Em Cuiabá já se tornou comum condutores de carros ou motocicletas serem abordados por um guardador de veículo ou “flanelinha”, como são mais conhecidos, ao tentarem estacionar em vias públicas. De acordo com a Secretaria de Ordem Pública, não existe um levantamento preciso de quantas pessoas atuam nesse ramo ilegal, mas pode-se afirmar que só na região central da cidade existem cerca de 100 “flanelinhas”.

Desde setembro do ano passado, a pasta vem deflagrando operações de combate a esse tipo de “serviço”, visando garantir a segurança da população.

Este ano, já foram realizadas três ações, sendo que a última ocorreu na segunda-feira (22), na avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA). Durante a operação, 16 “flanelinhas” foram autuados e receberam orientações quanto ao processo da ação. No total, só neste mês somaram-se 42 autuações, sendo que dessas, duas se tratavam de reincidentes. Por este motivo, os dois guardadores de veículos foram encaminhados à Delegacia Judiciária Civil. No local, prestaram esclarecimentos, sendo liberados em seguida.

Segundo o secretário-adjunto de Ordem Pública, Zilmar Dias da Silva, as operações serão realizadas durante todo o ano, pelo menos duas vezes a cada mês. Ele pontua que as ações são necessárias para proteger a população, uma vez que além da atividade ser ilegal, existe uma série de situações que colocam a segurança da população em risco. “É por isso que as operações estão ocorrendo em parceria com a Polícia Militar. Temos registros de casos de extorsão e ameaça à integridade de cidadãos”.

Zilmar ressaltou que é de extrema importância que a população não se submeta à prestação desse tipo de serviço, pois além de não estar garantindo a proteção do seu veículo, a pessoa ainda alimenta essa prática ilegal. “O mal tem que ser cortado pela raiz. Se os motoristas não pagarem por uma falsa segurança, não tem porquê os flanelinhas continuarem na rua. Melhor ainda, se as pessoas denunciarem à secretaria, pois ajudará no trabalho de fiscalização”.

O secretário pontuou que a intenção do Município não é prejudicar aqueles que trabalham na rua. Porém, por lei, serviço ilegais devem ser impedidos de serem realizados nas ruas. “Não apenas tiramos esses homens da rua, mas também os orientamos a buscar o serviço formal”, finalizou.

80% são dependentes de drogas

Um dos procedimentos realizados pela Secretaria de Ordem Pública durante as autuações dos “flanelinhas” é o levantamento socioeconômico. O último realizado aponta que 80% dos guardadores ilegais são dependentes químicos de algum tipo de droga ou álcool. Com base em um questionário é possível fazer o encaminhamento dos autuados para uma das unidades de atendimento do Município.

Na última operação realizada pela pasta, os dois homens que foram encaminhados à Delegacia de Polícia informaram ser dependentes alcoólicos. “Eles serão encaminhados para um dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) ou Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) para tratamento e posteriormente serão encaminhados ao mercado de trabalho”, explica o secretário de Ordem Pública, coronel Henrique de Souza.

O gestor ressalta que as ações que acontecerão durante todo o ano não visam apenas a notificação da prática ilegal da profissão, mas servirão também para oferecer ajuda aos que desejam sair das ruas. “Nós quanto Executivo Municipal temos que prestar todo o auxílio que estiver ao nosso alcance. É importante salientar que deve ser feito também um estudo para descobrir o que leva as pessoas a trabalharem na rua e de que forma essa situação pode ser revertida”.

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