Segundo a Folha de S.Paulo, senador eleito de Mato Grosso aparece nas articulações do agronegócio para ocupar as pastas da Agricultura ou de Minas e Energia em eventual governo do PL; indicação permitiria ao primeiro suplente assumir mandato em Brasília
O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) entrou na lista de possíveis ministros de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), caso o candidato vença o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O ex-governador de Mato Grosso é citado para comandar os ministérios da Agricultura e Pecuária ou de Minas e Energia, duas das áreas disputadas por representantes do agronegócio.
A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo em reportagem da jornalista Alexa Salomão, divulgada nesta sexta-feira (16). Segundo o jornal, lideranças políticas e econômicas ligadas ao setor produtivo já articulam indicações para a composição de um possível governo de Flávio, embora o candidato ainda não tenha anunciado os nomes de sua equipe ministerial.
No caso de Mato Grosso, a movimentação tem uma consequência política direta: a eventual nomeação de Mauro Mendes para um ministério abriria espaço para o primeiro suplente, Cidinho Santos (PP), assumir uma cadeira no Senado Federal.
Cidinho, que já exerceu mandato de senador, mantém proximidade com a família Bolsonaro e participou das articulações que garantiram apoio à candidatura de Flávio em Mato Grosso. Sua chegada ao Senado ampliaria a presença de aliados do candidato do PL na próxima legislatura.
Eleito em 4 de outubro, Mauro Mendes conquistou uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado, ao lado de José Medeiros (PL). Caso seja convidado para integrar o Executivo federal e aceite o cargo, poderá se licenciar do mandato parlamentar, permitindo a posse de Cidinho enquanto permanecer no ministério.
AGRICULTURA E ENERGIA — De acordo com a Folha, o agronegócio pretende ampliar sua influência na estrutura do governo federal e não limitar sua participação ao Ministério da Agricultura e Pecuária.
Representantes do setor também buscam espaço nos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia, sob o argumento de que as decisões dessas pastas têm impacto direto sobre a produção agropecuária, o licenciamento ambiental, os combustíveis e a infraestrutura energética.
Mauro Mendes aparece como alternativa para duas dessas áreas. Além de sua trajetória política, pesa a favor de uma possível indicação para Minas e Energia sua formação como engenheiro eletricista e o relacionamento com empresas do setor de biocombustíveis.
A experiência administrativa à frente do Governo de Mato Grosso também é considerada nas articulações, especialmente por se tratar do maior produtor de grãos do país e de um Estado que ampliou sua participação na indústria de etanol de milho.
Entretanto, Mauro não é o único nome em discussão.
Para a Agricultura, o favorito apontado pela reportagem é o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada ruralista.
Também são mencionados Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura de São Paulo; o deputado Alceu Moreira (MDB-RS); e o ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja.
Já para Minas e Energia, ganhou força o nome do economista Adriano Pires, responsável pela área energética no programa de governo de Flávio Bolsonaro. O executivo André Pepitone também aparece entre os cotados.
Dessa forma, a presença de Mauro Mendes nas articulações não significa que exista convite formal ou decisão tomada sobre seu futuro político.
DISPUTA PELO MEIO AMBIENTE — Outra frente de atuação do agronegócio envolve o Ministério do Meio Ambiente, pasta considerada estratégica para as discussões sobre licenciamento, fiscalização e preservação ambiental.
Segundo a Folha, lideranças do setor defendem a escolha de um ministro com maior interlocução com produtores rurais.
Entre os nomes mencionados estão o deputado federal Zé Vitor (PL-MG), o ex-ministro Joaquim Leite e o também ex-ministro Ricardo Salles, ambos integrantes da administração de Jair Bolsonaro.
A movimentação tem especial interesse para Mato Grosso, onde questões ambientais estão diretamente relacionadas à regularização fundiária, à expansão agropecuária e às exigências de preservação da Amazônia e do Cerrado.
XADREZ POLÍTICO — As articulações ministeriais também estão relacionadas à disputa pelo comando do Senado a partir de 2027.
O PL elegeu 19 senadores e deverá iniciar a próxima legislatura com uma bancada de 28 integrantes, a maior da Casa. O fortalecimento da legenda estimula negociações sobre a presidência do Senado e a distribuição de cargos no Executivo.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, é considerada uma das principais representantes do agronegócio nessas conversas. Embora também seja lembrada para voltar ao ministério, há quem defenda sua participação nas articulações para a presidência do Senado.
Nesse cenário, uma eventual ida de Mauro Mendes para o governo federal teria efeito duplo: garantiria a presença de um político de Mato Grosso na Esplanada dos Ministérios e permitiria o retorno de Cidinho Santos ao Congresso.
Por enquanto, porém, o cenário permanece condicionado ao resultado das eleições presidenciais. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro está concentrado na disputa pelo Palácio do Planalto e ainda não definiu a composição de um eventual ministério.
As especulações também não representam compromisso de Mauro Mendes com a possibilidade de assumir uma pasta.
A definição dependerá tanto de uma eventual vitória de Flávio quanto das negociações entre partidos, bancada ruralista e demais grupos políticos que disputam espaço no próximo governo federal.