NOTICIA DO MAL !!! POSSIVÉL 3 0NDA DE COVID EM MT

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e epidemiologista, Diego Xavier, afirmou durante entrevista ao Jornal do Meio-dia (TV Vila Real) desta quarta-feira (12), que será necessária à adoção de medidas mais rigorosas para evitar uma terceira onda de Covid-19, em Mato Grosso. De acordo com pesquisas, Mato Grosso foi um dos estados que mais demorou a adotar medidas de prevenção contra Covid-19.

Em relação a isso, o pesquisador ressalta que houve uma postura ‘negacionista’ por parte dos gestores. “O Estado adotou um posicionamento negacionista no início da pandemia. Acreditava-se que a doença não chegaria principalmente em função das condições climáticas da região. Então, quando a doença chegou, o Estado não havia se preparado e posteriormente tentou encontrar soluções fáceis para o problema”, afirma.

Segundo Diego, uma das posturas ineficazes adotadas pelo Governo foi a distribuição do Kit-Covid para os 141 municípios. “A gente desde o início tem apontado a ineficácia desse tipo de prevenção. O reflexo disso é que quando a gente olha os números do estado de Mato Grosso em comparação com Mato grosso do Sul, que é seu vizinho, a gente vê a grande diferença em números de óbitos que poderiam ter sido evitados”, disse o pesquisador.

Ele ainda ressalta que para evitar uma terceira onda, além a vacinação, seria necessária à adoção de medidas mais rigorosas. “Claro que a vacina é uma das principais alternativas que a gente tem, mas só a vacina não vai resolver o nosso problema. Se a gente for olhar para alguns países que conseguiram controlar essa pandemia, a maioria deles adotou o posicionamento de alinhar com a ciência. Então países da Ásia, Nova Zelândia, o próprio Vietnã que não é um país com grande estrutura econômica conseguiu evitar o colapso de seu sistema de saúde seguindo as recomendações dadas desde o início desse processo pandêmico”, comenta.

Além disso, o pesquisador critica as medidas de flexibilização de setores que não são considerados essenciais e diz que a população está deixando de aderir às medidas de prevenção. “Hoje, a gente vê no Estado uma diminuição de número de casos e de óbitos, mas a gente ainda está em um nível extremante alto e parece que isso vai se naturalizando. As pessoas vão saindo de casa sem tomar cuidado, ocorre a flexibilização de setores comerciais que não são essenciais, como por exemplo bares com música ao vivo. Ai a população vai abandonando essas medidas prioritárias que a gente tem trazido, o uso de máscara principalmente e evitar situações de riscos como lugares com aglomeração”, explica Diego.

Ele explica que para adotar medidas de flexibilização seria necessário que houvesse mais testagens. “Quando a gente olha para outros países, todos os países que fazem o processo de relaxamento seguro aumentam a testagem e a busca de contatos. O sistema de saúde precisa ser mais proativo, a gente não tem que ficar esperando a pessoa doente procurar o teste. Temos que identificar esse teste, identificar quem são essas pessoas que tiveram contato com esse caso positivo, testa-las e ir isolando à medida que esses casos vão sendo apresentados, senão a gente não interrompe essa cadeia de transmissão”, disse.

Em relação à vacinação, o pesquisador conta que a previsão é que até o final do ano a população prioritária esteja vacinada. Mas, que a preocupação tem se estendido também aos mais jovens. “O problema é que gente tem visto o rejuvenescimento da doença, que está atingindo a população mais jovem. Então se a gente tivesse esse cronograma de vacinação adequadamente cumprido, a gente consegue chegar até o final do ano com uma situação confortável em relação à vacinação. O problema é que ainda dependemos de insumos enviados por outros países, principalmente a China”, pontua.

Ele comenta que não se pode politizar a pandemia. “Fazer qualquer tipo de crítica sem fundamentação nenhuma, só traz manifestação para a base de apoio eleitoral. Isso não ajuda em nada no processo que a gente tem que atravessar. A gente precisa da ajuda de outros países e se o Brasil continuar adotando esse posicionamento de tentar culpar o outro país, do qual a gente depende de insumos. Infelizmente a gente pode sofrer um tipo de represália desses países. Lembrando que, países vizinhos da China também estão sofrendo”, pondera.

Por fim, Diego ressalta que ainda não existe qualquer método de tratamento precoce contra a doença afirma que mesmo aqueles que estejam vacinados ainda podem transmitir o vírus e devem manter os mesmos cuidados.  “Os estudos com o mínimo de rigor científico que já foram feitos, não apontam nenhuma evidência de solução para tratamento precoce para Covid. Isso é um equívoco que explica a situação principalmente de Mato Grosso, do volume alto de óbitos que estão acontecendo. Com relação a tratamentos graves, a ciência avançou, desde conduta terapêutica de alguns medicamentos que levam a tratar esses sintomas inflamatórios e trombóticos que a doença apresenta, até o momento que se deve fazer intubação ou não. O tratamento a nível hospitalar tem avançado bastante, mas não existe um remédio que irá fazer com que a pessoa não pegue a Covid ainda”, explica.

Ele defende vacinação em massa. “É importante que se diga que a pessoa que está se vacinando está evitando que o caso ela fique grave, que ela vá parar num hospital e eventualmente morra. É para isso que serve essas vacinas de primeira geração. Não impedem ainda que a pessoa transmita a doença. Então, quem está se vacinando deve manter os mesmos cuidados, continuar utilizando máscara e evitar situações de riscos como aglomeração, porque a pessoa vacinada pode sim transmitir a doença para outras pessoas e continuar essa cadeia de transmissão”, conclui o epidemiologista.

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