A Prefeitura de Cuiabá vai retirar três radares instalados em outros pontos da Capital e transferi-los para o Contorno Leste, onde o excesso de velocidade e a ocorrência de acidentes passaram a preocupar a administração municipal. O anúncio foi feito pelo prefeito Abilio Brunini (PL), que também revelou um impasse para levar iluminação pública a trechos da nova via.
Segundo Abilio, serão removidos equipamentos da Avenida Dom Bosco, das proximidades do Shopping Estação, e de um terceiro ponto, na região central.
Em entrevista, uma das referências foi transcrita como “em frente ao Moitará” e outra como “ao lado da Praça Bisco”, sem identificação segura dos endereços.
Por isso, a localização exata dos três radares ainda precisa ser confirmada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, antes da retirada.
“Nós vamos retirar três radares aqui do centro. Já está terminando o contrato com a empresa e está em fase para tirar”, afirmou.
O prefeito disse que os equipamentos serão reinstalados no Contorno Leste por uma questão de segurança.
“Esses vão ser reenquadrados lá no Contorno Leste, porque está tendo muito acidente, o pessoal passa correndo muito rápido ali. Então, a gente precisa dar mais segurança na via”, declarou.
Abilio argumenta que os pontos de onde os equipamentos serão retirados já apresentam um trânsito mais organizado, o que permitiria concentrar a fiscalização eletrônica em uma região considerada mais crítica.
A Prefeitura ainda não informou, na entrevista, os locais exatos do Contorno Leste onde os radares serão instalados, o limite de velocidade que será adotado nem a data em que os equipamentos começarão a operar.
TRECHOS CONTINUAM NO ESCURO – A fiscalização eletrônica, porém, é apenas um dos problemas enfrentados no Contorno Leste.
Trechos da avenida permanecem sem iluminação pública e, segundo Abilio, a dificuldade está relacionada à presença de linhas de transmissão de energia da Eletronorte.
O prefeito afirmou que, quando a via foi implantada, a instalação da iluminação nos pontos próximos às torres de transmissão não teria sido previamente aprovada junto à empresa.
“A Prefeitura de Cuiabá, quando fez o Contorno Leste, aquela parte da obra, ela não aprovou a iluminação com a Eletronorte. Só para você ter ideia, fizeram a via e sequer aprovaram com a Eletronorte a instalação dos postes”, disse.
Segundo ele, existem normas específicas de segurança para a colocação de postes sob ou nas proximidades das linhas de transmissão, e a Eletronorte não estaria autorizando a instalação nas condições inicialmente previstas.
A Prefeitura buscou então o apoio da Energisa para tentar intermediar uma solução.
“Pedimos à Energisa para dar suporte para a gente, para poder mediar esse conflito com a Eletronorte, para achar uma alternativa, porque não pode deixar a via sem iluminação”, afirmou o prefeito.
A administração municipal não informou quantos quilômetros da avenida permanecem sem iluminação nem apresentou prazo para solução do problema.
LIXO AGRAVA PROBLEMA – Abilio também chamou atenção para outro problema ao longo do Contorno Leste: o descarte irregular de lixo.
Segundo ele, áreas de mata e pontos com menor movimentação têm sido utilizados para despejo de resíduos e até de animais mortos.
O prefeito afirmou que parte das ocorrências envolve pessoas que cobram pelo transporte de entulho e depois fazem o descarte irregular, apesar da existência de serviços municipais de coleta.
A combinação de escuridão, alta velocidade e descarte irregular de resíduos amplia o desafio de ocupação e segurança da nova via.
Além da transferência dos radares, Abilio afirmou que o município está promovendo mudanças na sinalização, nos semáforos e no ordenamento viário em diferentes regiões da cidade.
Citou ainda intervenções previstas nas rotatórias do Pedra 90 e da Avenida Monte Líbano.
No caso do Contorno Leste, entretanto, ainda faltam dados essenciais para dimensionar o problema.
A Prefeitura não apresentou durante a entrevista o número de acidentes e mortes registrados na avenida, a extensão atualmente sem iluminação e os pontos escolhidos para receber os três radares.
Essas informações deverão indicar se a transferência dos equipamentos será suficiente para reduzir os riscos em uma via que, embora aberta ao tráfego, ainda enfrenta problemas de infraestrutura e segurança.