Wellington Fagundes mandou emenda de R$ 600 mil à Antártica: ‘Para que o Brasil tivesse a bandeira naquela região’

O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) defendeu a destinação de aproximadamente R$ 600 mil de uma emenda parlamentar de sua autoria para atividades do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Ao ser questionado sobre recursos enviados para fora de Mato Grosso, o senador afirmou que o investimento contribuiu para a presença brasileira na Antártica e para pesquisas que, segundo ele, podem produzir reflexos inclusive no agronegócio do Centro-Oeste.

“Que maravilha poder dizer que eu coloquei R$ 600 mil para pesquisas na Antártica, para que o Brasil tivesse a bandeira naquela região que faz pesquisas, que cuida da humanidade”, afirmou Wellington.

A declaração foi dada ao responder aos questionamentos sobre emendas destinadas pelo parlamentar a projetos fora de Mato Grosso. Wellington argumentou que pesquisas desenvolvidas na Antártica ajudam na compreensão de fenômenos climáticos com potencial de afetar a produção agrícola.

“Hoje nós estamos previstos aqui o El Niño, isso pode impactar muito aqui na produção do Centro-Oeste brasileiro. E lá estão cientistas renomados de todas as universidades do Brasil e do mundo”, disse.

A emenda citada por Wellington é a nº 38050002, apresentada ao Orçamento de 2023. Na justificativa encaminhada ao Congresso, porém, a finalidade específica indicada não era financiar diretamente a pesquisa científica, mas contratar montanhistas especializados para garantir a segurança de pesquisadores durante deslocamentos e acampamentos na Antártica.

Esses profissionais atuam no suporte às expedições em um ambiente marcado por gelo, temperaturas extremas, terrenos de difícil acesso e alterações rápidas nas condições meteorológicas. O dinheiro foi direcionado à Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), vinculada à Marinha e responsável pela coordenação do Proantar.

A proposta originalmente apresentada e aprovada no Orçamento previa R$ 200 mil. Durante a execução orçamentária, entretanto, o montante associado ao código da emenda chegou a R$ 599.128, praticamente o triplo.

Do total executado, R$ 545,4 mil foram pagos no exercício e R$ 53,6 mil por meio de restos a pagar. Os documentos consultados pelo Olhar Direto não esclarecem a origem da alteração que acrescentou R$ 399,1 mil à programação. A mudança de valor, isoladamente, não representa indício de irregularidade, já que dotações orçamentárias podem ser modificadas durante a execução.

Montanhistas e apoio logístico

Os recursos aparecem distribuídos em nove notas de empenho. Três delas, que somam R$ 487,6 mil, foram emitidas em favor da Fundação de Apoio à Universidade do Rio Grande (FAURG) e estão relacionadas ao apoio operacional e logístico do Proantar.

Outros seis empenhos, que totalizam R$ 111,4 mil, foram registrados em nome de cinco pessoas físicas. Os registros financeiros, no entanto, não detalham suficientemente a função exercida por cada beneficiário, o que impede afirmar que todos tenham trabalhado especificamente como os montanhistas previstos na justificativa original da emenda.

Também não está esclarecido nos documentos analisados por que a maior parte dos recursos acabou vinculada ao apoio logístico por meio da FAURG, enquanto a finalidade apresentada originalmente por Wellington mencionava especificamente a contratação de montanhistas.

Wellington também defende recursos para pesquisas em saúde

Na mesma entrevista, Wellington também respondeu aos questionamentos sobre recursos destinados à área da saúde fora de Mato Grosso. O senador defendeu uma emenda de R$ 6 milhões destinada ao Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa da Medicina Hiperbárica (IBEPMH), sediado em São Paulo.

“Outra crítica: o Wellington colocou recursos para fazer uma pesquisa de câncer de bexiga. Essa pesquisa é mundial, referência mundial […]. Olha quantas pessoas hoje morrem precocemente pelo diagnóstico posterior de um câncer. Eu vou investir naquilo que for para ajudar a ciência e a pesquisa para ajudar a humanidade, principalmente os brasileiros”, declarou.

Os registros públicos da parceria, contudo, identificam como objeto da emenda nº 38050004 um ensaio clínico sobre o efeito da oxigenoterapia hiperbárica no pé diabético complicado, e não uma pesquisa sobre câncer de bexiga. O Termo de Fomento nº 984298/2025, no valor de R$ 6 milhões, foi firmado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o IBEPMH em dezembro de 2025 e permanece em execução.

Wellington visitou o projeto em São Paulo em julho deste ano e, na ocasião, sua própria assessoria informou que a pesquisa avalia o uso da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento do pé diabético, com o objetivo de estudar alternativas para reduzir amputações e aprimorar o atendimento.

Além desses R$ 6 milhões, o senador destinou outros R$ 500 mil ao Fundo Estadual de Saúde de São Paulo em 2026. Ao ser questionado se recursos aplicados fora de Mato Grosso não fariam falta diante das demandas locais, Wellington argumentou que investimentos em centros de referência também podem beneficiar pacientes mato-grossenses.

“Mas isso é saúde, isso é pesquisa, isso é ciência. Por exemplo, investir no Hospital Sarah Kubitschek em Brasília, quantos mato-grossenses vão? É um hospital referência na América Latina e são mato-grossenses que são atendidos, e além do tratamento, com pesquisa também”, respondeu.

O candidato afirmou que considera obrigação do poder público financiar ciência pensando nos resultados de longo prazo. “Eu acho que essa é uma obrigação de todos aqueles que querem pensar também nas futuras gerações”, completou.

Wellington também relacionou os investimentos em pesquisa à formação dos jovens e à competitividade do país diante das transformações tecnológicas.

“Esse é o Brasil que nós precisamos: investir na tecnologia para que a nossa juventude tenha mais oportunidade. Hoje a inteligência artificial está aí e as faculdades precisam da experiência das pesquisas para poder fazer com que a nossa juventude esteja preparada para competir no mundo inteiro”, concluiu.

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