Há quatro meses a fisioterapeuta D.R.V. aguarda respostas para um crime que causou grande desfalque em seu patrimônio e a abalou emocionalmente.
Em julho deste ano, dois assaltantes adolescentes, uma garota e um garoto, arrombaram a porta de seu apartamento, reviraram os cômodos da casa e levaram mais de R$ 500 mil em mais de uma centenas de ítens, como joias feitas em ouro, brilhantes, pérolas e cristais (veja a relação abaixo).
Também foram furtadas bolsas, óculos, perfume, champanhe e canetas, entre outros, todos de marca.
O crime aconteceu no Edifício Premiato, localizado em uma região nobre de Cuiabá, no Bairro Duque de Caxias. A fisioterapeuta tem o imóvel há cinco anos, desde que o condomínio foi inaugurado.
Apesar das câmeras de vigilância em saguões e elevadores, os assaltantes entraram e saíram com facilidade do local, e pela porta da frente.
Até hoje, só de falar eu me desfaleço, tenho sudorese, começo a suar frio. Foi um forte trauma emocional
Imagens fornecidas pela vítima mostram os assaltantes já dentro do prédio, depois de terem a entrada liberada na portaria.
Na saída, com as malas da vítima carregadas de jóias e objetos, a dupla aparece com roupas diferentes. A menina usava uma camiseta da Mulher Maravilha, pertencente a D.R.V., e o rapaz com outra peça, que seria do filho dela.
Reprodução
Menina apontada como assaltante de apartamento em Cuiabá
“Levaram toda minha história de vida”
“Mais do que o dinheiro, foi o dano que me causou. Tive crises emocionais, tomei por um tempo medicamento controlado. Não consigo dormir”, desabafou ela.
A fisioterapeuta relatou também que, depois da invasão, tem tido sensação de perseguição. Basta uma motocicleta parar ao lado do seu carro que o primeiro impulso é sair corrrendo.
“Até hoje, só de falar eu me desfaleço, tenho sudorese, começo a suar frio. Foi um forte trauma emocional”, acrescentou.
A lista de bens furtados é extensa. Conforme o relato da vítima e do boletim de ocorrência, vai de anéis de pedras preciosas e coroa de cristais a óculos e bolsas de grife, como Prada e Montblanc.
Os bens foram adquiridos ao longo de uma vida, comprados em viagens e colecionados ou recebidos como presente dos seus entes mais queridos. “Levaram toda minha história de vida e a dos meus filhos”, lamentou
“Se eu me calar, vou estar colaborando, vou permitir que isso aconteça de novo”, explicou.
Caixas de jóias e objeto vazias, após assalto cometido por adolescentes
O dia do crime
Mais do que o dinheiro, foi o dano que me causou. Tive crises emocionais, tomei por um tempo medicamento controlado. Não consigo dormir
A invasão e o furto aconteceram no dia 8 de julho, enquanto D.R.V. estava fora de casa. Ela saiu por volta de 12h10 e a dupla entrou na sua casa, pouquíssimo tempo depois, por volta das 12h20.
O prédio tem dois elevadores que dão acesso aos apartamentos. “O elevador social é privativo, só eu, minha irmã e meus filhos temos a senha ou a digital para subir”, contou.
A irmã de D.R.V. que estava passando alguns dias com ela, e uma amiga da família, chegaram mais cedo e se depararam com a porta do elevador social fechada.
Acreditando que o vento teria fechado a porta, elas desceram e aguardaram na piscina do prédio. Possivelmente a porta foi fechada pelos ladrões.
Um tempo depois, elas resolveram conferir se a outra porta estava aberta e subiram novamente. Logo de cara a irmã de D.R.V. se deparou com a cena: porta arrombada, casa revirada e geladeira aberta apitando.
“Ela desceu desesperada e foi avisar o zelador. Subiram e viram que estava tudo mexido. Depois chegou a Polícia”.
Nas imagens é possível ver parte do estrago feito pela dupla. Foram caixas e caixas de jóias e outros bens esvaziados, além de uma pilha de bagunça deixada para trás.
No vídeo registrado pelas câmeras de segurança, é possível ver a jovem comendo uma banana retirada do apartamento de D.R.V.
“Descaso” do condomínio
Um dos pontos que mais indignaram a fisioterapeuta foi a postura adotada por parte da administração do condomínio. Segundo ela, a situação foi tratada com descaso. Por conta disso, decidiu que vai acionar judicialmente a administração.
A moradora foi informada, por meio do síndico, que a porteira não se recordava do que havia conversado com a jovem antes de liberar a sua entrada, tendo-a confundido com uma moradora.
A funcionária foi mantida no cargo por mais de três meses após o ocorrido, sem nenhuma penalidade aparente.
A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Cuiabá investiga o caso, que tem se repetido em outros estados.
A equipe identificou que um carro auxiliou a dupla durante o furto, e no dia do assalto passou em frente ao prédio por aproximadamente cinco vezes.
Adolescentes saindo do prédio com uma mala da vítima, cheia de joias e objetos
O outro lado
Procurada pela reportagem, a administração do prédio alegou não ter um posicionamento sobre o caso. “A gente está esperando a conclusão das investigações para tomar um posicionamento”, disse o síndico, que se identificou como José Luiz.
Ele informou que todas as informações necessárias à apuração do caso foram repassadas à Polícia.
Veja um dos vídeos: