Segundo turno das eleições presidenciais acontece neste domingo (25), das 8h às 17h, pelo horário de Brasília; disputa será definida após uma campanha marcada por trocas de acusações, debates e pesquisas que indicam empate técnico
Mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar neste domingo (25) para escolher o próximo presidente da República. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 158.745.463 eleitores estão habilitados a participar do segundo turno das eleições de 2026. A votação acontece das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
A disputa chega à etapa decisiva após o primeiro turno mais apertado desde a redemocratização. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,04% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Nenhum dos dois alcançou a maioria absoluta necessária para vencer a eleição na primeira etapa.
O eleitorado brasileiro cresceu 1,46% em comparação com 2022, com 2,29 milhões de pessoas a mais. O Sudeste concentra o maior número de votantes, seguido pelo Nordeste. No exterior, 918.876 brasileiros estão aptos a participar da eleição presidencial, um crescimento de 31,82% em relação ao último pleito.
Campanha foi marcada por disputas sobre economia, segurança e programas sociais
Lula e Flávio tiveram 21 dias entre os dois turnos para conquistar os eleitores que votaram em outros candidatos ou não compareceram às urnas na primeira etapa. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que terminaram respectivamente em terceiro, quarto e quinto lugares, somaram mais de 8,7 milhões de votos.
Durante o segundo turno, Lula concentrou parte da campanha na defesa dos programas sociais, na redução da jornada de trabalho, na soberania nacional e nas críticas às propostas econômicas do adversário. O presidente também defendeu a ampliação do Bolsa Família e destacou medidas adotadas durante seu atual mandato.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, priorizou temas como segurança pública, custo de vida, redução de gastos públicos e combate à corrupção. O senador também apresentou propostas voltadas ao empreendedorismo, ao crédito e à proteção das mulheres. Durante a campanha, negou que seu plano de governo previsse o encerramento de programas sociais.
Os candidatos participaram de dois debates no segundo turno. O primeiro foi realizado pela Band/Jovem Pan, em 18 de outubro. O segundo aconteceu na TV Globo, na sexta-feira (23). Os encontros tiveram discussões sobre economia, segurança, programas sociais e infraestrutura, além de trocas de acusações pessoais.
No sábado (24), último dia de campanha, Lula participou de caminhadas em Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo. Flávio Bolsonaro esteve em uma motociata em Belo Horizonte e encerrou a agenda com uma manifestação na Barra da Tijuca, na capital fluminense.
Pesquisas indicam empate técnico na reta final
Os quatro levantamentos divulgados no sábado (24), véspera da eleição, mostraram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula nos votos válidos, mas com diferenças dentro das respectivas margens de erro.
No Datafolha, o senador apareceu com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente. A pesquisa Gerp registrou 52% para Flávio e 48% para Lula.
O levantamento Atlas/Bloomberg apontou 50,8% para o candidato do PL e 49,2% para o petista. Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Flávio com 50,5% e Lula com 49,5%.
Os quatro institutos apontaram empate técnico, deixando a definição do resultado para as urnas deste domingo.
Cinco estados e o Distrito Federal também escolhem governadores
Além da eleição presidencial, o segundo turno definirá os governadores de cinco estados e do Distrito Federal.
No Acre, a disputa ocorre entre Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos). No Amazonas, concorrem Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL). No Distrito Federal, os candidatos são Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT).
No Espírito Santo, o segundo turno será disputado por Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB). No Rio Grande do Norte, concorrem Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT). Já no Tocantins, a disputa acontece entre Professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB).
O Rio de Janeiro também teria segundo turno para governador, mas a disputa foi encerrada após o TSE anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos). Com a retotalização, Douglas Ruas (PL) alcançou 50,88% dos votos válidos e foi oficializado governador eleito pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
Nas unidades federativas com segundo turno estadual, o eleitor votará primeiro para governador e depois para presidente. Nas demais, a votação será apenas para a Presidência da República.
Horário de votação e documentos necessários
A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todo o território nacional. Nos estados com fusos horários diferentes, os horários locais serão ajustados.
Em Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a votação ocorrerá das 7h às 16h. No Acre, será das 6h às 15h. No Amazonas, a maior parte dos municípios votará das 7h às 16h, enquanto as localidades que seguem o fuso do Acre terão votação das 6h às 15h.
Para votar, é necessário apresentar um documento oficial com foto, como RG, CNH ou passaporte. O eleitor também poderá utilizar o aplicativo e-Título, desde que o documento digital apresente fotografia. Não é obrigatório levar o título de eleitor impresso.
Os eleitores devem conferir o local de votação antes de sair de casa. Segundo o TSE, aproximadamente 130 mil pessoas em 22 estados tiveram alterações em suas seções eleitorais entre os dois turnos. A consulta pode ser realizada pelo aplicativo e-Título ou pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos. Para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e pessoas analfabetas, a participação é facultativa.
O que é permitido e proibido no dia da eleição?
No dia da votação, é permitida a manifestação individual e silenciosa de preferência política, por meio de camisetas, broches, adesivos e bandeiras.
Por outro lado, estão proibidos a boca de urna, a distribuição de materiais de campanha, o pedido de votos e as manifestações coletivas organizadas para influenciar eleitores.
O uso de celulares, câmeras e outros equipamentos capazes de registrar imagens é proibido dentro da cabine de votação. O aparelho deve ser deixado com os mesários ou no local indicado pela Justiça Eleitoral antes do registro do voto.
O transporte público coletivo deve operar gratuitamente, conforme as regras eleitorais. Os eleitores também podem levar uma cola eleitoral em papel com os números dos candidatos.
Quem não votou no primeiro turno poderá participar normalmente do segundo. Cada etapa da eleição é considerada independente pela Justiça Eleitoral.
O eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral poderá justificar a ausência pelo aplicativo e-Título durante o horário de votação. Quem não justificar neste domingo terá até 8 de janeiro de 2027 para apresentar o pedido. Para ausências no primeiro turno, o prazo termina em 3 de dezembro de 2026.
Quando começa a apuração dos votos?
A apuração terá início após o encerramento da votação, às 17h, pelo horário de Brasília. Os resultados serão divulgados progressivamente pelo TSE, que reúne os dados de todas as urnas eletrônicas do país e do exterior.
Para vencer o segundo turno, o candidato deverá obter a maioria dos votos válidos. Os votos brancos e nulos não entram no cálculo que define o resultado.
Em pronunciamento na noite de sábado (24), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral está mobilizada para garantir a votação e pediu atenção dos eleitores às informações recebidas pelas redes sociais.
A Jovem Pan acompanhará a votação, a apuração e a repercussão dos resultados ao longo deste domingo. Os números oficiais estarão disponíveis na página especial de apuração das Eleições 2026.
