rês políticos de Mato Grosso aparecem na lista apreendida pela Polícia Federal, durante a Operação Lava Jato, que indicam possíveis repasses da empreiteira Odebrecht. O documento, que estava com o presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior, conta com os nomes do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Guilherme Maluf (PSDB), e do ex-senador Antero Paes de Barros.

Nas planilhas, o nome de Silval aparece ao lado do codinome “Boiadeiro”. Nas colunas seguintes, há a informação de que teriam sido repassados R$ 500 mil.

A mesma quantia teria sido destinada a Maluf, que tem o nome incluído em outro documento. Já no caso de Antero, há o registro de data, 29 de setembro de 2010, e a sinalização de que R$ 80 mil haviam sido repassados.

No entanto, não há o registro formal de que a empresa tenha doado diretamente o dinheiro listado para as campanhas, que tiveram as prestações de contas aprovadas pela Justiça Eleitoral.No caso de Antero, há ao lado do valor a data de 29 de setembro de 2010.

Analisando a lista de doadores é possível verificar que no mesmo dia houve um repasse de R$ 100 mil do Diretório Nacional do PSDB. “Nunca fiz nenhum pedido para qualquer pessoa da Odebrecht. O que os registros mostram, de forma clara, é que esse dinheiro foi doado ao partido e, pelo fato de haver com as mesmas siglas os nomes de outros políticos que disputavam as eleições naquele ano, o pedido foi feito pelo Diretório Nacional”.

A sigla citada por Antero é a “CMF”. Para os investigadores, ela representa Cláudio Melo Filho, responsável pela área de Relações Institucionais da Odebrecht.

Ele aparece como solicitante dos recursos, o que reforça a tese de que a empresa realizava o que era chamado de doação oculta, quando o dinheiro era repassado aos partidos e depois aos candidatos, em muitos casos sem que eles soubessem a origem do dinheiro. Ao saber da citação ao seu nome, Maluf também se pronunciou e negou qualquer recebimento ou pedido feito à Odebrecht nas campanhas de 2012, quando tentou a Prefeitura de Cuiabá e acabou derrotado, e 2014, quando se reelegeu deputado estadual. “Isso me causou surpresa. Procurei minha prestação de contas e não há nenhuma doação da Odebrecht. Nunca vi ninguém da Odebrecht na minha frente, nem diretor, nem presidente, nem funcionário, nem sei que obras eles possuem em Mato Grosso”.

Nas duas campanhas, o parlamentar recebeu R$ 155 mil do PSDB. Já com Silval, a situação é semelha-te.

Embora nenhum representante tenha se pronunciado publicamente, nas contas prestadas por ele e aprovadas pela Justiça não há qualquer menção ao nome da empreiteira. Também neste caso, é possível verificar a existência de repasses da direção do PMDB.

Os documentos revelados nesta terça-feira (22) foram apreendidos pelos policiais na 23ª fase da Operação Lava Jato, denominada Acarajé. A relação contém o nome de mais de 200 políticos, de 18 partidos.

fonte  folha max

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