Perícia realizada pela Polícia Federal (PF) num áudio gravado pelo ex-secretário de Indústria e Comercio, Alan Zanatta, durante uma conversa com Silvio Cézar Corrêa, ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), mostra que a transcrição do arquivo apreendida na casa do prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) foi editada e alguns trechos contém “mudanças de significado e conteúdo”.

A transcrição adulterada foi apreendida na casa de Pinheiro durante a 12ª fase da Operação Ararath deflagrada em 14 de setembro por causa da delação premiada do ex-governador Silval. Com a gravação e a transcrição modificada, a defesa de Pinheiro pretendia desqualificar o acordo de delação de Silvio, que é aliado de Silval, sob alegação de que ele omitiu fatos e crimes no acordo firmado junto à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A tentativa de anular a delação é porque Emanuel Pinheiro é um dos políticos gravados recebendo maços de dinheiro e guardando no paletó na época em que era deputado estadual. Silval e Silvio afirmam nas delações, que era dinheiro de propina paga aos parlamentares troca de apoio político. Os maços de dinheiro eram entregues por Silvio em sua sala, onde ele instalou uma câmera escondida e gravou os vídeos.

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Porém, a perícia mostra que a transcriçãi do áudio omite trechos que poderiam mudar o sentido da conversa gravada. Trechos do relatório produzido por agentes da PF com o laudo da perícia foram divulgados pelo site HiperNotícias na noite desta segunda-feira (30).

“Alguns trechos, no entanto, da forma que foram transcritos – não correspondendo com as palavras proferidas por Sílvio – implicam razoável mudança de significado/sentido. Estes trechos foram destacados e encaminhados ao Setor Técnico Científico da Polícia Federal para transcrição, constam no laudo 747/2017-SETEC/SR/PF/MT”, consta no relatório do relatório do dia 10 de outubro. Quem assina o documento é o delegado Wilson Rodrigues de Souza Filho e os agentes da PF, Adha de Oliveira Omote e Marcelo Pimenta Orge.

O áudio, de 1 hora e 24 minutos, gravado por Alan Zanatta durante uma conversa no dia 28 de agosto. Silvio não sabia que estava sendo gravado. O teor da gravação foi divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo em 21 de setembro deste ano numa matéria cujo título dizia que nova gravação ameaçava delações em Mato Grosso.

Com base na transcrição apreendida na casa do prefeito, a Polícia Federal acredita que Sílvio poderia ter omitido seu patrimônio no acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF) pois que teria mencionado possuir um garimpo. No entanto, o relatório da PF destaca que “é possível perceber trechos que estão ausentes acima, bem como trecho importante transcrito de forma possivelmente equivocada”.

Em nota, o advogado André Stumpf Jacob Gonçalves, defensor de Emanuel Pinheiro, classifica o laudo da Polícia Federal como “inteiramente subjetivo” já que apenas faz comparativo entre as matérias elaboradas pelas mídias locais, com o material periciado a pedido da defesa de Pinheiro.
Argumenta ainda que o prefeito irá se manifestar nos autos do processo, no momento adequado e emitir seu juízo de valor sobre o áudio e as provas que ele acredita que vão restabelecer a verdade.

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