Com doses extras, todos cuiabanos são vacinados em 1 mês;

Num momento em que enfrenta a mais grave crise sanitária de sua história por conta do coronavírus, Cuiabá será uma das subsedes da Copa América, torneio que irá reunir as principais seleções de futebol da América do Sul e que, para especialistas, pode ampliar o placar da pandemia sobre a população.

Como forma de compensação, a Prefeitura Municipal solicitou ao Ministério da Saúde (MS) doses extras de vacinas contra a Covid-19 para imunização em massa da população. O envido das unidades suplementares já foi confirmado pelo órgão federal de saúde, que ainda iria certificar a quantidade a mais a ser repassada à Capital.

Em reunião no início desta semana com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o prefeito Emanuel Pinheiro solicitou 670 mil doses para aplicação da primeira e segunda doses. Isso caso sejam enviados os imunizantes que vêm sendo usados até o momento no país e que precisam de duas doses para completar o esquema vacinal, sendo eles, a Coronavac, Astrazeneca e Pfizer.

Caso seja a vacina da Janssen, da multinacional Johnson & Johnson e cujo primeiro lote estava previsto para chegar ainda ontem (10) ao Brasil, essa necessidade cai para menos da metade uma vez que este antígeno requer a aplicação de apenas uma dose e a eficácia é de 85%.

Neste caso, são necessárias 290 mil unidades para alcançar toda a população cuiabana adulta. “Essas 290 mil doses representam um bairro de São Paulo, um bairro do Rio de Janeiro e, com essa quantidade, imunizamos toda a população cuiabana”, comentou Pinheiro em entrevista à Rádio Jovem Pan.

Sendo enviada a Janssen, o prefeito acredita ainda que, entre três a quatro semanas, é possível imunizar 100% dos residentes na Capital. “Recebendo todas as vacinas, eu preparo uma operação de guerra, uma força-tarefa, até eu vou para campo. E, com essa equipe preparada e comprometida que temos na saúde, nós conseguimos em torno de três a quatro semanas, imunizar toda a população cuiabana”, afiançou.

Caso contrário, mantendo-se o ritmo atual de entrega dos imunizantes por parte do Governo Federal, a estimativa é de que a vacinação em massa dos cuiabanos pode ultrapassar os 12 meses. “No ritmo atual, como a gente depende exclusivamente dos repasses da vacina do Ministério da Saúde e a gente não tem um cronograma, um calendário fixo, a gente está esperando a vacina e ela não chega ou a gente não está esperando e ela chega, as vezes a gente espera cinco mil doses e vem 15 mil, as vezes espera 15 mil e vem 6, 7 mil”, disse.

Pinheiro prossegue reconhecendo que essa entrega a conta-gotas dificulta o planejamento do município. “Como já tem 120 dias de vacinação da população, nessa projeção que já alcançamos e se continuar nesse ritmo, é coisa de um ano, um ano e meio (para imunizar todos os cuiabanos)”, disse. Até o momento, pouco mais de 226 mil doses entre primeira (163.980) e segunda (62.424) já foram aplicadas na cidade.

As primeiras unidades da Janssen estavam previstas para chegar ontem ao Brasil. Contudo, o lote com 3 milhões de vacinas tem prazo de validade até o dia 27 de junho, ou seja, daqui a menos de três semanas. A informação foi confirmada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em depoimento à CPI da Covid no Senado, na última terça-feira (8).

Por isso e para acelerar a entrega, as vacinas da Janssen devem ser enviadas apenas para as capitais. O MS também afirma que vai fazer “mutirões de vacinação” e “ampla campanha” para incentivar as pessoas a irem aos postos de saúde.

Assim, a meta do governo é esgotar todas as doses em até cinco dias. A pasta tem um contrato com a empresa Johnson & Johnson com entrega prevista de 38 milhões de imunizantes ao Brasil entre outubro e dezembro deste ano.

Vale reforçar ainda que o temor de especialistas em infectologia e epidemiologia é de que com a Copa América o coronavírus aproveite a circulação de comitivas estrangeiras, pessoal de apoio e, eventualmente, torcedores em meio aos jogos para ampliar os riscos de contaminação da população.

Em Mato Grosso, já foram contabilizados 422.148 casos da doença e 11.303 óbitos. Na Capital, são 88.423 infectados e 2.935 residentes perderam a luta contra o vírus. Já conforme a tabela divulgada pela Conmebol, entidade responsável pela organização do torneio, Cuiabá será sede de cinco jogos. As partidas entre as seleções da Argentina, Colômbia, Equador, Chile, Bolívia e Uruguai, ocorrerão na Arena Pantanal.

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