A cuiabana Melissa de Arruda, 6 anos, recebeu na segunda-feira (31) o coração que pode representar uma nova chance de vida. A criança passou por um transplante no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), depois de esperar por um órgão compatível. No período, a família lançou campanha de conscientização sobre a doação de órgãos.
De acordo com a mãe, Angelita Emonge, a cirurgia foi realizada durante a tarde e transcorreu dentro do previsto. Melissa permanece internada e, agora, entra em uma etapa considerada fundamental do tratamento, com acompanhamento permanente da equipe especializada responsável pelo transplante.
A chegada do novo coração encerra um período de grande apreensão para a família. Antes da cirurgia, Melissa estava internada na UTI cardiopediátrica, intubada e dependia da Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO), sistema que substitui temporariamente parte das funções do coração e dos pulmões em pacientes em estado grave.
O problema cardíaco surgiu de forma repentina. Até poucos meses atrás, a menina mantinha uma rotina ativa e praticava jiu-jítsu e muay thai. Em maio deste ano, porém, foi diagnosticada com miocardite causada por uma infecção pelo parvovírus B19. A inflamação provocou comprometimento severo do funcionamento do coração.
Melissa recebeu os primeiros atendimentos em Cuiabá, mas a evolução do quadro exigiu sua transferência para Curitiba. Ela chegou à capital paranaense em 24 de julho para tratamento no Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional em atendimento pediátrico.
Com a piora do estado clínico, a criança precisou ser levada à UTI cardiopediátrica e posteriormente incluída na fila de transplantes com prioridade, iniciando uma corrida contra o tempo pela localização de um doador compatível.
Durante os dias de espera, os pais transformaram a situação enfrentada pela filha em uma campanha de conscientização. Familiares e amigos passaram a divulgar a importância da doação de órgãos e defender que as pessoas comuniquem aos parentes o desejo de se tornarem doadoras.
A história ganhou repercussão em Mato Grosso e provocou uma corrente de apoio à menina. Agora, com o transplante realizado, a família inicia uma nova fase: a recuperação e a adaptação de Melissa ao novo coração.
Prioridade na fila
A situação de Melissa já havia chamado atenção em agosto, quando a criança passou a ocupar posição prioritária na fila de transplantes diante da gravidade do quadro.
Na ocasião, o pai, Wesley Arruda, relatou a preocupação da família com o período em que a filha permanecia dependente da ECMO para manter suas funções vitais enquanto o órgão compatível não aparecia.
A mobilização também colocou em evidência uma mensagem defendida pelos pais desde o início da espera: a importância de conversar em família sobre a doação de órgãos, já que a autorização dos familiares pode ser decisiva para que outras pessoas tenham uma nova oportunidade de vida.