Os militares atuam de forma ininterrupta para conter o avanço das chamas, impedir a propagação do fogo e extinguir os focos ativos
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) extinguiu um incêndio florestal nas últimas 24 horas e combate, nesta terça-feira (11.8), seis ocorrências de incêndios florestais nos municípios de Rondonópolis, Nova Santa Helena, Paranatinga, Rosário Oeste e Nobres. As ações envolvem estratégias específicas para cada área, com apoio de outras forças, brigadistas e produtores rurais.
O incêndio extinto estava localizado em Rondonópolis, nas proximidades da MT-471. Ainda no município, o Corpo de Bombeiros controlou o incêndio que atingiu uma área federal, do 18º Grupo de Artilharia de Campanha (18º GAC), do Exército Brasileiro. As chamas começaram na tarde de domingo (9.8) e mobilizaram uma força-tarefa formada por bombeiros, brigadistas e militares do Exército. Durante o combate, foram utilizados uma motoniveladora, uma pá-carregadeira e cinco caminhões-pipa do Exército, além da estrutura operacional do CBMMT.
As equipes adotaram técnicas de combate direto e indireto, com abertura de aceiros e realização de contrafogo durante a noite. Essas estratégias permitiram direcionar as chamas em direção ao rio, onde o fogo perdeu força e foi controlado. Mesmo com o incêndio controlado, ainda há pontos de fumaça no local. Por isso, os bombeiros permanecem monitorando a área e realizar o rescaldo, evitando a reignição dos focos de calor.
Um vídeo registrado na região mostra o momento em que um homem ateia fogo na vegetação. As imagens indicam que a ação teria dado início ao incêndio florestal, que se espalhou rapidamente pela área. As forças de segurança realizam buscas para localizar o suspeito.
Em Nova Santa Helena, as equipes também permanecem mobilizadas no combate a um incêndio que atinge uma área de assentamento federal, sob responsabilidade da União. Diante da situação, o Corpo de Bombeiros solicitou ao Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman) o apoio de profissionais para reforçar as ações de combate.
A operação já dura sete dias e conta com militares atuando de forma ininterrupta para impedir que as chamas avancem para áreas estaduais, além de controlar e extinguir os focos ativos. O trabalho é reforçado por brigadistas, equipes da Força Nacional e produtores rurais da região, que disponibilizaram máquinas para auxiliar no trabalho. Além disso, uma aeronave também é empregada na operação e contabiliza 15 horas de voo e aproximadamente 52,2 mil litros de água já lançados sobre as áreas atingidas pelo incêndio.
As ações contam ainda com o apoio de equipes de fiscalização, após o registro de prisões em flagrante por crimes ambientais na região. Ao todo, quatro pessoas foram presas em flagrante durante as ações.
Já em Paranatinga, as equipes estão concentradas na ocorrência registrada no distrito de Santiago do Norte. Em Rosário Oeste, os trabalhos seguem nas proximidades da cabeceira do Rio Cuiabá e em uma área de fazenda, onde os militares também permanecem em atuação. O local fica próximo a outra ocorrência de incêndio registrada no município de Nobres, também em combate.
Em todas as ocorrências, as ações são conduzidas de forma estratégica, com foco no combate direto às chamas, no monitoramento das áreas atingidas e na proteção de vidas, propriedades rurais e do meio ambiente.
As ações contam com o apoio do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil Estadual, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar, que atuam de forma integrada, sempre que necessário, reforçando a estrutura empregada no enfrentamento aos incêndios florestais em todo o Estado.
Focos de calor
Em Mato Grosso, foram registrados 63 focos de calor nas últimas 24 horas, conforme a última checagem realizada às 17h no Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados são do Satélite de Referência (Aqua Tarde).
Desse total, 24 focos de calor foram identificados em terras indígenas, sendo 13 focos na Terra Indígena Areões, em Nova Nazaré; três focos na Terra Indígena Marechal Rondon, em Paranatinga; três focos na Terra Indígena São Marcos, em Barra do Garças; dois focos na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis; um foco na Terra Indígena Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista; um foco na Terra Indígena Pimentel Barbosa, em Canarana; e um foco na Terra Indígena Tapirapé/Karajá, em Santa Terezinha.
É importante destacar que um foco de calor, isoladamente, não caracteriza um incêndio florestal. O foco de calor é um indicativo de uma área com temperatura elevada, detectada por satélites, que pode ou não estar associada à ocorrência de fogo.
Já um incêndio florestal, em geral, é identificado pelo conjunto de diversos focos de calor concentrados em uma mesma área. No caso das terras indígenas, o combate aos incêndios deve ser realizado por órgãos do Governo Federal, uma vez que o Estado não possui autorização para atuar.
Fiscalização – Operação Infravermelho
O Corpo de Bombeiros Militar também realiza o monitoramento do uso irregular do fogo no município de União do Sul, no âmbito da Operação Infravermelho. Esse monitoramento é realizado a partir da Sala de Situação Central, instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá.
Com o apoio de imagens de satélite e outras tecnologias, a operação tem como objetivo identificar, de forma antecipada, áreas com risco de incêndio florestal ou onde o fogo já tenha sido iniciado de maneira ilegal, atuando tanto na prevenção quanto na responsabilização dos infratores.
Incêndios extintos
Desde o início do período proibitivo do uso do fogo em Mato Grosso, o Corpo de Bombeiros Militar já atuou na extinção dos incêndios nos municípios de Boa Esperança do Norte, Canarana, Dom Aquino, Chapada dos Guimarães, Colniza, Guarantã do Norte, Guiratinga, Nova Maringá, Paranatinga, Ribeirão Cascalheira, Rosário Oeste, São Felix do Araguaia e União do Sul.
Proibição do uso do fogo
O CBMMT reforça o alerta à população sobre a proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.
O uso irregular do fogo pode configurar crime ambiental e está sujeito às penalidades previstas em lei. Além de ser proibida, a prática representa riscos à segurança pública, à saúde da população e ao meio ambiente. Casos de uso irregular do fogo, inclusive em áreas urbanas, devem ser denunciados pelos números 193 (Corpo de Bombeiros Militar) ou 190 (Polícia Militar).