Moradores de VG estão abandonados e recorrem até a ‘cartão fidelidade’ por água

Moradores de Várzea Grande relatam ficar mais de uma semana sem abastecimento de água durante na nova crise do setor enfrentada na cidade. Relatos dão conta da necessidade de contratação constante de caminhões-pipa, inclusive por meio de ‘cartão fidelidade’, para obter o líquido, situação que não se restringe apenas aos bairros mais distantes e atinge também a região central da cidade há dias.

 

No Cohab Canelas, Neusa Malacarne, 55, relatou, nesta terça-feira (25), que já estava há 8 dias sem água. Há dois meses, ela abriu um negócio no bairro e já se arrepende de ter investido tudo que tinha na região. “Se eu soubesse que era assim, eu não teria colocado meus sonhos aqui”, lamenta. Nas últimas semanas, ela já perdeu as contas de quanto já foi gasto com caminhão-pipa. Pelo último, que foi comprado ontem, a comerciante pagou R$ 60 por 1.500 litros d’água.

 

De acordo com a comerciante, esse volume atende o estabelecimento por dois dias, isso se a água for usada apenas para o básico. O sonho dela, assim como da maioria, é de que mesmo que de forma intermitente, o abastecimento fosse “regular”. “Se viesse duas, três vezes na semana, mas viesse e em uma quantidade que dá para encher os reservatórios, já estaria muito feliz”.

 

O problema no abastecimento em Várzea Grande é tão crônico que algumas empresas que trabalham com o abastecimento de água na região oferecem até ‘cartão fidelidade’ aos clientes. O preço médio pago pelos moradores por cada mil litros varia de R$ 40 a R$ 120. Euzébio Lima, 50, trabalha com o serviço e conta que a realidade do município tem piorado nos últimos anos. “A demanda tem crescido, assim como também aumentado quem oferece o serviço”. Para tentar manter os clientes, ele conta que a empresa teve a ideia do cartão e a cada 10 carimbos, a pessoa ganha o abastecimento de mil litros. “Aí, paga apenas a taxa para entregar”. Ele conta que em menos de dois meses, muita gente já consegue completar o cartão.

 

Dono de uma das empresas, que preferiu não se identificar, conta que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) oferece o abastecimento com caminhão-pipa, porém a demanda é muito grande, o que acaba ocasionando uma fila de espera dos consumidores. Assim, muitos moradores preferem tirar do próprio bolso para conseguir seguir com sua rotina.

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