O ex-deputado Estadual José Geraldo Riva afirmou na tarde desta quarta-feira (24) não ter qualquer motivo para desconfiar da delação premiada firmada pelo ex-governador Silval da Cunha Barbosa com o Ministério Público Estadual (MPE).

“Não tenho nenhum motivo para desconfiar do Silval, para dizer que ele esteja falando mentira. Agora, só terei condições de falar que ela é fiel quando tiver acesso ao relatório”, disse o ex-deputado nos corredores do Fórum da Capital, onde compareceu a uma audiência sobre porte ilegal de munição apreendida com ele durante a deflagração da “Operação Ararath”, em 2014.

Ao Olhar Jurídico, o político negou-se a avaliar em detalhes as partes da delação que já foram reveladas na imprensa nacional. “Não gosto de comentar, porque não acho que ninguém tem ainda convicção do que ele (Silval) falou. Até agora são vazamentos e ninguém garante que seja só isso ou que isto esteja inteiramente correto. É preferível aguardar”, disse.

A crença de Riva de que Silval Barbosa traz informações importantes e verídicas ao processo é corroborada pelos autos. O ex-deputado não acrescentou qualquer modificação em sua alegação final após a decisão do ex-governador de delatar, ratificou tudo o que havia dito anteriormente.

Até o momento, o parlamentar Estadual não foi citado diretamente na delação do ex-governador, mas já se sabe pela imprensa, que Silval incriminará boa parte da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Provocado a comentar este fato, Riva declinou de tecer avaliações e reafirmou que prefere esperar o andamento da confissão de Barbosa.

José Geraldo Riva foi citado na terceira fase da “Operação Sodoma”, que revela que além dos já conhecidos personagens do esquema, Riva e Tiago Dorileo, neto do desembargador do TJ-MT Ernani Vieira, falecido em 2010, fizeram parte do esquema. Contra eles, pesam acusações de crime de concussão e fraude à licitação, entre 2013 e 2014.

Ainda de acordo com o inquérito, os dois teriam exigido e recebido à importância de R$ 2.850.000,00 do empresário Willians Paulo Mischur. “Sendo apurado que deste valor, coube a José Riva a importância de R$ 2.000.000,00 e a Tiago R$ 500.000,00”. Ainda, cerca de R$ 350.000,00 em imóveis teriam sido entregues ao o ex-secretário de Administração de Mato Grosso, Pedro Elias, conhecido como o “fiscal da propina”.

Riva não firmou qualquer acordo de delação premiada, reforçando que hoje apenas confessa seus crimes por livre e espontânea vontade.

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