‘É um milagre estar vivo’, diz entregador baleado por policial penal

O entregador Carlos Felipe Magalhães, de 34 anos, baleado pela policial penal Jorcenilma Franca Viegas, de 46, em Cuiabá, afirmou nesta quinta-feira (20) que considera um “milagre” ter sobrevivido ao ataque. Após receber alta hospitalar, ele se recupera em uma cadeira de rodas e depende da ajuda dos pais para realizar atividades básicas.

Em entrevista ao portal MT Contexto, Carlos contou que ainda sente fortes dores na região lombar e na coluna, onde foi atingido por dois dos três tiros.

O entregador também relatou dificuldades para respirar, se alimentar e falar, além de ter ficado com um fragmento de projétil alojado no pulmão.

“Foi um milagre eu estar vivo, foi um plano de Deus, porque foi uma coisa que ninguém esperava. Nem os próprios médicos falaram que eu poderia sair dessa. Inclusive, falaram até para o meu irmão que era para rezar muito, que não sabiam se eu sairia vivo da primeira cirurgia”, afirmou.

Segundo Carlos, atualmente ele não consegue realizar sozinho tarefas como tomar banho e fazer os próprios curativos. Os cuidados ficam a cargo dos pais.

Ele também consegue dar apenas alguns passos antes de ficar muito fraco e passa a maior parte do tempo em uma cadeira de rodas.

“Eu estou tentando me recuperar o máximo, fazendo o melhor que eu posso, me alimentando da melhor forma que eu posso, para a minha vida voltar um pouco ao normal, porque acredito que não vai ser mais 100% normal como era. Estou tentando me adaptar ao novo tipo de vida que eu estou levando agora”, disse.

Jorcenilma foi afastada do cargo de policial penal por decisão assinada pelo secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho. A medida foi adotada após a prisão preventiva da servidora, em 5 de agosto, por tentativa de homicídio.

A Secretaria de Estado de Justiça informou que a Corregedoria instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em 29 de julho. O procedimento pode resultar na demissão da policial penal.

Posteriormente, no dia 9 de agosto, a Justiça de Mato Grosso determinou a soltura de Jorcenilma, mediante o uso de tornozeleira eletrônica e o cumprimento de outras medidas cautelares.

O crime

Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Carlos foi até a residência da policial penal para devolver um celular perdido pela filha dela. A entrega havia sido combinada previamente, e o entregador receberia R$ 100 como recompensa pela devolução do aparelho.

Imagens de câmeras de segurança mostram Carlos entregando o celular à filha de Jorcenilma. Na sequência, a policial aparece com uma arma em punho, aponta para o motociclista e ordena que ele se deite no chão. Em seguida, ela efetua mais de 10 disparos.

Na versão apresentada inicialmente, Jorcenilma afirmou que Carlos teria avançado em direção à arma na tentativa de desarmá-la, o que teria motivado os disparos. As imagens analisadas durante o inquérito, porém, contradizem essa versão.

Carlos foi atingido por três tiros, sendo um na perna direita e dois nas costas. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC).

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