Líder do bando, de 34 anos, está foragida. Filha e genro ostentavam luxo nas redes sociais
A Polícia Civil de Mato Grosso fechou, nesta quinta-feira (5), três empresas da família que era ligada à facção criminosa Comando Vermelho, na cidade de Alta Floresta (803 km ao Norte de Cuiabá).
O grupo foi alvo da Operação Showdown, deflagrada pela manhã. A Polícia investiga a lavagem de mais de R$ 20 milhões.
O alvo principal da ação policial, Angélica Saraiva de Sá, 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, está foragida.
Ela é considerada integrante da facção criminosa no Estado, participando da cúpula.
Duas lojas fechadas são unidades da loja Kauany Shoes Boutique. A outra é o estúdio Essenza Beauty, que oferece serviços de sobrancelha, cílios, unhas e cabelo.
Os empreendimentos ficam localizados em Alta Floresta, e eram utilizados pela família criminosa para dar aparência lícita aos recursos obtidos nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas.
Kauany Beatriz, filha da foragida Angélica Saraiva de Sá, está entre os alvos da operação.
Nas redes sociais, ela e o marido, Guilherme Luareth – também alvo da operação – ostentavam uma vida de luxo que, segundo a polícia, seria proveniente de dinheiro de tráfico, além de jogos de azar.
Nas redes sociais, o casal compartilha viagens por regiões marítimas e até internacionais, para destinos turísticos como Dubai, Roma e Suíça.
Ela se apresenta no perfil, com mais de 40 mil seguidores, como CEO de um estúdio de beleza e de uma boutique, ambos em Alta Floresta.
Mas, as investigações policiais apontam que ela e o marido, além do terceiro envolvido, identificado como Paulo Felizardo (pai de Angeliquinha), fazem parte de um grupo familiar ligado ao Comando Vermelho
Os três são apontados como operadores financeiros do grupo criminoso, atuando na lavagem de dinheiro adquirido pelo tráfico de drogas.
O grupo é investigado, ainda, por movimentar valores incompatíveis com a renda declarada e por administrar empresas usadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico.
As ordens judiciais foram decretadas com base em investigações conduzidas em inquérito policial conjunto da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e da Delegacia de Alta Floresta
Foram 31 mandados, sendo quatro de prisão, sete de busca e apreensão, seis de sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoa jurídica, expedidos pela 5ª Vara Criminal de Sinop, nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes (1.029 km ao Norte de Cuiabá).
Com base nas apurações da Polícia Civil, o grupo familiar teria movimentado mais de R$ 20 milhões no período de um ano e sete meses.
Para lavar o dinheiro, os investigados usavam diversos mecanismos, como empresas de fachada nos ramos de calçado, beleza e roupas multimarcas, além de plataformas digitais e jogos de azar on-line.
O esquema também envolveria exploração de garimpo ilegal na região de Alta Floresta.
Sob o comando direto da filha, o pai líder da facção faria a gerência do garimpo e de um bar – que também funcionada como casa de prostituição – próximo de Nova Bandeirantes.
No local, os envolvidos ainda praticavam extorsões a garimpeiros e tráfico de drogas.
O ouro, obtido na região, poderia ser utilizado como forma de ocultar e repor recursos ilegais no mercado formal, dificultando o rastreamento financeiro por parte da polícia.
PROCURA-SE – Em 2025, Angélica Sá, coniderada líder da “família do crime”, foi condenada a quase 100 anos de prisão por assassinato, ocultação de cadáver e por integrar a facção criminosa.
Angeliquinha cumpria pena na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, de onde fugiu acompanhada de outra presidiária, na madrugada do dia 17 de agosto de 2025.
Desde então, está foragida e é considerada de alta periculosidade.
Ela é acusada de mandar executar membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), principal rival do CV, em 2022.