Tiago Lima Bortoli, 33, de Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá), 1m e 90cm, chegou a pesar 320 quilos, um dos maiores indicadores de peso em Mato Grosso.

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Minutos antes de entrar para o centro cirúrgico

Para se ter uma ideia de records, as pessoas mais gordas do mundo pesam em torno de 400 quilos.

Tiago era empregado de um lava jato na cidade, mas há 5 anos sofreu um acidente de trânsito e ficou acamado. Um Corolla o atingiu, de moto, em uma rotatória. “Foram 8 meses sem por o pé no chão”, recorda.

Tendo sido a vida toda “gordinho”, acamado, entrou em um processo rápido de ganho de peso e acabou sendo diagnosticado com obesidade mórbida.

No consultório médico, a indicação foi por uma cirurgia bariátrica. Sem condições de pagar por uma intervenção particular, recorreu ao Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, única referência no Estado na saúde pública.

Desde a intervenção, há 10 meses, perdeu 92 quilos, ou seja, 30% do peso total. “No início, a gente emagrece rápido, depois desacelera”, observa.

Perdeu roupas, mas vem ganhando auto-estima.

“Sempre fui gordinho e enquanto o peso não atrapalhava tanto ia levando. Andava de moto, com mais de 300 quilos, por incrível que pareça, fui me ajustando. Até que cheguei a um limite, que não dava mais. Agora estou feliz por ter outra oportunidade de vida”, comenta Tiago.

Antes da cirurgia, comida tudo que queria. Atualmente, trocou este prazer pela alegria de ser mais saudável. “Cortei gorduras, fritura, doce e bebida alcoólica, porque teve uma época que estava muito deprimido e bebia demais”, reconhece.

Não faz exercícios ainda porque está muito pesado, precisa emagrecer mais para começar. “A coluna doi e o peso ainda não permite”, explica.

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Muitas horas assentado por não aguentar tanto peso

Uma das expectativas de Tiago é encontrar outro relacionamento. Separou há 2 anos no auge da obesidade. “A obesidade complica, mas não acredito que somente isso seja o motivo principal do rompimento”, avalia. “O mais complicado é a discriminação, o bullying”.

Após a cirurgia, o tratamento dele ainda não terminou. A consulta com a equipe cirúrgica é mais esporádica, mas ao nutricionista e outros especialistas tem que visitados mês a mês.

Um dos médicos da equipe que operou Tiago, Plínio Marcelo, ressalta que o paciente Tiago “é um caso a parte pelo peso elevado que atingiu”. Mas que, de modo geral, assim como ele, os pacientes são bem sucedidos no pós-cirúrgico.

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92 kg já eliminados, embora ainda acima do peso

No caso de Tiago, o método utilizado foi o Bypass Gástrico, “tipo de cirurgia bariátrica que pode levar à perda de ate 70% do peso inicial e consiste na redução do estômago e na alteração do intestino, levando o paciente a comer menos, acabando por perder peso. Esta cirurgia bariátrica está indicada para pessoas com IMC superior a 40 kg/m² ou com IMC superior a 35 kg/m² porém, que já tenham sofrido algum problema de saúde derivado do excesso de peso e, geralmente, só é realizada quando outras técnicas, como colocação de banda gástrica ou balão intragástrico, não tiveram os resultados desejados”, de acordo com informações são do site Tua Saúde.

No privado, este tipo de cirurgia custa de R$ 15 mil a R$ 45 mil dependendo do tipo de acompanhamento multidisciplinar que se contrata.

O SUS autoriza essa cirurgia quando o paciente está em risco de morte, devido ao peso.

Para Tiago, que não gosta de se expor, falar sobre o assunto é uma forma de incentivar outras pessoas acometidas pela mesma doença: a obesidade mórbida.

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