Delegada pede para investigar juíza, procuradora e delegado

A delegada responsável pela força-tarefa da Grampolândia Pantaneira, Ana Cristina Feldner, apresentou indícios de possíveis crimes cometidos que não têm conexão com os interceptações telefônicas clandestinas envolvendo membros da Polícia Civil, Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e Poder Judiciário.

Na prática, segundo despacho da força-tarefa, o delegado Gustavo Garcia, a procuradora de Justiça, Ana Cristina Bardusco e a juíza aposentada Selma Arruda poderão responder em suas corregedorias por supostos crimes praticados entre 2016 e 2018.

Gustavo Garcia

Em despacho encaminhado à Polícia Civil, Feldner solicita investigação de improbidade administrativa, prevaricação, desaparecimento de documentos, falsidade ideológica e falso testemunho envolvendo delegado Gustavo Garcia, sucessor de Rogers Jarbas no comando da Secretaria de Segurança Pública do Estado em 2017.

Durante as investigações da grampolândia foi comprovado que Gustavo Garcia teria assinado a folha de ponto de uma servidora que estava atuando na 7ª Vara Criminal, como se ela estivesse em serviço na Secretaria de Estado Segurança Pública (SESP).

“Dessa forma, acreditamos que Gustavo Garcia, quando ocupou a função de secretário de Estado de Segurança Pública também incorreu, em tese, no crime de falsidade ideológica, tipificado no Art. 299, Caput do CP, valendo a pena destacar que se trata da mesma Infração Penal, em tese, praticada pelo seu antecessor Rogers Elizandro Jarbas, além do crime de prevaricação, pois ao tomar conhecimento da conduta irregular praticada por seu antecessor não tomou nenhuma providência”, diz trecho do despacho proferido na segunda-feira (13).

Feldner também solicitou que a Sesp localize as folhas de pontos de Mônica Furtado referentes aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2017, bem como de janeiro e fevereiro de 2018, já que em resposta a solicitação da Força Tarefa, a secretaria informou que não localizou tais folhas de ponto.

Ana Cristina Bardusco  

Durante investigação, a força-tarefa também identificou que a então coordenadora do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira), Ana Cristina Bardusco, chegou a assinar as folhas de ponto de vários meses, da servidora Ismaela Teixeira, que atuou no gabinete da então juíza Selma Arruda, porém, teria sido contratada para atuar no Cira.

“Vale ressaltar que analisando as folhas de ponto dos meses de setembro, outubro, dezembro de 2016 e janeiro, fevereiro, abril e maio do ano de 2017, referentes ao controle de assiduidade de Ismaela verificamos que consta também a assinatura da promotora de justiça, Ana Cristina Bardusco, como chefe imediata, não obstante a mesma laborar no gabinete da 7ª Vara Criminal e não nas dependências do CIRA, conforme informado pela mesma e também pelas demais testemunhas”, pontuou a delegada Feldner.

“Ao Ministério Público para conhecimento e análise sobre supostos Atos de Improbidade, encartados na Lei nº 8429/1992, bem como outras providências que julgarem necessárias”, completou em seu despacho.

Selma Arruda  

Já em relação a Selma Arruda, a força-tarefa aponta que a juíza aposentada teria cometido os crimes de falsidade ideológica, falso testemunho e improbidade administrativa, já que a mesma teria se beneficiado de servidores cedidos pelo Estado para atuar em seu gabinete sem o controle de pontos.

O fato foi descoberto pela força-tarefa da grampolândia pantaneira, da Polícia Civil, que encaminhará o inquérito para a corregedoria da Corte estadual.

0 Shares:
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You May Also Like