Após pedido de desculpas, vereadoras saem em defesa de Juca do Guaraná Filho

Após pedido de desculpas, feito pelo presidente da Câmara de Cuiabá, Juca do Guaraná Filho (MDB), à vereadora Michelly Alencar (DEM), durante sessão, nesta terça-feira (9), as vereadoras Edna Sampaio (PT) e Maria avallone (PSDB), saíram em defesa do presidente.

Juca do Guaraná Filho abriu a sessão pedindo desculpas a colega e afirmou que não tem como sentir o sofrimento que as mulheres sentem, mas que como negro, consegue imaginar, já que sofreu com o racismo durante a sua vida.

“Antes de tudo, eu quero começar a minha fala pedindo desculpas a vereadora Michelly. Não só a ela, mas a todas as mulheres dessa casa e a todas as cuiabanas, pelo que eu disse na ultima sessão”, pontuou

Para a petista, Edna Sampaio, a ação da colega Michelly não passou de um feminismo seletivo, ou seja, um movimento que seleciona quais mulheres defendem e quais ignoram.

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“Parabéns presidente pela humildade em se retratar aqui. Eu fui vítima de machismo nesta Casa várias vezes. Fui vítima aqui de violência de gênero. Quando me impediram de assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos, ali foi machismo. Quando me mandaram tomar ‘gardenal’, ali foi machismo. Quando há alguns dias atrás um vereador [Dilémario Alencar] me comparou de forma pejorativa a uma artista [KarolcomK], ali foi violência de gênero, foi machismo. Quando tudo isso ocorreu não ouve ninguém nessa Casa que se levantou pra me defender. Por isso eu quero dizer aqui o meu feminismo jamais será seletivo. Jamais vou ser a favor de um feminismo seletivo, como ocorreu aqui. Jamais vou selecionar as mulheres que irei defender”, discursou Edna.

Já a vereadora Avalone, usou sua fala para destacar a humildade do presidente.

“Eu quero parabenizar o presidente Juca pela coragem em reconhecer o erro e pedir desculpas. Todos nós podemos errar, mas temos que rever, reconhecer e mudar. Juca mostrou que é humilde”, destacou a vereadora.

Veja o discurso de Juca do Guaraná

“Antes de tudo, eu quero começar a minha fala pedindo desculpas a vereadora Michele. Não só a ela, mas a todas as mulheres dessa casa e a todas as cuiabanas, pelo que eu disse na ultima sessão. Não estou aqui para me explicar ou me justificar, apenas para reiterar meu pedido de desculpa, que logo após o ocorrido de quinta-feira, fiz diante de toda a imprensa.

Durante todo final de semana estive refletindo o quanto que o machismo estrutural faz parte da nossa sociedade e por muitas vezes não percebemos.

Eu não tenho como sentir o que uma mulher sofre, mas consigo ter um fragmento desse sentimento porque, como negro e periférico, vindo de uma família pobre, sofri muito racismo, até mesmo dentro deste plenário. Entendo como é ser diminuído, destratado, inferiorizado apenas pela cor da pele. Entendo como é participar de uma discussão e ser obrigado a escutar palavras racistas que me feriam, mas que eu não tinha forças ou argumentos para rebater e debater. Hoje eu entendo.

Mas também vejo que a força, o empoderamento que o movimento feminista, assim com os movimento LGBTQIA+ e o movimento negro estão trazendo, é algo que não tem mais volta, e eu sou prova disso.

Então, vereadora Michele, vereadora Edna Sampaio e vereadora Maria Avalone, parlamentares que exercem um exlente trabalho de legislar, peço-lhes mais uma vez desculpas. Como pai, filho, irmão, amigo. Temos nossas divergências políticas, mas isso não justifica qualquer ação e palavra machista da minha parte, ou da parte de qualquer pessoa dentro ou fora daqui.

Neste momento quero reforçar com todas as mulheres deste parlamento e da minha cidade: me esforçarei dia e noite para evoluir cada vez mais, me colocando no lugar do outro e da outra e participando ativamente dessa luta que é minha, sua e de toda a sociedade.

Para mim, isso tudo está sendo uma grande lição e, eu espero, do fundo do meu coração, que possamos aprender, crescer e a melhorar, juntos.”

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