O ex-secretário estadual de Administração, Francisco Faiad, negou que tenha abastecido seus automóveis como forma de recebimento de propina do posto Marmeleiro, que era contratado de modo irregular pelo Governo do Estado, na gestão de Silval Barbosa (PMDB). O advogado garantiu que a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) é mentirosa.

Francisco Faiad foi preso preventivamente durante a deflagração da quinta fase da “Operação Sodoma”. Ele é acusado de participar da organização criminosa que praticou diversos crimes contra o Estado durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), acusado de liderar o esquema.

O ex-secretário foi solto cerca de uma semana depois. Ele conseguiu um habeas corpus concedido pelo desembargador Pedro Sakamoto, ao dar um apartamento como garantia do ressarcimento do suposto desvio de R$ 219 mil.

A quinta fase da “Operação Sodoma” foi motivada por delações premiadas dos empresários Juliano Volpato e Edézio Corrêa, administradores das empresas Marmeleiro Auto Posto Ltda. e Saga Comércio Ltda. Na quinta parte da operação, os principais alvos das investigações foram os contratos firmados irregularmente entre o Estado e a Marmeleiro e a Saga Comércio.

Os empresários relataram, durante suas delações, que o ex-secretário costumava fazer abastecimentos mensais para o seu escritório em seus postos, em 2014. Em razão disso, Juliano Volpato abatia os valores no “mensalinho” que era destinado a Faiad.

De acordo com a delação premiada dos empresários, o dinheiro que restava dos R$ 16 mil, que Faiad recebia do acordo ilegal, após descontar o que havia consumido com combustível, era entregue pessoalmente por Edézio Corrêa. No entanto, Francisco Faiad afirmou que o relato dos delatores é um “absurdo”.

Ele disse que o combustível que obteve para sua campanha eleitoral em 2014 foi concedido de modo regular. Segundo ele, no início do ano eleitoral, um amigo teria se oferecido para doar auxiliar no abastecimento dos veículos que iriam ajudar na candidatura a deputado estadual. “Essa informação de que eu abastecia no posto Marmeleiro não é verdadeira. No início de 2014, estive em Sinop, em um evento, e um advogado, chamado Gerson, que trabalha para o posto Idaza no município, me doou 10 mil litros para usar nas eleições de 2014”, declarou.

Apesar de Gerson morar em Sinop, o ex-secretário explicou que o advogado transferiu o crédito do combustível para uma unidade do posto Idaza em Cuiabá, localizado na Avenida Dom Bosco, nas proximidades do escritório de advocacia de Faiad. “Eu tinha um talão para a requisição desses 10 mil litros de combustível que ele me doou”, disse.

De acordo com Faiad, a relação que ele mantinha com o advogado que teria doado o combustível era puramente de amizade. “Ele quis me doar o combustível somente para ajudar na minha pré-campanha a deputado”, contou o ex-presidente da OAB-MT, que não conseguiu se eleger em 2014 obtendo 10.042 votos. Atualmente, ele é o terceiro suplente da coligação PMDB-PT-PR-PCdoB-PROS.

SODOMA 5

A quinta fase da Sodoma foi deflagrada na manhã de 14 de fevereiro. A investigação, presidida pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública, cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva e nove de busca e apreensão domiciliar, nos estados de Mato Grosso, Santa Catarina e Distrito Federal.

Além de Faiad, os mandados de prisão também foram cumpridos contra o ex-secretário adjunto da Setpu, Valdisio Juliano Viriato; o ex-governador Silval da Cunha Barbosa; o ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Cesar Corrêa Araújo; e o ex-secretário adjunto de administração, José Jesus Nunes Cordeiro. Entre os conduzidos coercitivamente para interrogatórios estão o ex-candidato ao governo do Estado, Lúdio Cabral (PT); o ex-secretário de Fazenda, Marcel Souza de Cursi; Wilson Luiz Soares; Mário Balbino Lemes Junior; e Rafael Yamada Torres.

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