A Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, revelou novos detalhes sobre a estrutura financeira atribuída ao Comando Vermelho no Estado e apontou que o jogador de futebol amador Alex Júnior exercia um papel estratégico na engrenagem responsável por movimentar e ocultar recursos da organização criminosa. Preso durante a ofensiva realizada na última quinta-feira (30), ele é investigado por atuar diretamente ao lado de Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “WT”, apontado pelas autoridades como o principal responsável pelo setor financeiro da facção fora do sistema prisional.
Durante entrevista coletiva, o delegado Victor Hugo Caetano, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou que Alex Júnior era muito mais do que um integrante do time de futebol Amigos WT. Segundo as investigações, o atleta amador integrava o círculo de confiança do líder criminoso e desempenhava funções ligadas à movimentação e ocultação de dinheiro obtido por atividades ilícitas.
De acordo com o delegado, Alex já possui passagens anteriores pela polícia e continuava exercendo funções consideradas essenciais para a manutenção da estrutura financeira da facção. Conforme a investigação, ele seria um dos responsáveis por executar determinações repassadas por WT, auxiliando na lavagem de capitais e em outras atividades destinadas a preservar o patrimônio do grupo criminoso.
Mesmo recolhido na Penitenciária Central do Estado (PCE) desde março de 2024, quando foi preso durante a Operação Apito Final, WT, segundo a Polícia Civil, jamais deixou de comandar o núcleo financeiro da organização. A investigação identificou que aparelhos celulares introduzidos ilegalmente na unidade prisional permitiam que ele continuasse transmitindo ordens aos comparsas, determinando negociações envolvendo imóveis, veículos de alto padrão, movimentações financeiras, ocultação patrimonial e até ações violentas atribuídas ao grupo criminoso.
As apurações apontam que a Replay é resultado da continuidade de uma série de investigações iniciadas nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. Ao longo desse período, os investigadores identificaram uma sofisticada rede de pessoas físicas e empresas utilizadas para mascarar a origem do dinheiro proveniente das atividades ilícitas da facção, utilizando terceiros, contratos simulados e bens registrados em nome de “laranjas”.
A ofensiva mobilizou equipes em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridas 55 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema e na capital fluminense. Entre os alvos presos estão, além de Alex Júnior, a advogada e influenciadora Dayana Karol Moreira da Silva, investigada por supostamente utilizar sua atuação profissional para ocultar imóveis de luxo em nome de terceiros, e o assessor parlamentar Brunno Passos da Silva, suspeito de integrar a engrenagem financeira da organização criminosa. WT, que já estava preso, também foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva.
Como parte das medidas judiciais autorizadas durante a operação, a Polícia Civil sequestrou nove imóveis, apreendeu seis veículos e obteve o bloqueio de aproximadamente R$ 18 milhões em bens e ativos financeiros. Segundo os investigadores, o objetivo é atingir diretamente a estrutura econômica da facção, impedindo que o grupo continue utilizando patrimônio e empresas para movimentar recursos provenientes do crime organizado.
Para a Polícia Civil, a Operação Replay representa mais um avanço no desmantelamento da rede financeira do Comando Vermelho em Mato Grosso. As investigações prosseguem para identificar outros integrantes, localizar novos bens ocultados e aprofundar o rastreamento do fluxo de recursos que, conforme a apuração, sustentava as atividades da organização criminosa mesmo com seu principal operador financeiro preso em uma unidade de segurança máxima.
