Candidatos estreiam na TV com disputa entre mudança e continuidade

A corrida pelo Governo de Mato Grosso ganhou um novo palco nesta sexta-feira (28), com a estreia do horário eleitoral gratuito na televisão. Natasha Slhessarenko (PSD), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL) usaram os primeiros programas principalmente para se apresentar ao eleitor, deixando propostas mais detalhadas em segundo plano.

Os três adotaram caminhos diferentes para estabelecer a mensagem inicial da campanha. Natasha buscou ocupar o espaço da mudança, Pivetta apresentou a continuidade da atual administração como argumento para permanecer no Palácio Paiaguás e Wellington recorreu à experiência acumulada durante décadas de vida pública.

Maurício Coelho (Mobiliza), Rafaell Milas (Missão) e Sargento Laudicério (Agir), que também concorrem ao Governo, não apareceram na propaganda televisiva. Os partidos dos três não atingiram os critérios de representatividade exigidos pela legislação para acesso ao horário gratuito no rádio e na TV.

NATASHA BUSCA ESPAÇO DA MUDANÇA

Médica pediatra, professora e empresária, Natasha concentrou sua estreia na trajetória profissional. O programa destacou mais de três décadas na medicina, a formação acadêmica, com mestrado e doutorado, e a experiência na iniciativa privada.

A candidata associou a entrada na política ao contato com pacientes e famílias que enfrentam dificuldades para acessar os serviços públicos. Ao mesmo tempo, procurou estabelecer contraponto com os grupos que administraram Mato Grosso nos últimos anos.

Natasha questionou a distância entre os indicadores econômicos do Estado e as condições de vida de parte da população e explorou também o fato de Mato Grosso nunca ter elegido uma mulher para o Governo. “Aos 58 anos, eu cansei de esperar. Eu posso cuidar das pessoas”, afirmou.

Saúde, educação, assistência social e geração de oportunidades apareceram como eixos do discurso, embora sem detalhamento de projetos no primeiro programa.

PIVETTA DEFENDE CONTINUIDADE

Pivetta adotou estratégia diferente. Atual governador e candidato à reeleição, começou pela própria história, recuperando a infância, a influência da mãe, Margarida Pivetta, e a mudança para Mato Grosso em 1982.

A passagem pela Prefeitura de Lucas do Rio Verde foi apresentada como origem de um modelo administrativo que, segundo o candidato, posteriormente chegou ao Governo do Estado. Pivetta também destacou o período em que foi vice-governador de Mauro Mendes e associou a parceria à reorganização das contas estaduais.

“Demoramos dois anos para organizar, arrumar, acertar as contas e começar esse ciclo de prosperidade que iniciamos e que acredito que o povo de Mato Grosso não quer perder”, declarou.

A presença de Mauro no programa reforçou a estratégia de continuidade. O ex-governador declarou apoio a Pivetta e o classificou como gestor “correto, honesto e competente”.

WELLINGTON EXPLORA EXPERIÊNCIA

Wellington escolheu a experiência política e o conhecimento do interior como principais credenciais. O senador lembrou as viagens realizadas durante a carreira e afirmou ter percorrido Mato Grosso de ponta a ponta.

“Gastei a sola do meu sapato percorrendo todo o Estado”, disse.

Ao mesmo tempo, procurou estabelecer uma diferença em relação ao discurso econômico associado à atual administração. “O nosso Estado não é só planilha e números. Mato Grosso é a nossa gente”, afirmou.

Wellington defendeu a manutenção da força do agronegócio, mas sustentou que a riqueza deve gerar mais empregos e benefícios à população por meio da industrialização e da tecnologia. Também prometeu uma administração baseada na parceria com prefeitos, vereadores, servidores e diferentes segmentos sociais.

Saúde, segurança, juventude, idosos e proteção às mulheres foram citados entre as prioridades.

“Nosso Estado é um celeiro do mundo, mas é preciso ter humanidade para distribuir essa riqueza para nós aqui”, declarou.

PRIMEIRAS NARRATIVAS

A estreia mostrou que os três candidatos com espaço na televisão tentam estabelecer posições distintas antes de aprofundar a apresentação dos programas de governo.

Natasha procura representar a mudança, apresentando-se como alternativa aos grupos políticos que governaram o Estado. Pivetta reivindica a continuidade, apoiado nos resultados da gestão da qual participou ao lado de Mauro Mendes. Wellington tenta ocupar o campo da experiência, mas combinando-o com a promessa de fazer a riqueza produzida pelo Estado chegar de maneira mais direta à população.

Com o início da propaganda eleitoral, a disputa pela televisão passa também a ser uma batalha para definir qual dessas três narrativas — mudança, continuidade ou experiência — terá maior capacidade de convencer o eleitor até outubro.

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