Após ser citado na Operação Lava Jato como recebedor de R$ 12 milhões em “caixa 2” da Construtora Norberto Odebrecht (CNO) para a campanha eleitoral de 2006, o ministro da Agricultura e ex-governador Blairo Maggi rebateu as acusações.

Segundo ele, os números e datas apresentados ao Ministério Público Federal (MPF) pelos ex-executivos da Odebrecht João Antônio Pacífico e Pedro Leão “não fecham”.

“Os números não fecham, as datas não fecham. O delator tem a liberdade de falar o que ele quiser. Agora, nesse segundo momento, terá que ter números, provas, documentos, quem pegou o dinheiro e quem não pegou, aonde foi, quanto foi. Enfim, vai ter que confrontar. Eu digo a todos os meus eleitores que eu nunca dei autorização pra esse tipo de situação”, afirmou em entrevista à Rádio Capital FM, na manhã desta terça-feira (18).

Segundo Maggi, ele demorou para se manifestar de forma mais ampla sobre o assunto porque estava e ainda continua buscando, junto à Contabilidade do Governo do Estado, os dados referentes aos pagamentos realizados à construtora.

“Eu tenho, na relação, reconhecimento até hoje pago pelo Governo do Estado R$ 18,321 milhões. Agora, estou buscando outros números e outros dados para saber quanto realmente foi [pago]. Até agora, não foi encontrado nenhum outro pagamento além desses para eles. Então, a narrativa do delator a confirmar com os números que eu estou aqui colocando, eles não são verdadeiros. Eles partem de números que não existiram”, explicou o ministro.

Na entrevista, Blairo Maggi confirmou que a dívida de Mato Grosso com a Odebrecht realmente existiu, no entanto, afirma que ela foi paga somente depois de sua reeleição, o que afasta a ideia de que ele tenha cometido caixa 2 na campanha em que foi reeleito governador.

“Na petição, você vai encontrar um documento assinado pelo então secretário Vilceu Marchetti, já falecido, onde ele reconhece uma dívida de R$ 21.371.148,00 dessa companhaia , que seria pago em sete parcelas a partir de dezembro de 2006. Portanto, já bem fora da campanha. E nesses pagamentos, que eu tenho conhecimento pelo Fiplan (Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças), nós vamos observar que esses pagamentos ocorrerarm até o dia 13 de abril de 2007. Quer dizer, fora do período de campanha eleitoral, bem longe dos números que estão se dizendo hoje”, contrapôs Maggi.

Segundo o ministro, ainda há mais dados para pesquisar, mas ele está certo de que não houve caixa 2. “Estou procurando me municiar, conhecer os números, saber aonde exatamente foi e quando foram os pagamentos, mas não há dúvida de que esse dinheiro não chegou à campanha eleitoral, já que ele foi pago em 2007”.

A partir de agora, Blairo diz que vai acompanhar e aguardar o andamento do pedido de inquérito feito pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas que está tranquilo de que o caso não chegará ao ponto de se tornar uma ação judicial.

“Eu vou aguardar muito tranquilamente o desenrolar desse assunto, levantar a cabeça, trabalhar, se superar. Esse não é um tramite rápido. Agora, eu vou estar atento a todos os movimentos, todos os números. (…) Eu espero que no final de tudo isso, que no final de cada uma dessas etapas que vão correr daqui pra frente, que eu consiga já na primeira etapa sair desse processo porque ele é muito desconfortável, ele não condiz com a realidade”, concluiu.

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