Imagens de câmeras de segurança e prints obtidos pela Polícia Civil mostram o trajeto de um Hyundai HB20 cinza, que estaria em posse do vereador Túlio César de Oliveira Lima, buscando o assassino da jovem Lavignia Gabrielly Guimarães Coutinho, de 20 anos, em Poxoréu (a 294 km de Cuiabá), em Mato Grosso. Conforme o relatório de investigação da delegacia do município, registrado no dia 13 de maio deste ano, o veículo foi até o ponto onde o atirador abandonou uma moto e, posteriormente, seguiu em direção à MT-130, dando apoio à fuga do assassino.
O documento aponta que o crime ocorreu na madrugada do dia 10 de maio, dentro de uma conveniência, às margens da rodovia. Segundo a investigação, Lavignia estava no estabelecimento com uma amiga quando o assassino entrou armado e efetuou diversos disparos contra ela. Após o crime, ele fugiu em uma motocicleta XRE 300 preta, sem placa, pela Rua Sobral Pinto, em direção ao centro/bairro. Na sequência, ele entrou na Rua Álvares de Azevedo, seguindo para uma região conhecida como lixão, onde abandonou a moto e embarcou no HB20.
De acordo com o relatório, o HB20 desceu pela Rua das Alamandas por volta de 1h43, chegando ao lixão onde a moto foi deixada e pegou o assassino. Pouco depois, às 1h45, o veículo retornou pela mesma via, acessou a Rua Euclides da Cunha e seguiu até a região da MT-130. A investigação aponta ainda que o carro deixou Poxoréu às 1h48, seguindo sentido Rondonópolis, até a região conhecida como Curva da Santinha. O veículo teria retornado para Poxoréu por volta das 2h25.
A partir das imagens, os investigadores identificaram que o HB20 está registrado em nome de outra pessoa, mas, segundo o relatório, estaria na posse de Túlio César. Ainda conforme a investigação, o carro possuía um adesivo de campanha eleitoral utilizado nas eleições de 2024, quando Túlio foi candidato a vereador em Poxoréu. Os policiais também encontraram fotografias publicadas em redes sociais nas quais o parlamentar aparece ao lado do mesmo veículo em festas, passeios e outros locais.
Túlio César foi preso temporariamente em julho durante a Operação Elo Oculto, deflagrada pela Polícia Civil para aprofundar a investigação sobre a morte de Lavignia. Conforme já divulgado ,o vereador não é apontado como o executor dos disparos, mas as investigações indicam uma possível atuação como articulador ou facilitador do crime. A prisão temporária foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), sob o argumento de que a medida seria necessária para evitar combinação de versões e preservar o andamento das investigações.
Lavignia Gabrielly foi assassinada na madrugada de 10 de maio, dentro de uma conveniência em Poxoréu. Segundo a investigação, ela teria sido alvo de uma ordem de integrantes de uma facção criminosa que atua na região.
A suspeita levantada pela Polícia Civil é de que os criminosos acreditavam que Lavignia fosse informante da Polícia Militar porque a mãe dela trabalhava na limpeza da sede do pelotão da PM no município e a jovem costumava acompanhá-la ou ajudá-la no local. A investigação aponta que a proximidade teria levado integrantes da facção a suspeitarem que a jovem repassava informações sobre pontos de venda de drogas.
Durante as investigações, um homem conhecido como “Bin Laden” foi preso em Rondonópolis e apontado como um dos envolvidos. Outro suspeito, José Geraldo da Silva, morreu durante um confronto com policiais da Força Tática em Poxoréu. O inquérito continua em andamento para esclarecer a participação individual de cada investigado.