em saber quando Joesley e Wesley sairão da prisão, a família Batista organizou-se para reforçar sua presença nos negócios, escalando para as principais empresas parentes que estavam fora do conglomerado ou que ocupavam posições de menos destaque no grupo.

No papel, a J&F pertence apenas aos dois irmãos presos. Mas tanto na holding, antes chefiada por Joesley, quanto na JBS, que era comandada por Wesley, familiares foram convocados a atuar. Com isso, perdeu força a tese de que o grupo caminhava para a profissionalização.

Na J&F, José Antônio Batista Costa, filho de Vanessa Mendonça Batista, uma das três irmãs de Joesley e Wesley voltou a ser visto nos corredores da companhia. Ele já havia trabalhado na JBS entre 2013 e 2015, mas atuava desde então como diretor da VNMB Participações, companhia de investimentos de sua mãe.

Oficialmente, a holding J&F é tocada pelo paranaense Ricardo Menin Gaertner, executivo que está há cinco anos no grupo. Advogado, começou no Banco Original. Em 2014, virou gerente jurídico da J&F e, com a mudança de Joesley para o status de delator, passou a exercer o cargo de presidente.

Gaertner é a face pública da J&F e atual interlocutor da empresa com potenciais compradores, representantes de credores e advogados. Ele costuma ter a companhia, porém, do advogado Francisco de Assis, que monitora de perto o que acontece na holding ao lado de José Antônio Batista Costa.

Com a previsão do julgamento do habeas corpus impetrado por seus advogados para tirar Wesley Batista da prisão, a expectativa da família é que ele possa retornar ao menos para a J&F.

Comunicação. Homem de confiança da família e há anos no grupo, Assis ajudou a costurar o acordo de colaboração premiada dos Batistas e tornou-se ele mesmo um delator. Ele é encarregado de garantir que os rumos determinados pelos irmãos presos sejam mantidos.

É especialmente por meio dele que Joesley é atualizado do que está acontecendo em seus negócios e dá orientações – uma delas, apurou o Estado, é reforçar a posição de que certos negócios, como o Banco Original, não devem ser negociados. Assis dá expediente na J&F e visita os irmãos quase que diariamente na carceragem da PF em São Paulo, onde ambos estão detidos há quase um mês.

É também com o relato dos advogados que Wesley se informa do que acontece no mundo exterior. Na semana passada, recebeu ainda a visita de seu filho, Wesley Batista Filho. Com a saída forçada do pai da presidência da companhia de alimentos, o executivo de 26 anos deixou os Estados Unidos, onde chefiava a divisão de carne bovina, para ajudar a família na sede da empresa. Foi nomeado em seguida presidente da JBS na América do Sul e tornou-se espécie de braço direito do fundador, José Batista Sobrinho, que foi alçado ao posto de presidente global. Além de responder pela Seara, Filho tem se inteirado aos poucos de outras áreas da companhia, segundo fontes do grupo.

O retorno do patriarca, de 84 anos, ao comando da JBS é símbolo máximo do movimento de reação da família às investidas do BNDES para sacá-la do comando – sócio da JBS com 21% do capital, o banco estatal pressionava para que um executivo de mercado assumisse a companhia no lugar de Wesley.

Zé Mineiro, como é conhecido, tem recebido ainda o apoio de Aguinaldo Gomes Ramos Filho, outro de seus netos enviados para reforçar a presença da família durante a crise. Filho de Valére Batista, ele também já havia atuado na JBS em diversas áreas e chegou a presidir as operações da companhia no Uruguai e no Paraguai. Até a prisão dos tios, estava fora do grupo como diretor da VL Participações, empresa de investimentos de sua mãe.

Aguinaldo foi escalado para compor o conselho de administração no lugar de seu tio Wesley – único cargo oficial que exerce na companhia, segundo a JBS. Apesar disso, dizem executivos da empresa, é visto constantemente reunido com o avô na sede da companhia.

Futuro. Uma fonte diz que a mudança de cargo de Wesley Filho evidencia uma tentativa da família de formar uma nova liderança com o sobrenome Batista. Isso pode ser útil num momento em que tanto a J&F quanto a JBS têm dificuldade em atrair um executivo de mercado a seus quadros, por medo de imbróglios jurídicos. Com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em conflito com a JBS, o mercado vê poucas chances de selar a paz, com um nome que satisfaça o banco e também a família. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *