MPE: coronel chefiava grupo de pistolagem que matou Zampieri

O promotor de Justiça Samuel Frungilo afirmou que investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal comprovaram que o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas chefiava uma organização criminosa especializada em pistolagem em Minas Gerais, que teria sido contratada para assassinar o advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá.

A declaração foi dada à imprensa antes do início do julgamento dos três acusados pelo assassinato do jurista, nesta terça-feira (29), no Fórum de Cuiabá.

Além de Caçadini, acusado de financiar o homicídio, também serão julgados Antônio Gomes da Silva, executor confesso do crime, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, suspeito de intermediar a contratação do assassino.

“Está provado nos autos pelas investigações da Polícia Civil e, depois, pelas investigações levadas a efeito pela Polícia Federal, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, que o coronel Caçadini integrava e chefiava uma organização criminosa de pistolagem em Minas Gerais”, afirmou.

Essa organização foi contratada para matar o Roberto Zampieri e foi o que eles fizeram”, acrescentou.

O promotor afirmou ainda que os acusados deverão responder posteriormente por integrar organização criminosa em outro processo.

“Eles serão julgados hoje e, posteriormente, acredito que em breve, serão julgados os mandantes e os outros integrantes da organização criminosa, que já foram denunciados, estando a maioria deles, inclusive, presos, aguardando o julgamento”, afirmou.

De acordo com Frungilo, as investigações apontam o casal de fazendeiros Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, de Rondonópolis, como mandantes do assassinato.

O promotor, porém, afirmou que um inquérito complementar foi instaurado a pedido do Ministério Público para apurar a eventual participação de outras pessoas na ordem para matar Zampieri.

“O casal está comprovado que foram os mandantes. Agora, se tem outros mandantes, nós estamos investigando”, declarou.

Pena

Questionado sobre a pena que poderá ser aplicada aos três réus, Frungilo afirmou que é difícil prever a decisão do juiz, mas disse que o Ministério Público pedirá a condenação por homicídio triplamente qualificado.

Segundo ele, as qualificadoras envolvem promessa de recompensa, uso de arma de fogo de uso restrito e recurso que dificultou a defesa da vítima.

“É difícil prever qual vai ser a pena aplicada pelo magistrado, mas o pedido do Ministério Público é que eles sejam condenados por homicídio triplamente qualificado, mediante paga, promessa de recompensa, utilização de arma de uso restrito e utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima”, afirmou.

Veja vídeo

Para o promotor, a pena poderá se aproximar do máximo previsto. “Acredito que a pena se aproximará do máximo de 30 anos”, disse.

O julgamento

A sessão é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá.

Antônio Gomes da Silva é apontado como executor do crime e confessou ter efetuado os dez disparos que mataram o advogado. Hedilerson Fialho Martins Barbosa é acusado de intermediar a contratação e de ter levado a arma utilizada no crime. Já Caçadini é apontado como responsável por financiar a execução.

Zampieri foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, próximo ao escritório de advocacia onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Segundo as investigações, a possível motivação do crime estaria relacionada a uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.

O casal Aníbal e Elenice é apontado como mandante e responde a um processo separado.

O julgamento dos três réus estava previsto para julho, mas foi interrompido depois que um dos jurados passou mal e precisou de atendimento médico. O juiz dissolveu o Conselho de Sentença e determinou a realização de um novo júri.

As investigações sobre a morte de Zampieri também levaram a Polícia Federal a apurar a suposta atuação de um grupo denominado Comando C4, sigla para “Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”. Conforme a investigação, o grupo teria atuação em crimes como espionagem e homicídios sob encomenda.

O caso também desencadeou investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados de Mato Grosso e integrantes de tribunais superiores.

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