ao rebater denúncias que pesavam contra a sua administração, Abilio alegou que o deputado “não trabalha” e insinuou que sua atuação pública estaria restrita à militância e à oposição.

 

Lúdio acusou a prefeitura de Cuiabá de assédio eleitoral. Ele acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT) contra Abilio e membros do primeiro escalão da Prefeitura de Cuiabá. A representação requer a instauração de inquérito civil para apurar relatos de constrangimento e perseguição política a servidores públicos municipais.

 

Entre os casos citados no documento protocolado por Lúdio está a exoneração sumária de uma funcionária pública da Empresa Cuiabana de Saúde Pública que teria participado de uma manifestação política em apoio ao Partido dos Trabalhadores.

 

A peça enviada ao MPT aponta ainda que servidores estariam recebendo orientações veladas para proibir o uso de vestimentas vermelhas nos prédios públicos e monitorar manifestações em redes sociais pessoais. Lúdio solicitou ao MPT que garanta o sigilo nos depoimentos de funcionários para evitar eventuais retaliações administrativas dentro do Paço Municipal.

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