A revista Forbes Agro incluiu sete mulheres de Mato Grosso na lista das 100 mais poderosas do agronegócio brasileiro. Entre as selecionadas estão empresárias, pecuaristas, lideranças indígenas e profissionais que se destacam pela influência e atuação no setor.
A segunda edição da lista “Forbes: As 100 Mulheres Poderosas do Agro” foi divulgada nesta quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. A primeira edição havia sido publicada em 2021.
Para a seleção, a revista considerou três critérios: poder, impacto e influência, todos avaliados sob a perspectiva dos negócios e do empreendedorismo.
Entre as representantes de Mato Grosso estão Belisa Maggi, presidente da Fundação Amaggi; Carmen Perez, pecuarista e ativista do bem-estar animal, de Araguaiana; e Geni Caline Schenkel, presidente do Movimento Agroligadas, de Campo Verde.
Também integram a lista a engenheira agrônoma indígena Maria Cecília Zenezokemaero, da etnia Haliti-Paresi, de Campo Novo do Parecis; e Mônica Marchett, diretora da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) e presidente do Grupo Mônica, de Rondonópolis.
Completam a seleção a pecuarista Natália Martins, de Cáceres, e a liderança indígena Neiriane Taerik, presidente da Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho, de Brasnorte.
As líderes do agro
Foto ilustrativa usada pela Forbes para identificar a liderança indígena Neiriane Taerik, de Brasnorte
Belisa Maggi preside a Fundação Amaggi, responsável pelos investimentos sociais de um dos maiores grupos do agronegócio brasileiro. Ela é neta dos fundadores da multinacional, André e Lucia Maggi, e acionista do conglomerado.
Carmen Perez, da Fazenda Orvalho das Flores, criou o curso Rebanho de Valor, voltado à gestão de pessoas e ao manejo animal. A iniciativa deu origem ao projeto “Quando Ouvi a Voz da Terra”, transformado em documentário em 2021 e websérie em 2022. Ela também integrou a primeira edição da lista da Forbes, em 2021.
Geni Caline Schenkel, presidente do Movimento Agroligadas, atua na aproximação entre o campo e a cidade, promovendo visitas a propriedades rurais para estudantes, professores e consumidores.
A organização reúne cerca de 3 mil mulheres, está presente em 100 cidades de 24 estados e já impactou aproximadamente 2 milhões de pessoas.
Maria Cecília Zenezokemaero foi a primeira mulher de sua aldeia a conquistar o diploma de engenheira agrônoma. Atualmente, presta assistência técnica a lavouras de algodão e divulga a cultura do povo Haliti-Paresi.
A comunidade cultiva 17 mil hectares de soja, milho, feijão e gergelim, utilizando apenas 1% de suas terras. Por meio do associativismo, a renda obtida com a produção é distribuída entre as famílias.
A engenheira também participou da luta pelo licenciamento ambiental da produção agrícola indígena, conquista que, após duas décadas, permitiu o acesso ao crédito em 2025.
Mônica Marchett foi uma das pioneiras na expansão dos negócios da família para a pecuária, na década de 1990, e na adoção do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta, considerado inovador à época.
Atualmente, o Grupo Mônica cria cerca de 25 mil bovinos, entre animais comerciais e de genética de elite, e mantém atividades em 70 mil hectares no Brasil e na Bolívia, incluindo o cultivo de soja.
Em 2026, Mônica recebeu destaque feminino durante a 91ª ExpoZebu, realizada em Uberaba (MG).
Natália Martins, da Fazenda Camparino, em Cáceres, representa a sexta geração de uma família tradicional da pecuária, reconhecida pela atuação na genética zebuína no Brasil. A propriedade também se dedica à criação de cavalos da raça Quarto de Milha.
Seu avô, José Humberto Vilela Martins, que morreu em agosto deste ano, aos 84 anos, foi uma de suas principais inspirações.
Para preservar e compartilhar os conhecimentos dele, Natália criou nas redes sociais o projeto “Zezão Responde”, voltado à divulgação de experiências e informações sobre o campo.
Neiriane Taerik, por sua vez, tornou-se, aos 26 anos, a primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho, na Terra Indígena Erikpatsa, na Amazônia mato-grossense.
A iniciativa reúne 12 aldeias e conta com a participação de 16 mulheres que transformaram a castanha-do-brasil em uma atividade econômica. O trabalho também envolve famílias responsáveis pela coleta, pelo beneficiamento e pela comercialização das amêndoas.
A associação integra o projeto de bioeconomia Biodiverso, uma rede de territórios que produz cerca de 34 toneladas de castanhas por ano.
A meta é alcançar, até 2027, uma produção de 800 toneladas, envolver 300 extrativistas e contribuir para a conservação de 1,4 milhão de hectares de floresta.
Critérios de seleção
Para elaborar a lista, a Forbes considerou o poder como a capacidade de tomar decisões sobre recursos, pessoas, investimentos, estratégias, produção e mercados.
No quesito impacto, a publicação avaliou a contribuição das selecionadas para a adoção de tecnologias, a expansão de atividades econômicas, a abertura de mercados e a transformação de cadeias produtivas.
Já a influência foi medida pela capacidade de mobilizar, orientar e incentivar outras pessoas a agir.
Segundo a revista, esse critério “não depende necessariamente da exposição pública ou da audiência nas redes sociais”.