Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, foi condenado a 31 anos e três dias de reclusão, em regime inicial fechado, e um mês e três dias de detenção em regime aberto, pelo assassinato da esposa, a empresária Nilza Moura Sousa da Silva, de 64 anos, morta com uma abraçadeira plástica, conhecida como “enforca-gato”, enquanto dormia. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (20), no Fórum da Comarca de Cuiabá.
Além da condenação criminal, a justiça determinou o pagamento de 15 dias-multa e fixou indenização correspondente a 50 salários-mínimos, a ser paga aos sucessores da vítima a título de reparação mínima pelos danos causados.
O promotor de Justiça Vinícius Gayva afirmou que o assassinato de Nilza Moura foi premeditado e motivado por interesse no patrimônio da empresária. “A premeditação e a dificuldade ou impossibilidade de defesa por parte da vítima, nesse caso concreto, é evidente. A vítima estava deitada na sua alcova, onde ela convivia maritalmente, sob o mesmo teto com o réu, e ela ali mesmo teve a sua vida ceifada de maneira brutal e por meio de asfixia”, declarou.
O promotor também destacou que, além de matar a esposa, Jackson ocultou o cadáver e tentou simular um sequestro para despistar os familiares e as autoridades. Para a acusação, o crime foi motivado pela possibilidade de obter vantagens financeiras com a morte da empresária. “Existe a ocultação de cadáver, existe a notícia falsa de crime, que ele inventou essa história de cobertura para dizer que ela havia sido sequestrada, existe a cobrança de valores, uma perspectiva de engrandecimento patrimonial para além daquilo que ele herdaria”, afirmou.
Assassinato
O crime aconteceu em 4 de maio deste ano, na casa do casal, no bairro Parque Cuiabá, na Capital. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Jackson estrangulou a esposa enquanto ela dormia. Depois, transportou o corpo até outro imóvel da vítima, onde o enterrou em uma vala aberta por uma máquina contratada sob o pretexto de construir uma fossa.
Segundo a acusação, o assassinato foi motivado por interesse financeiro. Após matar a esposa, Jackson transferiu R$ 18 mil de recursos dela para a própria conta. Ele também retirou o HD do sistema de monitoramento da residência e tentou simular um sequestro, com mensagens enviadas aos familiares exigindo R$ 30 mil de resgate.
No dia seguinte ao crime, Jackson procurou a polícia para registrar o desaparecimento da esposa. Durante as investigações, apresentou versões contraditórias até confessar o assassinato e indicar o local onde havia enterrado o corpo.
Depoimentos
Durante o julgamento, a sobrinha da vítima, Estefania Cristina da Liz Souza Amaral, afirmou que Jackson era possessivo e controlava o relacionamento. Segundo ela, Nilza não podia conversar com outras pessoas sem a presença do marido.
A testemunha também relatou que a tia era a principal provedora financeira do casal e possuía patrimônio superior a R$ 1 milhão, incluindo nove apartamentos administrados por Jackson.
Estefania contou ainda que o acusado participou das buscas pela esposa e acompanhou os familiares à delegacia, mesmo sabendo que Nilza já estava morta. Durante esse período, ele teria demonstrado preocupação com a administração dos imóveis e a divisão do patrimônio.
O irmão da vítima, Nilson Moura de Souza, confirmou que Jackson acompanhou a família durante as buscas. Segundo ele, os familiares receberam uma fotografia de Nilza sentada em um banco de madeira, com os braços amarrados para trás e a cabeça baixa, sem que fosse possível saber se ela ainda estava viva.
Nilson relatou também que seu filho levou a caminhonete da vítima para protegê-la dos supostos sequestradores, mas Jackson foi buscá-la na manhã seguinte. Ele afirmou ainda que a família desconhecia que Nilza havia solicitado medidas protetivas contra o marido anteriormente.
Família pediu justiça
Antes do julgamento, a irmã da vítima, Nilcirene, afirmou que a família esperava uma condenação superior a 40 anos de prisão, considerando a gravidade do assassinato e as tentativas de Jackson de esconder o crime.
“Não vai trazer ela de volta, mas nós queremos justiça por ela, porque ele foi muito covarde com o que ele fez”, declarou.
A irmã também afirmou confiar na atuação do Ministério Público e da assistência de acusação para conseguir uma punição rigorosa.
“Não vai trazer a vida dela de volta, mas mais ou menos uma justiça. A gente vai ficar muito grata, e eu confio no Ministério Público e na assistente de acusação que nós temos, que vai conseguir”, disse.
Prisão preventiva
Jackson estava preso preventivamente desde 6 de maio, na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. Ele foi levado a julgamento pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. (Repórter MT)