A deputada estadual Janaina Riva (PMDB), o irmão dela José Geraldo Riva Júnior e o empresário Valdir Agostinho Piran foram citados em um inquérito da Operação Lava Jato, datado de junho do ano passado, em que o procurador-geral da República Rodrigo Janot pede a prisão preventiva do doleiro Lúcio Bolonha Funaro por conta de seu envolvimento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). Atualmente, ambos estão presos.

 

No documento, o Ministério Público Federal (MPF) aponta crimes de lavagem de dinheiro que Funaro realizava por meio de empresas de fachada das quais era dono, entre elas a Viscaya Holding Participações, Intermediações, Cobranças e Serviços. No período de 26 de abril de 2013 a 28 de maio de 2013, essa empresa teria pago um débito no valor de R$ 300 mil para a empresa Floresta Viva Exportação de Madeira Terraplanagem, empresa da deputada e seu irmão.

Tal valor teve como origem o empresário Valdir Piran, que havia comprado um veículo Lamborghini preto de Lúcio Funaro. Ao citar Piran, Rodrigo Janot lembra que o mesmo é conhecido por ligação como o bicheiro João Arcanjo Ribeiro, o “Comendador”, e também por crimes contra o sistema financeiro, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, motivos pelos quais foi condenado a 17 anos de prisão na Operação Ararath.

Em seu pedido de prisão preventiva, o procurador-geral explica que antes de chegar até a empresa Floresta Viva, os R$ 300 mil oriundos de Piran teriam sido “lavados” na empresa de fachada de Funaro, a Viscaya.

 

Outro lado

Procurada pelo Gazeta Digital, a deputada Janaina Riva se manifestou através de sua assessoria de imprensa, dizendo que não tem conhecimento das transações da empresa Floresta Viva, uma vez que é o pai dela, o ex-deputado José Riva, quem a administra, por meio de procuração.

“Meu pai era quem administrava a empresa, através de procuração. Então todas as operações são assinadas por ele, nunca assinei um cheque sequer”, afirma.

A deputada reforça ainda que não é investigada na Ararath ou qualquer outra operação em andamento.
Por sua vez, José Riva, através de seu advogado Rodrigo Mudrovitsch, confirma a declaração da filha e reforça que já prestou esclarecimentos ao MPF.

“A empresa Floresta Viva sempre foi administrada por José Riva. Nessa qualidade, sempre foi ele quem tomou as decisões empresariais e prestou conta às autoridades a respeito da empresa. As operações mencionadas no inquérito referido já foram exaustivamente explicadas por José Riva ao MPF em investigações que tramitam sob sigilo. Atualmente, não há qualquer aspecto da vida de José Riva que não tenha sido explicado e documentalmente comprovado ao MPF”, diz o advogado.

O Gazeta Digital também conversou com o filho de Valdir Piran, Valdir Agostinho Piran Júnior, que explicou que o negócio de R$ 300 mil entre o pai dele e Lúcio Funaro refere-se a uma Lamborghini que o doleiro estava vendendo no ano de 2013 e que foi adquirida por seu pai.

Ele ressaltou que Piran já prestou explicações ao Ministério Público Federal, comprovando a licitude do negócio por meio de comprovantes de transferência bancária do valor da compra e de transferência da documentação do automóvel, que até já foi vendido novamente, no ano passado.

Quem é Lúcio Bolonha Funaro

No pedido de prisão assinado em 8 de junho de 2016, o procurador-geral da República Rodrigo Janot afirma que Lúcio Funaro é “personagem antigo dos noticiários policiais nacionais, envolvido em grandes escândalos de corrupção do Brasil nos últimos tempos” .

No histórico criminal do doleiro, Janot destaca que Funaro apareceu no escândalo do Bancoop, afirmando que o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto cobrava propina para intermediar negócios com fundos de pensão em favor do partido.

Também esteve envolvido no caso Banestado e na Operação Satiagraha, na qual chegou a ser preso. Ele também foi relacionado ao escândalo do Mensalão, como o responsável por repassar valores da SMP&B, de propriedade do publicitário Marcos Valério, ao antigo Partido Liberal (PL).

Janot também lembrou ao falecido ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, que era o relator da Lava Jato na época, que Funaro fez acordo de colaboração premiada com a Justiça em 2005, se comprometendo a não mais praticar novos crimes, sob pena de rescisão do acordo, o que não foi cumprido. “Apurou-se que o envolvimento de Funaro com negócios espúrios continua plenamente ativo”, ressaltou Janot.

Confira nota da deputada Janaina Riva na íntegra:

A deputada estadual Janaina Riva (PMDB) afirma que não tem conhecimento das transações da empresa Floresta Viva, uma vez que o pai dela, ex-deputado José Riva, por meio de procuração, é quem sempre administrou a empresa.

“Meu pai era quem administrava a empresa, através de procuração. Então todas as operações são assinadas por ele, nunca assinei um cheque sequer”, afirma.

A defesa de José Riva, advogado Rodrigo Mudrovitsch, acrescenta que todas as operações mencionadas no inquérito já foram explicadas pelo cliente dele ao Ministério Público Federal (MPF).

“A empresa Floresta Viva sempre foi administrada por José Riva. Nessa qualidade, sempre foi ele quem tomou as decisões empresariais e prestou conta às autoridades a respeito da empresa. As operações mencionadas no inquérito referido já foram exaustivamente explicadas por José Riva ao MPF em investigações que tramitam sob sigilo. Atualmente, não há qualquer aspecto da vida de José Riva que não tenha sido explicado e documentalmente comprovado ao MPF”, finaliza Mudrovitsch.

A deputada reforça ainda que não é investigada na Ararath ou qualquer outra operação em andamento.

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