A Polícia Civil confirmou que cumpre neste momento um mandado de prisão preventiva contra o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques. A prisão foi efetuada na casa dele, no condomínio Florais Cuiabá. O caso está relacionado ao envolvimento dele no esquema de escutas telefônicas clandestinas já apelidado de “grampolândia pantaneira”.

A preventiva foi decretada pelo desembargador Orlandode Almeida Perri, relator no Tribunal de Justiça de uma ação que envolve o esquema de escutas clandestinas que era operado por um núcleo da Polícia Militar ligado ao 1º escalão do governo. Mais mandados estão em fase de cumprimento.

Na época em que o esquema era operado Paulo Taques era o secretário chefe da Casa Civil no governo de seu primo Pedro Taques (PSDB) e seu nome foi apontado por vítimas das escutas e delegadas da Polícia Civil que foram ouvidas no inquérito policial instaurado para investigar o esquema de grampos.

“Cuida-se de Representação apresentada pelo delegado de Polícia Juliano Silva de Carvalho, designado nos autos do Inquérito Policial n. 78323/2017, em que se apura, dentre outras infrações penais, possível prática do crime de interceptação telefônica clandestina, na modalidade “barriga de aluguel” – ocorrida nos autos código 388156, oriunda da “Operação Forti”, que tramitou perante a Sétima Vara Criminal da Capital –, pleiteando a decretação da prisão preventiva do investigado Paulo Cesar Zamar Taques”, diz trecho do despacho de Perri.

Perri ainda diz que a interceptação telefônica da ex-amante de Paulo taques, Tatiane Sangalli, teria sido apenas um desdobramento de toda uma central clandestina. “Para melhor demonstrar a umbilical ligação das investigações levadas a efeito, ouso afirmar, sem achismo ou dedução fantasmagórica, que a inserção do terminal telefônico de Tatiana Sangalli nas operações conduzidas pela Polícia Judiciária Civil (Forti e
Querubin), no primeiro semestre de 2015 – conforme exigência do então Chefe da Casa Civil –, representou, na verdade, mero desdobramento de sua escuta clandestina, uma vez que ela já vinha sendo interceptada ilegalmente desde outubro de 2014, porque inserida ilegalmente naquela investigação conduzida perante o juízo da Comarca de Cáceres”, diz Perri.

 

Ele continua dizendo que “em outras palavras, a ex-amante do ex-Secretário Chefe da Casa Civil, ora representado, Paulo Cesar Zamar Taques, estava grampeada desde outubro de 2014 pelo propalado e inexistente Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, e seu grampo ilegal, pela Polícia Judiciária Civil, a mando de Paulo Taques, somente foi uma continuidade da infração penal há tempos praticada”.

Desde que a denúncia dos grampos foi trazida a tona pelo promotor de Justiça Mauro Zaque em rede nacional de televisão, em maio deste ano, Paulo Taques já havia sido apontado como responsável pela inslusão do telefone da suposta ex-amante, a publicitária Tatiane Sangalli, em uma ação judicial de interceptação telefônica, que tinha como objetivo investigar uma quadrilha de traficantes na fronteira de Cáceres com a Bolívia. A prática é conhecida como “barriga de aluguel”.

Taques negou e deixou o cargo de chefe da Casa Civil para advogar pelo primo, o governador Pedro Taques (PSDB), que também foi denunciado por Mauro Zaque junto a Procuradoria Geral da República por supostamente ter prevaricado ao não tomar providências em relação ao esquema, que seria operado por membros do alto escalão da Polícia Militar.

Depois que o caso começou a ser investigado, Taques voltou a ser citado. Dessa vez, por duas delegadas de polícia. Alana Souza Cardoso afirmou que recebeu ordens de Alessandra Saturnino, então secretária-adjunta de Segurança, para que incluísse o telefone de Tatiane Sangalli em uma ação de interceptação telefônica porque ela representaria perigo à vida do governador, já que teria planos de se casar com o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro.

A versão foi confirmada por Saturnino, que confirmou que o ex-secretário da Casa Civil teria repassado em um papel números de telefones da ex-amante e ex-servidora pública, Tatiane Sangalli Padilha, de sua assistente à época, Carolina dos Santos, e do jornalista de oposição José Marcondes, o Muvuca.

Taques, inclusive, teria entregue os números para serem interceptados durante a operação Forti, conduzida pela Polícia Civil em 2015, para apurar a existência “escritórios de crimes” dentro de unidades prisionais, com o intuito de promover tráfico de drogas e homicídios.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *