Nascido no Paraná, parlamentar chegou a Mato Grosso ainda adolescente, trabalhou como frentista, foi vereador, prefeito por dois mandatos e conquistou a presidência da Assembleia Legislativa; agora assume pela segunda vez o comando do Estado
Nesta sexta-feira (6), o deputado estadual Max Joel Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), assume interinamente o comando do Estado, em substituição ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que se ausentará para participar da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), na Turquia.
A transmissão do cargo representa mais um capítulo de uma trajetória política construída ao longo de mais de duas décadas. De vereador de uma cidade do interior a uma das principais lideranças do Legislativo estadual, Russi alcança novamente o posto máximo do Executivo mato-grossense, ainda que temporariamente.
O parlamentar responderá pelo governo durante a ausência de Pivetta, prevista até 18 de novembro.
DO PARANÁ PARA MATO GROSSO: O COMEÇO DE UMA HISTÓRIA
Nascido em 21 de março de 1976, no município de Salto do Lontra, no interior do Paraná, Max Russi chegou a Mato Grosso ainda adolescente, acompanhando o movimento de milhares de famílias que buscaram novas oportunidades no Estado.
Foi em Jaciara, município do Vale do São Lourenço, que encontrou as condições para construir sua vida pessoal, profissional e política.
Antes de conquistar mandatos e ocupar gabinetes, Russi conheceu a rotina do trabalho no comércio. Uma das passagens mais marcantes de sua biografia é o período em que trabalhou abastecendo veículos em um posto de combustível.
Com o passar dos anos, tornou-se empresário e ampliou sua participação na comunidade.
A aproximação com a política começou nas atividades comunitárias e esportivas, incluindo sua participação em movimentos de jovens e na direção de uma equipe de futebol.
A experiência abriu caminho para aquilo que se transformaria em sua principal atividade: a vida pública.
A PRIMEIRA VITÓRIA: VEREADOR DE JACIARA EM 2000
O ano de 2000 marcou o início oficial da carreira política de Max Russi.
Ainda jovem, disputou uma vaga na Câmara Municipal de Jaciara e foi eleito o vereador mais votado do município.
A conquista abriu as portas da política institucional e deu projeção ao nome de Russi no Vale do São Lourenço.
Dois anos depois, em 2002, arriscou um passo maior: disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Não conseguiu se eleger naquela oportunidade, mas a experiência ampliou suas ambições políticas.
Seu próximo desafio seria ainda maior.
DE VEREADOR A PREFEITO: A CONQUISTA DA PREFEITURA DE JACIARA
Em 2004, Max Russi disputou a Prefeitura de Jaciara pelo Partido Liberal (PL) e venceu as eleições com 6.992 votos.
A vitória representou uma mudança decisiva em sua trajetória. O jovem que havia começado a trabalhar em um posto de combustível passava a administrar um município inteiro.
Russi assumiu a prefeitura em janeiro de 2005 e, quatro anos depois, conquistou a reeleição.
Na disputa de 2008, já pelo Partido da República (PR), obteve 9.636 votos, consolidando sua força eleitoral na região.
Foram oito anos consecutivos à frente do Executivo municipal, entre 2005 e 2012.
Durante suas administrações, destacou iniciativas relacionadas à educação, ampliação de vagas em creches e desenvolvimento econômico, incluindo a implantação de um distrito industrial.
Ao deixar a prefeitura, havia construído uma base política que serviria de sustentação para seus próximos desafios.
O SALTO PARA A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Depois de comandar Jaciara por dois mandatos, Max Russi voltou sua atenção para a política estadual.
Em 2014, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), conquistou sua primeira cadeira na Assembleia Legislativa, com 20.690 votos.
Quatro anos depois, em 2018, foi reeleito com 35.042 votos.
Em 2022, ampliou expressivamente sua votação, alcançando 70.328 votos.
A ascensão eleitoral continuou em 2026.
Nas eleições de 4 de outubro, já filiado ao Podemos, Max Russi recebeu 86.934 votos e tornou-se o deputado estadual mais votado de Mato Grosso.
O resultado confirmou sua expansão política para além de Jaciara. O parlamentar recebeu votos nos 142 municípios mato-grossenses.
Somente em Cuiabá, conquistou 14.981 votos. Em Jaciara, sua principal base eleitoral, obteve outros 7.179 votos.
Os números evidenciam a transformação de uma liderança municipal em um político com presença eleitoral em todas as regiões do Estado.
SECRETÁRIO DE ESTADO E PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA
A trajetória de Russi não ficou restrita aos mandatos parlamentares.
Durante o governo de Pedro Taques, exerceu o cargo de secretário estadual de Trabalho e Assistência Social, participando da implantação do programa Pró-Família, posteriormente incorporado à política estadual de assistência social.
Também ocupou a chefia da Casa Civil, uma das funções mais estratégicas da estrutura governamental, responsável pela articulação política e institucional do Executivo.
Na Assembleia Legislativa, ampliou seu espaço de influência ao exercer funções na Mesa Diretora.
Em fevereiro de 2021, conquistou pela primeira vez a presidência do Parlamento estadual.
Em agosto de 2024, foi eleito novamente para presidir a Assembleia Legislativa, desta vez por unanimidade, para o biênio 2025-2026.
A ascensão à presidência consolidou seu protagonismo nas decisões políticas e administrativas do Legislativo mato-grossense.
PELA SEGUNDA VEZ, NO COMANDO DO ESTADO
A chegada ao Palácio Paiaguás não é inédita na carreira de Max Russi.
Em junho de 2021, o parlamentar também assumiu interinamente o Governo de Mato Grosso, durante a ausência do então governador Mauro Mendes e do vice-governador Otaviano Pivetta.
Agora, cinco anos depois, o cenário se repete, mas com uma diferença importante: Pivetta ocupa a chefia do Executivo estadual, após a saída de Mauro Mendes.
Com o cargo de vice-governador atualmente vago, a responsabilidade de substituição recai sobre o presidente da Assembleia Legislativa, conforme a ordem constitucional de sucessão.
A viagem de Pivetta à Turquia está relacionada às discussões internacionais sobre mudanças climáticas, preservação ambiental, créditos de carbono e desenvolvimento sustentável.
Durante a ausência do governador, Max Russi será responsável pela continuidade administrativa do Estado.
Em declaração à imprensa, o presidente da Assembleia agradeceu a oportunidade e afirmou que pretende manter as ações previamente organizadas por Pivetta, sem mudanças nas prioridades administrativas.
DA PEQUENA JACIARA AO CENTRO DO PODER POLÍTICO DE MATO GROSSO
A história de Max Russi reúne uma sequência de transformações que poucas carreiras políticas conseguem alcançar.
O adolescente que deixou o Paraná encontrou em Mato Grosso oportunidades de trabalho e crescimento. O trabalhador de posto de combustível tornou-se empresário. O líder comunitário conquistou uma cadeira de vereador.
O vereador virou prefeito. O prefeito foi eleito deputado estadual. O deputado chegou à presidência da Assembleia Legislativa e, agora, pela segunda vez, assume temporariamente o Governo de Mato Grosso.
Sua trajetória também acompanha a transformação política do Estado, onde lideranças surgidas no interior passaram a ocupar posições centrais na administração estadual.
A chegada ao Palácio Paiaguás, porém, não representa a conquista de um mandato próprio de governador. Trata-se de uma substituição constitucional, limitada ao período de ausência do titular.
Ainda assim, o episódio possui significado político e simbólico.
Mais de duas décadas depois de conquistar sua primeira eleição em Jaciara, Max Russi chega novamente ao comando de Mato Grosso. Uma trajetória que começou nas ruas de uma cidade do interior e alcançou o centro das decisões de um dos maiores estados do Brasil.
O posto de combustível ficou no passado. A cidade que abriu as portas da política permanece como sua principal referência eleitoral. E o Palácio Paiaguás, antes distante de sua realidade, agora faz parte de sua história.
