Após projetar retração de 0,6% neste ano, governo espera recuperação da atividade econômica; desempenho do agronegócio será decisivo para sustentar as receitas previstas no orçamento
O Governo de Mato Grosso trabalha com a expectativa de crescimento de 5,27% da economia estadual em 2027, após projetar retração de 0,6% em 2026. A recuperação prevista integra o cenário econômico utilizado na elaboração da proposta orçamentária para o próximo ano, que estima receitas e despesas de R$ 46,1 bilhões.
O desempenho esperado representa uma mudança importante em relação ao cenário deste ano, marcado pela previsão de queda de 7,1% na atividade agropecuária.
O desempenho esperado representa uma mudança importante em relação ao cenário deste ano, marcado pela previsão de queda de 7,1% na atividade agropecuária.
A estimativa coloca o agronegócio no centro das perspectivas de recuperação econômica e também dos riscos para a arrecadação estadual.
Embora Mato Grosso tenha uma economia diversificada, a produção agropecuária influencia diretamente o transporte, a indústria, o comércio e os serviços, ampliando seus efeitos sobre a atividade econômica.
DEPENDÊNCIA DO CAMPO – A projeção de recuperação ocorre em um Estado cuja dinâmica econômica está fortemente associada às cadeias da soja, do milho, da pecuária e da agroindústria.
O desempenho dessas atividades depende de fatores que escapam ao controle direto do governo estadual, como condições climáticas, produtividade, preços internacionais, custos de produção e demanda dos mercados compradores.
Uma safra favorável pode estimular o transporte de cargas, a comercialização de insumos, o processamento industrial e o consumo nas cidades do interior.
Por outro lado, perdas de produtividade ou quedas expressivas nos preços das commodities podem reduzir a renda dos produtores e afetar atividades relacionadas.
A previsão de crescimento de 5,27% deve, portanto, ser interpretada como uma estimativa sujeita a revisões, e não como resultado econômico garantido.
RECEITAS PÚBLICAS – O comportamento da economia influencia o planejamento das receitas tributárias, especialmente em um Estado com forte circulação de mercadorias e ampla atividade produtiva.
Para 2027, a proposta da Lei Orçamentária Anual (PLOA) prevê R$ 46,125 bilhões em receitas e despesas, aumento nominal de aproximadamente 13% em relação ao orçamento de 2026.
Essa expansão não deve ser confundida com a taxa de crescimento econômico.
O orçamento é expresso em valores monetários e incorpora diferentes fontes de receitas, enquanto a projeção de 5,27% se refere à evolução da atividade econômica.
Além disso, a arrecadação pode variar por mudanças de preços, legislação tributária, comportamento dos contribuintes e outras condições fiscais.
RISCOS E AJUSTES – Caso a economia cresça menos que o esperado, a arrecadação poderá ficar abaixo das previsões, exigindo revisão de despesas e reprogramação de investimentos.
O governo também terá de administrar compromissos permanentes. A proposta reserva R$ 25,34 bilhões para pessoal e encargos sociais e R$ 5,65 bilhões para investimentos.
A diferença entre essas despesas ajuda a dimensionar o desafio fiscal: enquanto os compromissos com pessoal apresentam menor flexibilidade, parte dos investimentos pode ser ajustada conforme a disponibilidade de recursos.
O cenário econômico também será influenciado pela inflação, pelas condições de crédito e pelo comportamento dos mercados nacional e internacional.
PLANEJAMENTO – A expectativa de recuperação em 2027 oferece uma perspectiva favorável para o início do novo mandato de Otaviano Pivetta (Republicanos), mas o cumprimento do orçamento dependerá do desempenho efetivo da arrecadação.
O acompanhamento dos indicadores de produção, comércio, serviços e receitas tributárias será essencial para verificar se as premissas utilizadas na proposta estão se confirmando.
Mais do que alcançar a taxa de crescimento projetada, o desafio será converter a expansão da economia em receitas sustentáveis, investimentos e melhoria dos serviços públicos.
