Depois de décadas de uma vida em que lazer e diversão eram sinônimo de beber e comer exageradamente, o empresário e bacharel em Direito Bezaliel da Silva Negrão, 35, está reescrevendo sua própria história.

O primeiro capítulo começou com a decisão de emagrecer, isso há pouco mais de dois anos. A meta era eliminar pelo menos 30 quilos. Na época, o peso dele oscilava entre 100 e 112 kg.

Antes, tomado pela ansiedade e problemas pessoais, novos e antigos, diz, buscava refúgio na bebida e na comida. Além do fim de um relacionado (do qual nasceu a filha Gabrielly, hoje com 8 anos), Negrão não conseguia superar a ausência do pai, a vida sofrida da infância e as incertezas profissionais.

Aos 11 anos, recorda, já era o homem da casa, o principal responsável em prover a família, ele a mãe e dois irmãos. A mãe fazia bolo e ele vendia nas ruas. Estudar, lembra, não era a maior prioridade já que tinha que garantir o alimento na mesa. O pai, alcoólatra, havia saído de casa quando ainda era bebê e a mãe estava no segundo casamento.

Depois, já adulto começou a se sentir atormentado pelas próprias cobranças. Estava com quase 30 anos e ainda não tinha uma profissão, não havia alcançado o sucesso que lhe garantiria as condições financeiras e o conforto que sonhara desde a infância.

Ele conta que entrou em depressão e além da bebida usou outra droga, cocaína, porém por poucas vezes. “A ressaca da droga era pior, potencializava a depressão e os sentimentos de frustração”, analisa. Quando atingiu seu peso máximo, 112 quilos, Negrão pensou em cirurgia bariátrica como alternativa para emagrecer e, acreditava, mudar sua trajetória de vida.

Desistiu de reduzir o estômago e mais uma vez, como tantas outras, começou a fazer regime. Perdia e depois ganhava peso com facilidade, vivia o chamado efeito sanfona. Por quase 10 anos ele conseguiu ficar com 90 quilos, às vezes um pouco mais.

Enquanto tentava recuperar as condições físicas, a saúde e a auto-estima, Bezaliel voltou a estudar. Fez faculdade de Direito, porém para ele a grande mudança só ocorreu ano passado. Foi quando fez uma reflexão sobre seus hábitos e os comparou aos planos que fazia desde a adolescência.

“Faltam 105 dias para acabar o ano e o que eu fiz até agora para mudar minha vida? Até então apenas o desejo de mudança e a ansiedade por não conseguir o acompanhavam. A partir daí, relata, decidiu que cuidaria mais de sua saúde, física e mental; tentaria ser um pai melhor e mais presente na vida de Gabrielly e um marido melhor para Ester, com quem se casou há dois anos.

Atualmente com 78 quilos, o lugar onde Bezaliel pode ser visto diariamente é no parque Massairo Okamura, no bairro Morada do Ouro. Também nas corridas de rua, uma modalidade de esporte que apreendeu a gostar e que já está se tornando um novo hábito.

Nos últimos quatro meses Bezaliel está treinando sob a orientação do professor e ex-corredor Edson Vieira Abreu. Além da perda de peso, ele quer se manter com mais disposição e condições de participar de corridas. “Quem treina sabe que não são todos os dias que acordamos dispostos, mas de uma coisa tenho certeza, não quero voltar ao que vivia antes”, diz.

Para ele, a maior lição que apreendeu é que “as mudanças que queremos não acontecem de um dia para o outro. E mais, exige muita paciência e determinação. Apreendeu a ter fé, fé em si e em Deus; que os meus não são problemas maiores que o das outras pessoas, e a ser grato, agradecer pelo que já conquistou, especialmente pela família.

Com a filha Gabrielly, está aprendendo a ser um pai melhor e mais presente. O mesmo faz em relação a mulher, Ester, e o filho que está por vir. Ele descobriu este mês que será pai novamente.

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