Acusações de prática de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa foram os motivos pelos quais o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux autorizou mandado de busca e apreensão contra o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi (PP), o que foi cumprido pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (14) em seu gabinete no Senado, em Brasília, no grupo Amaggi em Cuiabá, em sua casa em Rondonóplis (212 Km ao Sul) e em seu apartamento funcional em Brasília.

 

Além de Blairo Maggi, também foram alvos do mesmo pedido o senador Cidinho Santos (PR), o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico Carlos Avalone (PSDB), os irmãos deste, Carlos Eduardo Avalone e Marcelo Avalone (os três donos da construtora Três Irmãos) e o jornalista Gustavo Capilé de Oliveira, dono do jornal Diário de Cuiabá.

Conforme o Ministério Público Federal (MPF), eles são suspeitos da prática de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre 2014 e 2017, Blairo Maggi, por intermédio de outras pessoas como Gustavo Capilé e Cidinho Santos, vinha tentando obstruir a investigação criminal relativa à operação Ararath, com o objetivo de impedir a produção de provas contra ele.

De acordo com o ministro Luiz Fux, os mandados de busca e preensão foram autorizado por conta da necessidade revelada com a gravidade dos delitos supostamente praticados, que, segundo ele, dariam pena de reclusão de 3 a 8 anos, além de multa.

 

1º fato criminoso

A primeira acusação da PGR, que é assinada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, contra Blairo dá conta que em novembro de 2013, após a 1ª fase da Operação Ararath, os ex-secretários de Estado na gestão dele Eder Moraes e Eumar Novacki teriam agido em nome do ex-governador para “unificar as linhas de defesa” e solicitar ao empresário e delator Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, que “não mencionasse nada a respeito da pessoa de Blairo Maggi em seus depoimentos, com o objetivo claro de blindá-lo de quaisquer acusações”, diz trecho do documento.

Tais fatos foram relatados pelo por Júnior Mendonça, Genir Martelli e pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), tendo resultado, à época, na contratação, por todos eles, do advogado indicado por Blairo Maggi, Sebastião Monteiro.

 

2º fato criminoso

 

O segundo fato narrado pelo MPF consiste na ação de Maggi para “comprar” a retratação de Éder Moraes nos termos das declarações prestados ao Ministério Público Estadual (MPE), durante tratativas para firmar acordo de delação na Operação Ararath, em 2014.

Conforme o Gazeta Digital já havia divulgado, a mudança de versão de Eder Moraes teria ocorrido mediante o pagamento de R$ 6 milhões, dos quais metade foi pago por Silval Barbosa e a outra metade por Blairo Maggi.

Conforme delação premiada do ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Cézar Corrêa Araújo, a parte que foi paga por Blairo teria sido entregue por Gustavo Capilé. Sílvio “recebeu no seu gabinete o empresário Gustavo Adolfo Capilé de Oliveira, que se apresentou como o responsável pelo pagamento da parte de Blairo Borges Maggi”, diz trecho dos autos.

Aponta o MPF que Eder Moraes Dias recebeu o dinheiro através do empresário Celson Luiz Duarte Bezerra, com envolvimento, na intermediação do repasse, da empresa Três Irmãos Engenharia, de propriedade dos irmãos Carlos, Carlos Eduardo e Marcelo Avalone, que emitiram cheques com valores “oriundos de ‘retornos’ devidos pelos contatos administrativos vinculados à Secretaria de Infraestrutura e Programa de Obras Petrobras”.

Após receber os R$ 6 milhões, Eder Moraes realmente mudou sua versão junto ao MPE, retirando a parte que incriminava Silval e Blairo. Por outro lado, Eder Moraes afirma que apenas mudou de versão porque, na primeira ocasião, teria agido “sob forte emoção” porque estava com raiva.

 

3º fato criminoso

O terceiro fato narrado por Rodrigo Janot ao ministro Luiz Fux é relativo à suspeita de que Blairo Maggi teria oferecido vantagem indevida a Silval Barbosa, quando este ainda estava preso no Centro de Custódia da Capital (CCC), e quando começou a surgir notícias de que estaria prestes a firmar acordo de delação premiada.

Blairo Maggi teria enviado seu suplente, o senador Cidinho Santos até o CCC para levar a Silval Barbosa a promessa de que a Operação Ararath seria anulada perante a Justiça federal caso desistisse da ideia de fazer delação, ou seja, o conselho para “evitar o caminho trilhado por José Geraldo Riva, que, segundo o senador, havia confessado crimes, e mesmo assim foi condenado a penas altas”, diz trecho do documento.

A conversa com Cidinho foi gravada por Silval Barbosa e entregue ao Ministério Público Federal em sua colaboração premiada.

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