Dados compilados por diversos órgãos oficiais em relação às demandas futuras de carne bovina apresentam cenários antagônicos: um deles comprova que ao longo de 2016, o mercado de carne bovina no país atingiu os melhores patamares de preços da história.

 

Por outro lado, é certo que a intensificação da pecuária de corte é um processo real e irreversível, que tem entre seus principais desafios na atividade pecuária a viabilidade econômica, o que faz com que muitos produtores mantenham uma postura mais conservadora.

 

Objetivando apontar o melhor caminho e como se portar diante do mercado, a feira de agrotecnologia Parecis SuperAgro, que será realizada entre os dias 9 e 12 de abril em Campo Novo do Parecis (a 420 km de Cuiabá), traz o painel da pecuária e diversos especialistas na área para tratar do assunto.

 

Dentre eles está o médico veterinário Renato dos Santos que vai ministrar a palestra “Importância Econômica do Bem-estar em Animais de Produção”. O tema é voltado aos pecuaristas com foco em negócios na produção de matéria-prima para a indústria da carne.

 

O objetivo é mostrar ao produtor quanto um manejo ruim pode custar ao prórpiro negócio e a toda cadeia da carne

“O objetivo é mostrar ao produtor quanto um manejo ruim pode custar ao prórpiro negócio e a toda cadeia da carne”, explica. Conforme Renato Santos, o Brasil joga fora pelo menos 12 milhões de quilos de carne por ano, devido a hematomas na carcaça, segundo estudos do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Grupo ETCO) da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), de Jaboticabal.

 

Santos, que tem mais de 30 anos de experiência de campo, é consultor em manejo e responsável pela área de Manejo Racional na Beckhauser, diz que essa perda começa no manejo dentro da fazenda. “Com mudanças de atitude no manejo é possível que os pecuaristas ganhem muito mais com seus rebanhos”, complementa.

 

Em seguida, Sérgio Raposo Medeiros discorrerá sobre o tema  “Eficiência Nutricional: Chave para a Produção Sustentável de Carne Bovina”. O palestrante lembra que, de acordo com dados das Nações Unidas, o mundo vai precisar de um aumento de 70% na produção de alimentos para suprir a população de nove bilhões de pessoas, prevista para 2050.

 

“Esse enorme desafio, no entanto, deverá ser vencido em cenários cada vez mais restritos em termos de disponibilidade de recursos, incluindo água e terra para atividades agropecuárias. Portanto, é imperativo produzir mais por unidade de recurso utilizado, ou seja, de forma mais eficiente”, alerta Raposo Medeiros.

 

Dentre os insumos utilizados nos sistemas de produção animal, os componentes da alimentação são dos mais importantes, com grande impacto econômico e ambiental. Portanto, identificar animais com melhor eficiência alimentar tem cada vez maior relevância.

 

“Felizmente, tem-se observado elevada variabilidade individual para consumo e eficiência alimentar em bovinos, o que estimula o uso destas características em programas de melhoramento para identificar indivíduos mais eficientes”, acrescenta o palestrante.

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