Para justificar a prisão preventiva do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e do ex-secretário de Estado Pedro Nadaf  na Operação Seven deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) que apura um esquema de desvio de R$ 7 milhões por meio de fraude na Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso), a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, alegou que ambos compõem uma organização criminosa em pleno funcionamento que não encerrou suas atividades com o desligamento da ocupação de cargos na máquina pública. Selma está de férias.

Na decisão de 76 páginas, a magistrada cita que ambos detém influência política na administração pública a exemplo seus ex-assessores diretos. “Observo que Silval da Cunha Barbosa e Pedro Jamil Nadaf foram até pouco mais de um ano atrás, os homens mais fortes do Poder Executivo deste Estado. Além destes, Afonso Dalberto e José de Jesus Nunes Cordeiro eram, também, figuras proeminentes do primeiro escalão mato-grossense. Os indiciados detêm vasto poder político e grande poder de penetração em todas as esferas da Administração Pública Estadual”.

O poder acumulado na esfera pública no período em que administrou o Estado não cessou a influência política. “O fato de não mais exercerem diretamente os cargos públicos que detinham na época dos acontecimentos narrados nestes autos não impede que usem de seu prestígio político para conseguir objetivos escusos, especialmente em relação aos servidores públicos de carreira que remanesceram nos locais onde os fatos tiveram palco”, diz um dos trechos.

A magistrada ainda ressaltou os fortes indícios de crimes permanentes cometidos pelo ex-governador Silval Barbosa e pelo ex-secretário Pedro Nadaf, o que em sua avaliação seria uma organização criminosa disposta a cometer vários delitos e prejudicar a ordem pública e o andamento do processo penal. Foi citado que em outros processos criminais, Silval Barbosa se encarregou de pressionar membros da CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa para impedir que irregularidades viessem a tona.

Além disso, explorou o prestígio e força política de seu partido, o PMDB, para intermediar um diálogo com o vice-presidente da República, Michel Temer, com o intuito de conseguir decisão favorável no STJ (Superior Tribunal de Justiça), para sua esposa, Roseli Barbosa, ser colocada em liberdade. “Na verdade, o que parece se afigurar com nitidez existência de uma organização criminosa, chefiada pelo indiciado Silval da Cunha Barbosa, o qual, assessorado por pessoas que compunham o alto escalão do Governo mato-grossense, comandou a prática de vários delitos, isto já considerando outros fatos que ainda estão sob investigação. Esta organização criminosa parece estar em pleno funcionamento e ainda oferecer sérios riscos à ordem pública e à instrução processual. Daí a necessidade de que seus principais membros sejam mantidos em cárcere, único meio capaz de diminuir-lhe as forças e mantê- la sob controle”, completou.

DUAS PRISÕES

Silval está preso no centro de custódia por conta de duas operações. Além da Seven, ele está detido em decorrência da “Operação Sodoma”, sendo que nesta terça-feira o Supremo Tribunal Federal deve decidir sobre o mérito de um pedido de habeas corpus.

Dos cinco ministros que compõem a primeira Turma do STF, dois já votaram pela concessão do habeas corpus ao ex-governador. Outros três magistrados irão expor suas opiniões na tarde desta terça-feira.

Fonte : Folha MAX

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *