m vídeo entregue à Polícia Federal mostra o coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Ribeirão Cascalheira (MT), Jussielson Gonçalves Silva, e o sargento da Polícia Militar Gerrard Maxmiliano Rodrigues de Souza negociando valores a serem pagos ao cacique Damião Paridzané para arrendar áreas indígenas a fazendeiros. Os dois suspeitos que aparecem nas imagens, Jussielson e Maxmiliano, foram presos preventivamente nesta quinta-feira (17) junto também com o ex-policial militar do Amazonas, Enoque Bento de Souza, durante a Operação Res Capta.
Em nota, a Funai informou nesta quinta que não aprova nenhum tipo de conduta ilícita e está à disposição das autoridades policiais para colaborar com as investigações. Afirma ainda que o arrendamento de terras indígenas é proibido e que o coordenador será afastado da função.
A reportagem também entrou em contato com as defesas de Jussielson, Enoque, Gerrard mas não obteve resposta. A operação também apreendeu uma caminhonete SW4 do cacique, que ele teria recebido em troca da permissão da concessão ilegal da área.
Ele também é suspeito de receber valores altos em troca dos arrendamentos. No vídeo, o coordenador da Funai cita os valores recebidos por Damião Paridzané para permitir a exploração. “Hoje podemos afirmar que o Paridzané tem uma renda de R$ 899 mil depositada por mês”, diz.
De acordo com a Polícia Federal, se o esquema não tivesse sido interrompido, eles já negociavam aumentar esse valor ao cacique para R$ 1,5 milhão ainda neste ano. Para o Ministério Público Federal (MPF), não há dúvidas de que o dinheiro das contas do cacique é “oriundo das parcerias espúrias formadas no interior da terra indígena para a exploração maciça da área indígena sem qualquer controle por parte da Funai”.
A polícia cita que, no esquema, Jussielson, Maxmiliano e Enoque, que mantinham contato direto com o líder indígena, recebiam propina de fazendeiros para que eles fossem os escolhidos como arrendatários. Os arrendamentos teriam começado em 2017.
Foram identificadas transferências bancárias de suspeitos de envolvimento no esquema à conta de Damião Paridzané. Uma delas foi em janeiro deste ano, no valor de R$ 120 mil, à Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados do Alto Xingu.
No dia 15 de cada mês ocorriam os pagamentos, em transferências bancárias e em espécie. O coordenador da Funai recebia 10% por cada medição, conforme a polícia.
Ele ainda recebia para selecionar quem poderia cometer os crimes ambientais. Atualmente, há aproximadamente 70 mil cabeças de gado na área indígena, avaliadas em R$ 210 milhões, e os prejuízos estão estimados em R$ 58 milhões de reais em danos ambientais, em apenas quatro áreas arrendadas.
No total, são 15 arrendamentos investigados. A Justiça determinou a retirada do gado de toda a área em até 45 dias e os que fazendeiros que não retirarem os animais nesse prazo podem ser presos e ter o sequestro das cabeças de gado.