O Vereador do Podemos recebeu os 27 votos e transformou em consenso uma disputa que dividiu a Casa durante meses; Dilemário desistiu da candidatura na reta final e grupo de Abilio aderiu à chapa
O vereador Ilde Taques (Podemos) foi eleito por unanimidade, nesta terça-feira (6), presidente da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027/2028. À frente da chapa Lealdade e Compromisso, o parlamentar recebeu os votos dos 27 vereadores e transformou em consenso uma disputa que, durante meses, dividiu grupos dentro do Legislativo e mobilizou também o Palácio Alencastro.
A votação confirmou uma virada construída nos últimos dias. Até a reta final das articulações, Ilde contabilizava 15 apoios declarados, apenas um acima dos 14 necessários para formar maioria absoluta na Casa.
A unanimidade só foi consolidada depois que o grupo adversário desistiu de apresentar uma chapa para enfrentá-lo.
Durante as articulações, aliados do prefeito Abilio Brunini (PL) tentaram inicialmente manter a atual presidente, Paula Calil (PL), no comando da Câmara. Com os obstáculos regimentais para viabilizar a recondução, o vereador Dilemário Alencar (União Brasil) surgiu como alternativa.
Na semana passada, Dilemário chegou a reunir 13 vereadores, enquanto Ilde afirmava contar com 15 votos. A disputa, naquele momento, indicava uma eleição apertada.
DILEMÁRIO DESISTE
O cenário começou a mudar na segunda-feira (5), quando a base do prefeito reconheceu a dificuldade de construir maioria. Abilio reuniu aliados, admitiu publicamente que Ilde seria o próximo presidente e liberou os vereadores para definirem individualmente seus posicionamentos.
Nesta terça, horas antes da votação, Dilemário anunciou a retirada de sua candidatura. Sem adversário, Ilde ampliou o bloco que havia construído nas semanas anteriores e recebeu o apoio integral dos 27 parlamentares.
A eleição unânime encerra uma disputa que ultrapassou os limites da própria Câmara e envolveu diferentes forças da política estadual.
PAULA NÃO CONSEGUIU VIABILIZAR REELEIÇÃO
A primeira alternativa do grupo governista havia sido a permanência de Paula Calil na presidência.
O Regimento Interno, porém, impede a recondução para o mesmo cargo dentro da mesma legislatura. Para permitir uma nova candidatura seria necessária uma mudança nas regras da Casa, dependente de quórum qualificado. A controvérsia sobre a alteração chegou ao Judiciário.
Sem votos suficientes para assegurar a mudança e diante do crescimento da candidatura adversária, a tentativa de recondução perdeu força.
Dilemário passou então a ser trabalhado como opção para enfrentar Ilde, mas também não conseguiu formar a maioria necessária.
CHAPA REÚNE CINCO PARTIDOS
A composição da nova Mesa mostra a amplitude da aliança construída pelo presidente eleito.
Além de Ilde, do Podemos, a chapa terá Eduardo Magalhães (Republicanos) na vice-presidência e Maria Avalone (PSDB) na 2ª Vice-Presidência.
Adevair Cabral (Solidariedade) ocupará a 1ª Secretaria, enquanto Michelly Alencar (União Brasil) ficará na 2ª Secretaria.
Ilde assumirá efetivamente o comando da Câmara em janeiro de 2027, sucedendo Paula Calil.
RELAÇÃO COM ABILIO
Apesar de ter enfrentado resistência do grupo político do prefeito durante boa parte da disputa, Ilde sinaliza que sua eleição não significará automaticamente a transformação da Câmara em um bloco de oposição ao Executivo.
Durante as articulações, ele lembrou que apoiou projetos encaminhados por Abilio ao Legislativo e defendeu a manutenção do diálogo institucional entre os dois Poderes.
O futuro presidente, entretanto, pretende modificar a forma como essa relação funciona.
Uma das propostas defendidas por Ilde é ampliar a participação do Colégio de Líderes e dos próprios vereadores nas negociações dos projetos enviados pela Prefeitura. A intenção é evitar que as discussões mais importantes fiquem concentradas apenas entre o prefeito e o presidente da Câmara.
A eleição unânime dá a Ilde uma base política ampla para iniciar o mandato, mas também aumenta a responsabilidade de administrar um grupo formado por governistas, independentes e oposicionistas.
Depois de meses de uma disputa marcada por divisões e articulações nos bastidores, o novo presidente chega ao comando da Câmara com algo que parecia improvável até poucos dias atrás: os votos de todos os 27 vereadores de Cuiabá.
