Ex-assessor e filho de Geller são pivôs de suspeitas sobre leilão

Três das quatro empresas vencedoras não tinham experiência no setor ou capacidade de realizar a entrega

Pivô das suspeitas sobre o leilão de arroz do Governo Federal, Robson Luiz Almeida de França diz que o fato de ter sido assessor parlamentar de Neri Geller, demitido nesta terça-feira (11) do cargo de secretário de Política Agrícola, não pode ser usado como indício de irregularidade no processo.

Eles trabalharam juntos até 2020, quando Geller era deputado federal.

 

A empresa Foco Corretora de Grãos, uma das responsáveis pelo leilão de 263,7 mil toneladas de arroz importados, feito pelo Governo Lula, pertence a Robson Almeida de França e Marcello Piccini Geller.

Respectivamente, eles são ex-assessor e filho de Neri Geller.

A Foco foi responsável por 11 lotes vencedores (ou 44% do total) do leilão, representando quatro empresas, que receberiam R$ 580 milhões.

A comissão poderia chegar a R$ 5,8 milhões.

Geller, braço direito do ministro Carlos Fávaro, também foi o responsável pela indicação de Thiago dos Santos, diretor da Conab, órgão responsável pela realização do leilão.

As suspeitas em relação ao leilão surgiram após a divulgação do resultado, em que ficou constatada que três das quatro empresas vencedoras não tinham experiência no setor ou capacidade de realizar a entrega.

Uma das vencedoras vende queijos em Macapá (AP), outra fabrica sucos em São Paulo e uma terceira é locadora de veículos em Brasília.

BOLSA DE MERCADORIAS – “Eu saí da assessoria, fui tocar a minha vida, mexer com outros projetos, outras frentes. Tenho que parar a minha vida porque trabalhei no ano de 2020 com um parlamentar?”, disse ao Painel.

No ano passado, França criou a Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e a Foco Corretora de Grãos, que intermediaram a venda de quase metade do arroz importado que foi vendido no leilão da Conab.

“Não tem impedimento por eu ter trabalhado com o parlamentar e não poder ser presidente da Bolsa, isso já faz quatro anos. A Bolsa foi constituída com todos os meios legais. Tenho toda a documentação necessária para operar junto à Conab”, declarou.

Ele confirma que, além da Bolsa e da Foco, tem outra empresa em sociedade com um filho de Geller, mas diz que ela só existe no papel e nunca operou de verdade.

“A empresa está constituída, aberta, mas nunca teve faturamento, nunca foi aberta conta bancária, nunca foi emitida nota fiscal. Era um projeto que nós tínhamos e não deu certo”, afirmou.

Ele não deu detalhes da área de atuação da empresa, disse apenas que era para atuar no setor privado.

França também atuou como advogado na campanha de Geller ao Senado de Mato Grosso em 2022, pela qual recebeu R$ 150 mil.

“Eu tenho um escritório de advocacia, não prestei serviço na área eleitoral somente para ele, assim como ele também contratou outro escritório”, declarou.

Apesar dessas relações todas, diz que não é amigo dele, nem do filho.

“Temos relação política e profissional, não somos amigos”.

Ele afirmou ainda que não há uma decisão sobre acionar a Justiça contra o cancelamento do leilão, dizendo que isso vai depender das empresas que foram prejudicadas.

“As empresas estavam correndo atrás das garantias, estavam com prazo aberto para apresentar”, afirma.

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