Menos de 24 horas após o governo federal anunciar o aumento nas alíquotas da PIS/Cofins incidentes sobre os combustíveis, postos de Mato Grosso aumentaram o preço dos produtos nas bombas. Desde a tarde desta sexta-feira (21), os consumidores da Capital, de Várzea Grande e de Tangará da Serra, por exemplo, já pagavam até 50 centavos a mais pelo litro do etanol, da gasolina e do óleo diesel.

O valor do litro da gasolina passou para até R$ 4,09, o do etanol para até R$ 2,49 e do diesel chegou a R$ 3,53. O aumento na cadeia de combustíveis provocará um efeito cascata na economia, segundo especialistas, porque o diesel, base da cadeia de transportes, resultará em aumento de 4% no custo do frete e resultará na elevação do custo de produtos básicos, como alimentos.

Em Tangará da Serra, o preço do litro do combustível aumentou até 10,5% em um posto consultado pela reportagem. Caso da gasolina que passou de R$ 3,69 para R$ 4,09. O impacto foi menor em outros combustíveis. O etanol teve reajuste de 8,7% (de R$ 2,29 para R$ 2,49) e o diesel de 7% (de R$ 3,29 para R$ 3,53). Segundo o proprietário da revenda, Fausto Masson, está cada dia mais difícil manter a margem de lucro da empresa.

“Como a gente não repassa percentual praticado pelas distribuidoras, para não majorar tanto o preço a margem de lucro diminui cada vez mais”. Ele, que atua na área há 30 anos, informa que nunca viu aumento como este. “É uma das maiores altas que já vi. Não lembro de aumento de R$ 40 centavos no litro do combustível de uma vez só”, analisa.

 

Em revendas da capital o aumento verificado pela reportagem foi de até 50 centavos. Em um posto localizado na Avenida Miguel Sutil, segundo o gerente, Vanderley França, o preço pago à distribuidora subiu de 20% a 40% nesta sexta-feira, o que resultou em reajuste nas bombas no período da tarde. Os reajustes foram de 50 centavos em todos os combustíveis. Etanol subiu 26%, passando de R$ 1,89 para R$ 2,39, gasolina 15% (de R$ 3,23 para R$ 3,73) e diesel comum 17% (de R$ 2,89 para R$ 3,39).

Em outro posto, o reajuste foi de até 11% na gasolina, que subiu de R$ 3,49 para R$ 3,89. Etanol (de R$ 2,19 para R$ 2,39) e diesel S10 (de R$ 3,69 para R$ 3,49) subiram 9% e 5,7%, respectivamente. O proprietário Ramed Moussa, acredita que o impacto do aumento resultará na diminuição do consumo de combustíveis. “Com a economia do jeito que está, as pessoas vão abastecer em menor volume para manter os seus gastos no mesmo patamar. Vai gerar mais uma recessão, justamente quando o governo deveria promover a redução de custos para estimular o consumo”, analisa.

O empresário Gaspar de Oliveira, 74, diz que o governo não precisava sacrificar o consumidor mais uma vez para fechar as contas. “Tira da Petrobras, porque ela vai vender. O consumidor já não aguenta mais. O produtor também, porque o preço não está bom e ele vai pagar dos dois lados, a baixa de preço do produto e pagar a alta do combustível”.

Efeito cascata

O reajuste no preço dos combustíveis refletirá em vários setores, uma vez que a maior parte das mercadorias transportadas no país é por meio rodoviário, ou seja, caminhões. A Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC) já prevê reajuste de 4% no preço do frete. A agricultura, que está em plena colheita da safra de milho também terá os custos elevados, já que as máquinas agrícolas são abastecidas com diesel, além do custo gasto no transporte dos produtos.

De acordo Miguel Mendes, diretor executivo da ATC, o custo do diesel, principal combustível utilizado pelos transportes, será majorado em 8% em média. Como o custo representa metade do valor do frete, o impacto no custo final do frete será de 4%. “Este é o repasse que será realizado de forma imediata, após negociação que será feita junto aos clientes. Mas este aumento provoca um efeito cascata e em um segundo momento, o aumento do diesel acabará resultando em majoração em outros custos, como peças e pneus”, explica Mendes. Segundo ele, o aumento futuro no preço do frete pode ser até maior do que o promovido agora.

O impacto do custo do diesel chegará a diversos segmentos, com o aumento do custo do frete. O setor agropecuário já lamenta os efeitos. “Vem um impacto em efeito cascata. Impacta o custo não apenas do transporte, mas também do preparo e colheita dos produtos porque o diesel é utilizado nas máquinas e equipamentos agrícolas. E como muitas vezes o produtor não consegue repassar esse aumento, acabará cobrindo os gastos a mais, dentro de um cenário onde o custo para o produtor já não é favorável, e agora terá mais um aumento”, avalia Normando Corral, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

 

fonte ; GD

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