El Niño põe Mato Grosso em alerta para seca prolongada e mais incêndios

A possibilidade de uma estiagem mais prolongada, atraso no retorno das chuvas e aumento do risco de incêndios colocou os municípios de Mato Grosso em alerta para os efeitos do El Niño, nos próximos meses.

Nesta quinta-feira (20), prefeitos, técnicos e representantes dos governos federal e estadual se reuniram em Cuiabá, para discutir medidas de prevenção e formas de assistência às cidades mais atingidas.

O encontro foi realizado na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e contou com a participação do ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães.

A orientação apresentada é que os municípios não enfrentem isoladamente eventuais situações de emergência.

“Deixar o município sozinho e tentar arrumar até um pipa, um avião para combater os incêndios, não resolve. Tem que ter uma ação nacionalizada”, afirmou Guimarães.

O Governo Federal elaborou um planejamento que prevê R$ 1,335 bilhão para ações de preparação e resposta aos possíveis eventos climáticos extremos associados ao fenômeno.

Os recursos deverão alcançar áreas como segurança alimentar, abastecimento de alimentos, saúde, monitoramento hidrológico, fiscalização ambiental e prevenção e combate aos incêndios.

Segundo Guimarães, foi criado um comitê ministerial para integrar a atuação do Governo Federal e articular medidas com estados e municípios. A programação inclui reuniões ainda em agosto com prefeitos do Centro-Oeste e posteriormente com governadores.

Entre as possibilidades discutidas estão linhas de crédito e assistência emergencial aos municípios mais afetados.

“Não faltarão ações nem recursos para atender e ajudar Mato Grosso. Os municípios que precisarem terão o nosso apoio”, declarou o ministro.

CENTRO-OESTE SOB MAIOR PRESSÃO – Enquanto diferentes regiões brasileiras podem enfrentar eventos como secas e enchentes, no Centro-Oeste a preocupação apresentada durante a reunião está concentrada principalmente na possibilidade de prolongamento do período seco, atraso das chuvas e agravamento dos incêndios.

O presidente da AMM, Hemerson Maninho, afirmou que o cenário exige preparação antecipada das administrações municipais.

“Mato Grosso tem um grande potencial, com destaque para a produção agropecuária, a agroindústria e a agricultura familiar, mas os municípios precisam de apoio para enfrentar os desafios e realizar os investimentos necessários”, disse.

Segundo ele, o aumento dos riscos climáticos exige planejamento e atuação conjunta para reduzir danos à população e às atividades econômicas.

O secretário adjunto de Defesa Civil de Mato Grosso, coronel Marcelo Revelles, também destacou a necessidade de aproximar a estrutura estadual das prefeituras.

A AMM já realizou capacitação com representantes da Defesa Civil para orientar gestores sobre preparação e resposta a emergências.

R$ 50 MILHÕES EM PREJUÍZOS – A dimensão do problema foi apresentada pelo prefeito de Jangada, Rogério Meira.

O município enfrenta há vários dias um incêndio de grandes proporções e aparece como um dos casos usados para demonstrar a necessidade de reforçar a estrutura local de resposta.

Segundo o prefeito, mais de 5 mil hectares já foram atingidos pelo fogo e os prejuízos podem chegar a aproximadamente R$ 50 milhões, alcançando principalmente a agricultura e a pecuária.

“A área afetada é muito grande, mais de 5 mil hectares que já foram queimados. Gado também foi queimado, cavalo que foi morto. Estamos passando por um momento muito complicado em nosso município”, relatou.

Guimarães citou diretamente a situação de Jangada ao defender mecanismos de apoio que não se restrinjam ao fornecimento pontual de equipamentos.

“Tem estados em que a situação é mais grave. Jangada, aqui no Mato Grosso, é um município muito atingido. Nós precisamos ampliar as ações diretamente com os municípios, fazer com que o município não fique sozinho, seja por liberação de crédito ou por outras ações que possam ajudar”, afirmou.

A estratégia discutida em Cuiabá é antecipar medidas antes do período considerado mais crítico. Prefeituras deverão identificar necessidades de equipamentos, estrutura, pessoal e recursos para que as demandas possam ser articuladas com os governos estadual e federal.

Para Mato Grosso, onde a estiagem já favorece a propagação do fogo, a preocupação é impedir que municípios precisem estruturar a resposta somente depois que incêndios ou outros eventos extremos já tenham atingido grandes proporções.

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