Nathany Gomes | Assessoria da vereadora Paula Calil
A morte de uma mulher assassinada com 16 golpes de faca pelo ex-companheiro, no último fim de semana, em Chapada dos Guimarães (a 68 km de Cuiabá), voltou a evidenciar a gravidade da violência contra a mulher em Mato Grosso. O crime aconteceu em via pública e reforça a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.
O caso foi abordado pela presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), durante a sessão ordinária desta terça-feira (13). A parlamentar chamou a atenção para os números da violência no Estado e defendeu ações concretas para garantir a segurança e a dignidade das mulheres.
No último dia 10 de outubro, foi celebrado o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, uma data que reforça a importância da conscientização e do enfrentamento a todas as formas de violência, desde as agressões físicas até a violência psicológica, moral, sexual e patrimonial.
“É muito triste ver uma mulher perder a vida dessa forma. Estamos falando de vidas, de famílias destruídas e de uma violência que não pode ser tratada como algo normal. Precisamos agir antes que seja tarde, acolher as mulheres que pedem ajuda e garantir que elas tenham proteção de verdade”, afirma Paula.
Os dados da violência em Mato Grosso reforçam a dimensão do problema. De janeiro a maio de 2026, o Estado registrou 18.536 ocorrências de violência doméstica e familiar. No mesmo período, foram contabilizados 6.409 registros de ameaça, 3.231 de lesão corporal, 2.339 de injúria, 1.425 de violência psicológica, 1.146 de difamação e 1.070 de perseguição (stalking).
Ainda conforme os dados levantados junto às fontes de segurança pública e ao Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), foram registrados 7.796 pedidos de medidas protetivas no período. Até 17 de setembro de 2026, o Estado já contabilizava 38 feminicídios.
Para a vereadora, os números mostram que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa ir além das campanhas de conscientização. É necessário ampliar o acesso à informação, fortalecer a rede de atendimento e garantir que as mulheres encontrem apoio para romper o ciclo de violência.
“Nem sempre a violência começa com uma agressão física. Muitas vezes, começa com o controle, a humilhação, as ameaças e o medo. Por isso, precisamos estar atentos aos sinais e garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha ou desamparada quando decidir pedir ajuda”, destaca Paula.
Leis fortalecem a rede de proteção em Cuiabá
No Parlamento cuiabano, Paula tem defendido iniciativas voltadas à prevenção da violência e à construção de uma rede de proteção mais efetiva para as mulheres cuiabanas.
Entre elas está o Cuiabá Protege Mulheres, iniciativa de autoria da parlamentar que estabelece um protocolo de acolhimento e proteção para mulheres em situação de risco em bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos. A medida busca contribuir para que esses espaços estejam preparados para identificar situações de perigo e oferecer apoio às vítimas.
Outra iniciativa é a lei Homens de Verdade Protegem Mulheres, também de autoria de Paula, que incentiva a participação masculina no enfrentamento à violência contra a mulher e na promoção de relações baseadas no respeito. A medida reforça que a prevenção não deve ser uma responsabilidade exclusiva das mulheres, mas um compromisso coletivo.
“Não basta dizer que somos contra a violência. Precisamos transformar esse discurso em atitudes, leis e políticas públicas que funcionem na prática. Os homens também precisam fazer parte dessa mudança, combater o machismo e entender que respeitar as mulheres é uma obrigação”, pontua.
A vereadora ressalta que seu compromisso com a causa vai além do exercício do mandato e defende a continuidade das ações de conscientização, prevenção e acolhimento.
“Meu compromisso com as mulheres de Cuiabá não depende de cargo. Vou continuar defendendo essa causa porque acredito que nenhuma mulher pode ficar desamparada. Quero uma cidade onde todas possam viver com liberdade, segurança e dignidade, sem medo de terminar um relacionamento, sair de casa ou recomeçar a própria vida”, conclui Calil.
Denuncie
Mulheres que enfrentam situações de violência podem buscar ajuda e orientação. Em casos de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190. Para denúncias e informações sobre a rede de atendimento às mulheres, o Ligue 180 funciona gratuitamente em todo o Brasil
