O preço do etanol voltou a recuar de forma expressiva em Cuiabá e atingiu o menor patamar registrado desde agosto de 2025. Levantamento divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período entre 24 e 30 de maio, mostra que o litro do biocombustível passou a custar, em média, R$ 4,10 nos postos da capital mato-grossense.
O valor representa uma queda de 65 centavos em relação ao pico registrado entre fevereiro e março deste ano, quando o preço médio chegou a R$ 4,75 por litro. Trata-se da maior sequência de recuo observada no mercado local desde o segundo semestre do ano passado.
Os dados históricos da ANP mostram que o etanol não era vendido por um valor tão baixo desde agosto de 2025, quando a média girava em torno de R$ 3,97. Desde então, o combustível iniciou uma trajetória de alta que se prolongou por vários meses, impulsionada principalmente pelo período de entressafra, custos logísticos e ajustes no mercado de combustíveis.
A escalada levou o produto a superar os R$ 4,60 no início de 2026 e alcançar o recorde recente de R$ 4,75, patamar que passou a preocupar consumidores e motoristas de veículos flex. Agora, porém, o cenário é de forte correção dos preços.
Além da média de R$ 4,10, a pesquisa da ANP identificou postos comercializando o etanol por até R$ 3,99 o litro em Cuiabá. O maior valor encontrado foi de R$ 4,19.
Enquanto o etanol despenca, os demais combustíveis apresentam comportamento mais estável. A gasolina comum registrou preço médio de R$ 6,62 por litro, variando entre R$ 6,31 e R$ 6,79. Já a gasolina aditivada foi encontrada a R$ 6,87 em média.
No diesel, praticamente não houve alterações relevantes. O diesel comum aparece com média de R$ 6,83, enquanto o diesel S10 foi comercializado a R$ 6,99 por litro.
A queda observada nas bombas acompanha um movimento mais amplo de expansão da oferta nacional de biocombustíveis. Em Mato Grosso, principal produtor brasileiro de etanol de milho, as projeções indicam que a disponibilidade do combustível deverá continuar crescendo nos próximos anos.
Levantamento elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a pedido do Bioind-MT, aponta que o estado poderá produzir 8,44 milhões de metros cúbicos de etanol na safra 2026/27, volume 16,08% superior ao estimado para o ciclo anterior. O avanço será puxado principalmente pelo etanol de milho, segmento em que Mato Grosso já responde por cerca de 62% da produção nacional.
A expectativa é que a produção de etanol de milho alcance 7,33 milhões de metros cúbicos na próxima safra, crescimento de 18,67%. Já o etanol de cana-de-açúcar deverá registrar expansão mais modesta, chegando a 1,11 milhão de metros cúbicos.
Segundo o presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o avanço da produção reforça o papel estratégico do estado na matriz energética nacional.
“O crescimento demonstra a capacidade que Mato Grosso tem de integrar produção agrícola, indústria e geração de energia renovável, ampliando a relevância do estado no cenário nacional”, afirmou.
Os números mostram que a expansão já está em curso. Antes mesmo da próxima safra, a produção estadual de etanol deve encerrar o ciclo 2025/26 com crescimento de 8,52%, alcançando 7,27 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção nacional permanece praticamente estável.
Outro indicador que ajuda a explicar a pressão sobre os preços é o aumento da moagem de milho destinada às usinas. O volume processado deve saltar de 13,81 milhões para 16,36 milhões de toneladas na próxima safra, impulsionado pela entrada de novas plantas industriais no estado.
Com mais combustível disponível no mercado, a tendência é de manutenção da competitividade do etanol frente à gasolina. Atualmente, a relação de preços permanece abaixo do limite de 70% considerado vantajoso para veículos flex, mantendo o biocombustível como a alternativa mais econômica para os motoristas cuiabanos.