A Polícia Civil investiga o possível envolvimento de um subtenente da Polícia Militar na fuga de Fabiano Oliveira Borges, conhecido como “Pepi”, apontado como autor do feminicídio de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos. A jovem foi morta com um tiro na nuca na manhã de sábado (15), dentro da kitnet onde morava, no bairro Alvorada, em Cuiabá.
O policial militar foi conduzido à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na manhã desta segunda-feira (17) para prestar depoimento. Fabiano continua foragido.
Durante as investigações, os policiais identificaram que o subtenente manteve contato telefônico com o suspeito após tomar conhecimento de que ele era procurado pelo feminicídio. Segundo o delegado Bruno Abreu, responsável pelo caso, a conversa durou cerca de oito minutos. A Polícia Civil agora apura se o contato teve alguma relação com a fuga de Fabiano.
LIGAÇÃO CHAMOU ATENÇÃO
Conforme o delegado, o policial tomou conhecimento de que Fabiano estava sendo procurado por volta das 10h40 de sábado, após informações sobre o crime circularem em um grupo de WhatsApp de policiais.
O subtenente conhecia Fabiano por ser cliente da loja PepiCell Assistência Técnica, onde costumava levar aparelhos eletrônicos para manutenção. Após tomar conhecimento de que o suspeito era procurado pelo feminicídio, o policial tentou entrar em contato com ele. Fabiano não teria atendido inicialmente, mas retornou a ligação cerca de dez minutos depois. A conversa durou aproximadamente oito minutos.
Para Bruno Abreu, o tempo de duração do contato chamou a atenção da investigação, principalmente porque Fabiano já era procurado pela polícia e ainda estava em Cuiabá naquele momento.
“Era uma ligação extensa para alguém que apenas vai ligar para uma pessoa e tentar fazer com que ele se entregasse”, explicou o delegado.
Segundo ele, caso a informação sobre a localização ou o contato com o suspeito tivesse sido repassada imediatamente, havia possibilidade de a prisão ter ocorrido antes de Fabiano deixar a cidade.
Apesar das suspeitas, o delegado ressaltou que ainda não é possível afirmar que o subtenente tenha efetivamente ajudado na fuga. A hipótese será analisada a partir dos depoimentos, registros telefônicos e demais elementos reunidos durante a investigação.
LOJA É ENCONTRADA REVIRADA
A Polícia Civil também cumpriu um mandado de busca e apreensão na loja PepiCell Assistência Técnica, localizada no bairro Alvorada e pertencente a Fabiano. O estabelecimento, que também era utilizado pelo suspeito como moradia, foi encontrado arrombado e completamente revirado.
Durante as diligências, os policiais também encontraram um computador com uma conversa de WhatsApp aberta. O conteúdo passou a integrar os elementos analisados pela equipe responsável pelo caso.
A investigação busca reconstruir os passos de Fabiano antes e depois do assassinato e identificar quem teve contato com ele desde o crime.
CRIME PREMEDITADO
Outro ponto que chamou a atenção da Polícia Civil foi uma mala com roupas que Fabiano teria deixado na casa de Ana Cristina logo antes do crime. Para os investigadores, o objeto pode indicar que o suspeito planejava criar um álibi que apontasse para sua ausência no momento do assassinato. Uma das hipóteses analisadas é de que ele pretendia alegar que estava viajando.
A mala, no entanto, acabou permanecendo no imóvel porque Fabiano fugiu de motocicleta após o disparo. A polícia também apura o comportamento do suspeito no dia anterior ao crime. Uma testemunha relatou que ele esteve na residência de Ana Cristina por volta das 18h de sexta-feira (14) e deixou a motocicleta em uma posição considerada incomum.
O FEMINICÍDIO
Ana Cristina Pacheco Matos foi assassinada na manhã de sábado (15), dentro da kitnet onde morava, no bairro Alvorada. Segundo a investigação, Fabiano teria atirado contra a jovem e atingido a região da nuca.
O crime teria ocorrido na presença do filho da vítima, de apenas três anos. Após o disparo, Fabiano teria deixado o imóvel e fugido em uma motocicleta. A vítima foi encontrada gravemente ferida depois que uma testemunha avisou familiares sobre o barulho de um tiro.
Ana Cristina foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas não resistiu aos ferimentos. O relacionamento entre ela e Fabiano havia começado aproximadamente um mês antes do crime. Além do menino de três anos, Ana Cristina deixou outro filho.
A Polícia Civil continua as buscas por Fabiano e trabalha para esclarecer as circunstâncias do assassinato, verificar se houve planejamento e identificar se outras pessoas contribuíram, de alguma forma, para a fuga do principal suspeito.
NOTA DA PM
A Polícia Militar de Mato Grosso esclareceu que não procede a informação de que o subtenente tenha sido detido por envolvimento na fuga do suspeito de feminicídio ocorrido em Cuiabá.
Segundo a corporação, o militar prestou depoimento espontaneamente na DHPP nesta segunda-feira (17). Conforme a PM, ele relatou que tentou entrar em contato com Fabiano para intermediar a prisão e forneceu aos investigadores informações sobre o suspeito.
A Polícia Militar informou ainda que atua nas buscas para localizar Fabiano e que o caso segue sob investigação da Polícia Civil. Com informações do SBT Cuiabá
